Even on Brazilian soil, they remain subject to American law
Em um momento em que dados se tornaram infraestrutura estratégica, o Brasil deu um passo deliberado em direção à soberania digital: o BNDES aprovou R$ 300 milhões para expandir a Magalu Cloud, a primeira iniciativa do banco de fomento a apoiar diretamente uma nuvem computacional nacional. O gesto reconhece que depender de servidores estrangeiros — sujeitos a legislações como o Cloud Act americano e às oscilações do câmbio — é uma vulnerabilidade que vai além do mercado, tocando na autonomia do Estado e na proteção dos cidadãos. A aposta é que infraestrutura local, precificada em reais e ancorada no direito brasileiro, pode oferecer algo que gigantes como AWS, Azure e Google Cloud, por definição, não conseguem: a garantia de que os dados do país permanecem sob jurisdição brasileira.
- Sistemas críticos como o Pix e declarações de imposto de renda de milhões de brasileiros rodam hoje em servidores americanos, expostos ao Cloud Act de 2018 — uma lei que autoriza autoridades dos EUA a acessar esses dados onde quer que estejam.
- A dependência cambial agrava o problema: empresas e órgãos públicos pagam por serviços em dólar, sem previsibilidade de custos em um país de moeda volátil.
- O BNDES responde com o maior aporte já feito a uma nuvem nacional — R$ 300 milhões via programa Mais Inovação — para financiar processadores, redes, P&D e um novo data center em Fortaleza.
- A Magalu Cloud acelera sua estrutura: de cinco para seis data centers, e de 205 para 375 funcionários técnicos até 2028, mirando um mercado que deve quadruplicar para US$ 80 bilhões até 2032.
- O verdadeiro teste será competir em escala e confiabilidade com gigantes globais enquanto oferece o que eles não podem — a certeza de que informações sensíveis não cruzam fronteiras.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou na segunda-feira um financiamento de R$ 300 milhões para a Magalu Cloud, inaugurando uma nova frente na política tecnológica brasileira: pela primeira vez, o BNDES apoia diretamente a expansão de uma infraestrutura nacional de computação em nuvem. Os recursos, canalizados pelo programa BNDES Mais Inovação, serão aplicados em equipamentos físicos, processadores, redes e pesquisa e desenvolvimento.
A decisão tem um pano de fundo estratégico que vai além do mercado. A maior parte das empresas e órgãos públicos brasileiros — incluindo o sistema Pix e os registros da Receita Federal — opera sobre infraestrutura de provedores estrangeiros como Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud. Essa dependência expõe o país a dois riscos concretos: a volatilidade cambial, já que os contratos são firmados em dólar, e a jurisdição estrangeira, exemplificada pelo Cloud Act americano de 2018, que autoriza autoridades dos Estados Unidos a acessar servidores de empresas americanas em qualquer lugar do mundo, inclusive em solo brasileiro.
A Magalu Cloud se apresenta como alternativa a esse cenário. Com precificação em reais e infraestrutura ancorada no direito nacional, a empresa promete previsibilidade de custos e proteção jurídica doméstica. O novo aporte financiará um sexto data center em Fortaleza — somando-se aos três na Grande São Paulo e aos dois já existentes na capital cearense — e reforçará a unidade de São Carlos. A empresa planeja contratar 170 profissionais técnicos até 2028, chegando a 375 funcionários.
O contexto de mercado reforça a urgência da iniciativa. O BNDES projeta que o setor de computação em nuvem no Brasil crescerá de US$ 20 bilhões em 2024 para US$ 80 bilhões em 2032, impulsionado sobretudo pela demanda por inteligência artificial. Para a Magalu Cloud, a questão central é se conseguirá corresponder à escala e à confiabilidade dos gigantes globais enquanto oferece algo que eles, por natureza, não podem garantir: que os dados sensíveis de brasileiros permaneçam sob soberania brasileira.
Brazil's national development bank gave its approval on Monday to a three-hundred-million-real financing package aimed at expanding Magalu Cloud's operations across the country. The decision marks the first time the BNDES has backed a domestic cloud computing service in this way, signaling a shift in how the government thinks about data infrastructure and technological independence.
The money will flow through the BNDES Mais Inovação program and will be spent on physical infrastructure, processors, networking equipment, and research and development. Magalu Cloud plans to hire 170 technical professionals by 2028, bringing its total workforce to 375 people. The company currently operates five data centers—three in the greater São Paulo region and two in Fortaleza. The new financing will fund a sixth data center in Fortaleza and strengthen the existing facility in São Carlos.
Behind this investment lies a strategic concern: Brazil's vulnerability in the cloud storage market. Most Brazilian companies, whether state-owned or private, rely on foreign cloud services—primarily Amazon Web Services, Microsoft Azure, and Google Cloud. This dependence creates real risks. Companies face exposure to currency fluctuations and must operate under foreign legal frameworks. The U.S. Cloud Act of 2018 is a concrete example. That law permits American authorities to access servers belonging to American companies anywhere in the world, even if those servers sit on Brazilian soil. The Pix payment system, for instance, runs on Amazon's infrastructure. So do most federal government records, including income tax filings. State governments and municipalities face the same situation.
Magalu Cloud is positioning itself as an alternative. By offering local infrastructure and pricing in Brazilian reals, the company can promise cost predictability and legal protection rooted in Brazilian law. The BNDES president, Aloizio Mercadante, framed the initiative as aligned with the government's National Innovation Policy and the broader digitalization strategy of the Lula administration.
The cloud computing market in Brazil is expanding rapidly, driven largely by growing demand for artificial intelligence solutions. The BNDES projects the sector will grow from twenty billion dollars in revenue in 2024 to eighty billion dollars by 2032—an average annual growth rate of 18.3 percent. That expansion creates both opportunity and urgency. Magalu Cloud is betting that Brazilian companies and government agencies will prefer a domestic provider that offers not just competitive pricing but also sovereignty over their data. Whether that bet pays off will depend on whether the company can match the scale and reliability of the global giants while offering something they cannot: the assurance that sensitive information stays under Brazilian jurisdiction.
Citas Notables
The initiative is aligned with the National Innovation Policy and the government's digitalization strategy— BNDES President Aloizio Mercadante
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Why does it matter that the U.S. Cloud Act applies even to servers on Brazilian soil?
Because it means a Brazilian company using AWS infrastructure has no legal recourse if American authorities demand access to data. The physical location doesn't protect you—the company's nationality does. That's the vulnerability the government is trying to address.
So Magalu Cloud is essentially a sovereignty play, not just a business play?
Exactly. The financing isn't just about competition. It's about keeping control of critical data—government records, financial systems, sensitive business information—within reach of Brazilian law and Brazilian courts.
But can a Brazilian company really compete with AWS or Google on scale and reliability?
That's the real question. The market is growing fast enough that there's room for a challenger, especially one focused on the domestic market. But Magalu has to prove it can deliver the same uptime, security, and performance. The government is betting they can.
What happens if Magalu Cloud fails to attract customers?
Then Brazil remains dependent on foreign providers, and the BNDES has made a three-hundred-million-real bet on a company that couldn't compete. But the government seems willing to take that risk because the alternative—continued dependence—carries its own costs.
Is this protectionism or pragmatism?
Both, probably. It's pragmatic to want control over your own data infrastructure. Whether it's protectionist depends on whether Magalu can eventually stand on its own without continued government support.