Bienal do Livro Rio bate recorde com 130 mil estudantes em 2025

Ler não precisa ser uma atividade solitária
Lorena Ayres reflete sobre o preconceito que ainda existe em torno da literatura no Brasil.

Evento literário maior do país recebe 130 mil crianças, adolescentes e jovens de redes pública e privada com investimento 15% maior que 2023. Vouchers variam de R$ 25 a R$ 200 para alunos e R$ 100 a R$ 1 mil para educadores, além de R$ 10 mil para renovar acervos de 67 bibliotecas municipais.

  • 130 mil estudantes visitaram a Bienal do Livro Rio em 2025
  • Investimento de R$ 16 milhões, 15% maior que em 2023
  • Vouchers de R$ 25 a R$ 200 para alunos, R$ 100 a R$ 1 mil para educadores
  • Rio de Janeiro designada Capital Mundial do Livro em 2025
  • Programa de visitação escolar existe desde 2000

A Bienal do Livro Rio 2025 registra público recorde de 130 mil estudantes com investimento de R$ 16 milhões em vouchers e acervo literário, reforçando o Rio como Capital Mundial do Livro.

Quando Rebeca Santos, uma menina de dez anos da Escola Municipal Cacique Cunhambebe em Angra dos Reis, desceu do ônibus após três horas de viagem, ela não sabia bem o que esperar. Mas ao entrar nos pavilhões da Bienal do Livro Rio em 2025, a surpresa foi imediata. Ela e seus colegas de classe saíram de lá com livros nas mãos — Rebeca escolheu dois — e uma sensação que ela resumiu em poucas palavras: "Estou achando tudo muito legal!"

Rebeca foi uma entre 130 mil estudantes que passaram pela Bienal neste ano, um número recorde que reflete o tamanho e a ambição do maior festival literário do país. O evento, realizado no Rio de Janeiro em um ano em que a cidade foi designada Capital Mundial do Livro, movimentou seus pavilhões com crianças, adolescentes e jovens vindos de escolas públicas e privadas de diversos pontos do Brasil. Não foi um acaso. Por trás desse fluxo havia uma estratégia deliberada de investimento público: R$ 16 milhões destinados especificamente para colocar livros nas mãos de estudantes e educadores.

Esse montante representou um aumento de 15% em relação a 2025, financiado pelas secretarias municipais de Educação do Rio de Janeiro, Angra dos Reis e Queimados, além da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Os recursos foram transformados em vouchers — pequenos créditos que funcionam como passaportes para a leitura. Estudantes receberam entre R$ 25 e R$ 200 para gastar em livros durante o evento. Educadores tiveram acesso a valores maiores, de R$ 100 a R$ 1 mil. As escolas da rede municipal receberam ainda vouchers entre R$ 1 mil e R$ 1.400 para reforçar suas bibliotecas e acervos pedagógicos.

Mas o investimento não parou ali. A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa destinou R$ 10 mil adicionais para renovar o acervo de bibliotecas cadastradas no Sistema Estadual de Bibliotecas, beneficiando 67 municípios fluminenses. Segundo Roberta Barreto, secretária de Estado de Educação, essa iniciativa se soma a outras ações em andamento: no ano anterior, mais de 4 milhões de livros paradidáticos foram entregues às escolas, e 200 salas de leitura móvel estão sendo implantadas em todo o estado.

O programa de visitação escolar, que existe desde 2000, permanece como um dos pilares sociais do evento. Dante Cid, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, descreveu a iniciativa como especial e relevante para a formação de uma nova geração de leitores. O objetivo, segundo ele, é aproximar crianças e jovens da literatura, promovendo a capacidade de sonhar, dando asas à criatividade e estimulando a consciência crítica. Renan Ferreirinha, secretário municipal de Educação, foi mais direto: "Nosso objetivo é fazer com que os nossos alunos fiquem mais com o livro na mão e menos com a tela, menos com o celular."

Para alguns visitantes, como Lorena Ayres, uma influenciadora literária que viajou do Distrito Federal para estar presente, a Bienal funcionou como um revelador. Quando contou aos amigos em Brasília que iria para outra cidade especificamente para um evento literário, muitos estranharam. Mas ao chegar lá e ver o local lotado de pessoas, turistas de diversos estados, ela compreendeu a proporção do evento. "É quase uma CCXP, mas de livros", disse ela, comparando o festival a um dos maiores eventos de cultura pop do país. Lorena também refletiu sobre um preconceito que ainda existe no Brasil em relação à literatura: a ideia de que ler é uma atividade solitária. "Ler não precisa ser uma atividade solitária", afirmou, apontando para a força que a literatura demonstra ter na vida das pessoas quando reunidas em torno dela.

O que aconteceu na Bienal do Livro Rio em 2025 foi, portanto, mais do que um evento bem-sucedido em termos de público. Foi uma aposta deliberada de que a literatura importa, de que colocar livros ao alcance de crianças e jovens é um investimento que vale a pena fazer, e de que quando você oferece a oportunidade, as pessoas — mesmo as que viajam três horas de ônibus — aparecem e levam consigo não apenas livros, mas também a sensação de que um mundo maior de possibilidades se abriu.

Estou achando tudo muito legal! Não sabia nem o que comprar, com tanta opção!
— Rebeca Santos, estudante de 10 anos
Nosso objetivo é fazer com que os nossos alunos fiquem mais com o livro na mão e menos com a tela, menos com o celular.
— Renan Ferreirinha, secretário municipal de Educação
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um evento de livros em 2025 consegue atrair 130 mil estudantes? Não é um número que a gente esperaria.

Model

Porque alguém decidiu que isso era importante o bastante para investir R$ 16 milhões. Não é só abrir as portas. É dar vouchers, é trazer ônibus de cidades inteiras, é dizer: você merece estar aqui.

Inventor

Mas por que os secretários de educação fazem isso? Qual é o cálculo por trás?

Model

Acho que é simples: eles veem que as crianças estão com o celular na mão, e sabem que a literatura abre portas que a tela não abre. Uma menina de dez anos que nunca tinha ido a uma Bienal sai de lá com dois livros e a sensação de que o mundo é maior.

Inventor

Lorena Ayres, a influenciadora, disse algo sobre preconceito com a literatura no Brasil. O que ela quis dizer?

Model

Que muita gente ainda acha que ler é coisa de nerd, coisa solitária, coisa chata. Mas quando você coloca 130 mil pessoas em um lugar lotado, comprando livros, conversando sobre histórias, fica claro que não é. É uma festa.

Inventor

E as salas de leitura móvel que estão sendo implantadas? Isso muda alguma coisa?

Model

Muda tudo. Significa que a literatura não fica presa nas cidades grandes. Ela vai para onde as crianças estão. É a diferença entre convidar alguém para vir até você e você ir até eles.

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