Um serviço disponibilizado há um ano foi suspenso de um momento para o outro
Na ilha do Faial, um projeto de mobilidade sustentável financiado maioritariamente por fundos europeus confronta-se com a fragilidade que tantas vezes acompanha as boas intenções: inaugurado com esperança em 2024, o serviço de bicicletas elétricas da Horta foi suspenso ao fim de um ano, vencido por baterias defeituosas, corrosão e vandalismo. O que resta não é apenas um equipamento parado, mas uma disputa sobre responsabilidade — quem responde quando o progresso se parte antes de cumprir a sua promessa.
- Um investimento de 207 mil euros em mobilidade limpa ficou imobilizado apenas um ano após a inauguração, deixando 32 bicicletas elétricas paradas nas docas.
- As falhas surgiram quase de imediato — baterias que cederam, pinos corroídos e atos de vandalismo transformaram um símbolo de inovação num problema crescente.
- A Câmara da Horta e o fornecedor entram agora numa zona cinzenta: quem suporta os 14.800 euros de reparação — o município que comprou, ou a empresa que forneceu equipamento com defeitos?
- Residentes e turistas ficaram sem o serviço prometido, e o vereador Eduardo Pereira aguarda um acordo que, por enquanto, ainda não existe.
Um ano depois de inaugurar um serviço de bicicletas elétricas com grande expectativa, a Câmara da Horta retirou as 32 máquinas de circulação. O projeto, financiado em 85% por fundos comunitários num total de cerca de 207 mil euros, pretendia oferecer a residentes e turistas uma forma sustentável de se deslocar pela cidade.
Os problemas surgiram quase de imediato. Segundo o vereador Eduardo Pereira, as baterias falharam logo após a instalação. O fornecedor enviou técnicos, as reparações trouxeram alguma estabilidade, mas os mesmos problemas ressurgiram. A isso juntaram-se a corrosão nos pinos das docas e sinais de vandalismo, tornando o serviço insustentável.
Quando os técnicos regressaram para uma nova inspeção, a conclusão foi que as bicicletas precisavam de uma intervenção profunda. Em junho chegou o orçamento: 14.800 euros, mais IVA. O valor surpreendeu a autarquia, que questiona se lhe cabe suportar integralmente essa despesa, dado que o equipamento apresentou defeitos desde o início.
Pereira admite a frustração de ver suspenso, ao fim de apenas um ano, um serviço em que o município apostou. As bicicletas permanecem imóveis nas docas enquanto a Câmara e o fornecedor tentam chegar a acordo sobre quem paga para repor o que foi prometido.
Um ano depois de inaugurar um serviço de bicicletas elétricas com grande esperança, a Câmara da Horta retirou as 32 máquinas de circulação. O que começou como um investimento em mobilidade limpa terminou numa disputa sobre quem paga para consertar o que se partiu.
Em 2024, o município gastou cerca de 207 mil euros na compra das bicicletas e sete docas de carregamento espalhadas pela cidade. O projeto tinha um objetivo claro: oferecer aos residentes e turistas uma forma sustentável de se deslocar. Oitenta e cinco por cento do dinheiro veio de fundos comunitários. Tudo parecia estar em ordem.
Mas os problemas começaram logo. Eduardo Pereira, vereador responsável pela pasta do Ambiente e Energias Alternativas, recorda que as baterias falharam quase imediatamente após a instalação. A empresa fornecedora foi contactada e enviou técnicos para fazer reparações. As coisas funcionaram "mais ou menos" durante um tempo, mas pouco depois os mesmos problemas ressurgiram. Não era apenas uma questão de baterias fracas. Os pinos das docas começaram a corroer, e havia também sinais de vandalismo. O serviço que deveria ser um símbolo de inovação ambiental tornou-se num problema crescente.
A Câmara insistiu com o fornecedor para que enviasse técnicos novamente. Quando chegaram e inspecionaram o equipamento, a conclusão foi clara: as bicicletas precisavam de ser retiradas de circulação para uma reparação mais profunda. Não era um ajuste rápido. Era uma intervenção séria.
Em junho, o orçamento para reparar tudo chegou: 14.800 euros, mais IVA. O número surpreendeu a autarquia, não apenas pelo valor, mas porque o município questiona se tem responsabilidade por essa despesa inteira. A relação entre a Câmara e o fornecedor entrou numa zona cinzenta. Quem deveria pagar? O município que comprou o equipamento, ou a empresa que o forneceu com defeitos?
Pereira admite a frustração. Um serviço que havia apenas um ano estava disponível para os munícipes e para quem visitava a ilha foi simplesmente suspenso. As expectativas foram defraudadas — as da população, as dos turistas, as do próprio município. O vereador espera que o problema seja resolvido em breve, mas por enquanto, as bicicletas permanecem imóveis nas docas, à espera de um acordo que ainda não existe.
Notable Quotes
Após a instalação das bicicletas, começámos a ter, de imediato, problemas com as baterias. Pouco tempo depois, continuámos a ter problemas.— Eduardo Pereira, vereador da Câmara da Horta
Isto defrauda as nossas expectativas, assim como penso que defrauda as expectativas da nossa população e também de quem nos visita.— Eduardo Pereira
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como é que um investimento de 207 mil euros em mobilidade sustentável desaba tão rapidamente?
Porque ninguém testou adequadamente o equipamento antes de o instalar. As baterias falharam logo, e depois vieram a corrosão, o vandalismo. Foram problemas em cascata.
A empresa fornecedora não tinha garantia?
Tinha, aparentemente. Mas quando chegou a hora de reparar, o custo foi de 14.800 euros, e agora há uma disputa sobre quem paga. O município diz que não tem responsabilidade pela totalidade.
E os residentes? Ficaram sem o serviço?
Ficaram. Um ano depois de terem começado a usar as bicicletas, tudo desapareceu. É uma decepção real para quem confiava no projeto.
Isto é um problema de gestão ou de qualidade do produto?
Provavelmente dos dois. Não houve fiscalização adequada antes da entrega, e o fornecedor não garantiu um produto robusto para um clima de ilha.
Há esperança de isto ser resolvido?
O vereador diz que espera uma resolução em breve, mas enquanto isso, as bicicletas estão paradas. É um símbolo de como as boas intenções podem desaparecer rapidamente sem execução cuidadosa.