Biólogo constrói fast-trawler de 30 pés no quintal e leva sonho ao mar

O sonho começou em Ubatuba e ganhou forma no quintal
A jornada de cinco anos que transformou um desejo antigo em uma embarcação navegável.

Em algum momento entre a adolescência passada observando barcos ancorados em Ubatuba e os cinquenta anos vividos em Barueri, Antonio Carlos Osse compreendeu que alguns sonhos não se compram — se constroem. Durante cinco anos, um biólogo, sua esposa e suas filhas ergueram no próprio quintal um fast-trawler de 30 pés, transformando madeira, epóxi e fins de semana em uma embarcação capaz de navegar o oceano. O Osseanic chegou ao mar em Caraguatatuba em 2022, lembrando que a paciência, quando sustentada por amor e trabalho coletivo, tem a forma de um casco que não vaza.

  • Um sonho adiado por décadas encontrou sua saída não no mercado, mas nas próprias mãos: sem dinheiro para comprar um barco, a família decidiu construir um.
  • O quintal de uma casa em Barueri virou canteiro naval por cinco anos, com um galpão improvisado, resinas, fibra de vidro e a participação de todos — inclusive duas filhas que cresceram junto com o casco.
  • A complexidade técnica foi real: tanques de combustível, sistemas hidráulicos, elétricos e eletrônicos foram fabricados ou montados pela própria família, exigindo planejamento rigoroso e aprendizado contínuo.
  • No primeiro teste em Caraguatatuba, o Osseanic atingiu 27 nós com oito pessoas a bordo e tanques cheios — nada quebrou, nada vazou, nada queimou.
  • O horizonte agora aponta para o Alasca, transformando o que começou como um sonho de adolescente numa travessia continental em família.

Antonio Carlos Osse tinha 50 anos quando decidiu que não esperaria mais. Desde a adolescência em Ubatuba, ele observava embarcações ancoradas no Saco da Ribeira e imaginava as viagens que poderia fazer. O sonho cresceu junto com ele, compartilhado com a esposa, mas comprar um barco pronto estava fora do alcance financeiro da família. A solução foi audaciosa: construir a própria embarcação no quintal de casa.

Em março de 2017, começou o trabalho. O projeto escolhido era de um arquiteto naval americano — um fast-trawler de 30 pés, menor que o sonho original, mas capaz de travessias de até 500 milhas. O método construtivo era madeira com epóxi, técnica que Antonio Carlos dominava há mais de 25 anos fabricando canoas canadenses. Um galpão metálico de 8 por 11 metros foi erguido no terreno e funcionou como oficina durante cinco anos.

A família inteira participou. Nos primeiros anos, o envolvimento foi intenso. Conforme as filhas Marina e Carolina entravam na adolescência, a dinâmica mudou, mas ninguém abandonou o projeto. Tanques de combustível, água potável e contenção de esgoto foram moldados no local com fibra de vidro. Cabos, sensores e instrumentos foram preparados antes mesmo da instalação do motor.

Em 15 de maio de 2022, o Osseanic estava pronto. O barco percorreu cerca de 300 quilômetros até Caraguatatuba, onde o motor Volvo Penta D4 de 270 cavalos foi instalado em concessionária autorizada. Após o licenciamento pela Capitania dos Portos, veio o primeiro teste: oito pessoas, tanques cheios, 27 nós. Nada falhou.

O barco construído num quintal de Barueri tornou-se uma embarcação em operação — e o próximo destino planejado é o Alasca. O Osseanic não é apenas madeira e resina. É a forma concreta que uma vida inteira de espera e trabalho em família finalmente tomou.

Antonio Carlos Osse tinha 50 anos quando decidiu construir um barco no quintal de casa. Não era um impulso repentino. A relação com o mar vinha de longe — desde a adolescência, quando ele ficava em Ubatuba observando embarcações ancoradas no Saco da Ribeira, imaginando as viagens que poderia fazer, os mergulhos, as paisagens que o aguardavam navegando. O sonho amadureceu ao longo das décadas, compartilhado com a esposa, que também sentia o chamado do oceano. Mas comprar um barco pronto exigiria um investimento imediato que a família não tinha. A solução veio de uma ideia simples e audaciosa: construir a própria embarcação, com as próprias mãos, envolvendo todos na jornada.

Em março de 2017, Antonio Carlos começou a trabalhar. Ele adquiriu um projeto de um arquiteto naval americano para um fast-trawler de 30 pés — menor e mais simples que o sonho inicial, mas capaz de navegar com autonomia em travessias de até 500 milhas. A escolha do método construtivo refletia sua experiência: madeira com epóxi, a mesma técnica que ele dominava há mais de 25 anos fabricando canoas canadenses. Ainda assim, o Osseanic representava um salto. Não era apenas um casco de madeira. Seria um barco cabinado, motorizado, equipado com sistemas hidráulicos, elétricos e eletrônicos — complexidade que exigia planejamento rigoroso.

A família montou uma estrutura metálica temporária no terreno, um galpão de 8 por 11 metros que funcionaria como oficina durante os próximos cinco anos. O trabalho avançou nos fins de semana, nas folgas, em períodos de dedicação intensa. Nos três primeiros anos, a participação foi forte. Depois, conforme as filhas Marina e Carolina entravam na adolescência, a dinâmica mudou. O projeto passou a misturar paixão e obrigação. Mas ninguém desistiu. A família fabricou os próprios tanques — combustível, água potável, águas servidas, contenção de esgoto — moldando-os no local com fibra de vidro e resina. Cabos, sensores, instrumentos e acessórios foram preparados durante a montagem, antes da instalação final do motor. Tudo feito pelas mãos que moravam naquela casa.

Em 15 de maio de 2022, cinco anos e dois meses depois, o Osseanic estava terminado. O casco estava pronto. Agora precisava chegar ao mar. O transporte até Caraguatatuba percorreu cerca de 300 quilômetros. A cidade foi escolhida para a instalação do motor Volvo Penta D4 de 270 cavalos em uma concessionária autorizada — uma decisão que preservaria a garantia do equipamento. Como grande parte dos sistemas já estava pronta, a montagem final foi facilitada. Depois veio o licenciamento junto à Capitania dos Portos. Com o registro emitido, o barco finalmente pôde entrar na água.

No primeiro teste, o Osseanic navegou com tanques cheios e oito pessoas a bordo. Atingiu 27 nós. Nada quebrou, nada soltou, nada vazou, nada queimou. O projeto artesanal feito no quintal de Barueri tinha se transformado em uma embarcação em operação. Meses depois, a família já fazia saídas de treinamento. O novo objetivo era ambicioso: levar o Osseanic até o Alasca, ampliando o alcance simbólico do sonho que havia começado décadas atrás em Ubatuba e ganhou forma concreta em um quintal de São Paulo. O barco não era apenas uma embarcação. Era a materialização de uma vida inteira de espera, paciência e trabalho em família.

A família entendeu que o processo também faria parte da realização do sonho, não apenas o resultado final
— Contexto do projeto relatado
Nada quebrou, soltou, vazou ou queimou durante o teste
— Antonio Carlos Osse, sobre o primeiro teste do Osseanic
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que um biólogo decide construir um barco em vez de simplesmente comprá-lo?

Model

Porque a compra exigiria dinheiro que ele não tinha de uma vez. Mas também porque, para essa família, o processo era tão importante quanto o resultado. Eles entenderam que viver cinco anos construindo juntos era parte do sonho realizado, não apenas um obstáculo antes de chegar lá.

Inventor

Cinco anos é um tempo muito longo para um projeto assim. Como a família manteve a motivação?

Model

Nos primeiros três anos foi mais fácil — havia entusiasmo puro. Depois, quando as filhas entraram na adolescência, virou mais difícil. Paixão e obrigação se misturaram. Mas ninguém desistiu. Acho que porque todos tinham visto o barco crescendo no quintal, tinham as mãos nele.

Inventor

Qual foi a parte mais técnica do projeto?

Model

Fabricar os componentes no local — tanques de combustível, água, esgoto — com fibra de vidro e resina. Não era só construir um casco. Era montar sistemas hidráulicos, elétricos, eletrônicos. Antonio Carlos tinha experiência com madeira e resinas, mas um barco motorizado cabinado era um desafio bem maior.

Inventor

E quando o barco finalmente entrou na água?

Model

No primeiro teste, com tanques cheios e oito pessoas a bordo, atingiu 27 nós. Nada falhou. Acho que foi o momento em que o sonho deixou de ser um projeto no quintal e virou realidade navegável.

Inventor

Qual é o próximo passo?

Model

Levar o Osseanic até o Alasca. O sonho começou em Ubatuba, ganhou forma em Barueri, e agora quer alcançar o norte. É como se o barco estivesse finalmente livre para ir aonde sempre deveria ter ido.

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