BC abre consulta pública para regulamentar e ampliar serviço de eFX

Seu dinheiro fica em conta exclusiva, não misturado com outras operações
Nova regra do Banco Central busca proteger recursos de clientes em operações de eFX.

Em um momento em que as fronteiras entre tecnologia e finanças se tornam cada vez mais porosas, o Banco Central do Brasil dá um passo deliberado para trazer à luz um serviço que já movia bilhões nas sombras da regulação. O eFX — sistema de pagamentos e transferências internacionais usado por fintechs, plataformas digitais e intermediários de remessas — ganha agora um convite formal ao ordenamento: só poderá operar quem tiver autorização, quem prestar contas e quem proteger o dinheiro do cliente. A consulta pública aberta até 2 de novembro de 2025 é, em essência, um diálogo entre o Estado e o mercado sobre os termos de uma convivência mais transparente.

  • O eFX operava numa zona cinzenta regulatória — empresas o usavam diariamente sem um marco legal claro que definisse responsabilidades ou limites.
  • A exigência de autorização prévia pelo BCB pressiona prestadores não regularizados a se adequarem ou abandonarem o mercado dentro de um prazo ainda a ser definido.
  • Contas de depósito exclusivas e relatórios mensais obrigatórios elevam o nível de rastreabilidade das operações, reduzindo o risco de o dinheiro do cliente se perder em meio a outras movimentações da empresa.
  • A ampliação do escopo para transferências de investimentos até US$ 10 mil e a obrigatoriedade de informar o VET ao cliente sinalizam uma aposta na transparência como instrumento de proteção ao consumidor.
  • A consulta sobre o modelo BaaS abre uma janela para que fintechs continuem no ecossistema eFX sem precisar carregar toda a estrutura regulatória — desde que apoiadas por uma instituição autorizada.
  • O mercado tem até 2 de novembro para organizar suas posições; após esse prazo, o Banco Central consolidará as contribuições e definirá a forma final da regulamentação.

O Banco Central do Brasil lançou uma consulta pública para regulamentar o eFX, serviço de pagamento e transferência internacional que já é amplamente usado por empresas de cartões, plataformas digitais e intermediários de remessas — mas que até agora funcionava sem um marco regulatório definido. O edital número 124/2025 recebe contribuições até 2 de novembro de 2025.

A proposta central é simples: o eFX só poderá ser oferecido por instituições autorizadas pelo BCB. Quem já atua no setor sem essa autorização terá um prazo de transição para se regularizar ou deixar o mercado. As mudanças vão além da autorização: as instituições deverão comunicar ao Banco Central sua intenção de prestar o serviço, enviar relatórios mensais sobre transações e manter os recursos dos clientes em uma conta de depósito exclusiva, separada das demais operações da empresa.

O escopo do serviço também se amplia. Além de pagamentos e transferências comuns, o eFX poderá viabilizar transferências ligadas a investimentos no mercado financeiro, com teto de dez mil dólares por transação. Nas operações de transferência e investimento, as instituições serão obrigadas a informar ao cliente o Valor Efetivo Total — o VET —, tornando visível o custo real da conversão cambial.

O Banco Central aproveita a consulta para sondar o mercado sobre a viabilidade do modelo BaaS — Banking as a Service —, pelo qual fintechs poderiam contratar a infraestrutura regulatória e técnica de um banco autorizado para oferecer o eFX, mantendo o relacionamento direto com o cliente. Os documentos estão disponíveis no site do BCB e no portal Participa + Brasil, e todas as contribuições recebidas serão publicadas para consulta pública.

O Banco Central do Brasil abriu as portas para que o mercado financeiro e empresas de tecnologia opinassem sobre como regular um serviço que já existe, mas que até agora operava numa zona cinzenta. Trata-se do eFX — a sigla para qualquer operação de pagamento ou transferência internacional realizada fora dos canais tradicionais de câmbio. Empresas de cartões internacionais, plataformas de pagamento digital e intermediários de remessas usam esse serviço todos os dias. Agora o Banco Central quer colocá-lo dentro de um marco regulatório claro.

O edital de consulta pública número 124/2025, publicado recentemente, convida contribuições até 2 de novembro. O objetivo é simples: transformar o eFX em um serviço que só pode ser oferecido por instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central. Quem já opera nesse espaço e ainda não tem essa autorização terá um prazo de transição — a ser definido pelo próprio BC — para regularizar sua situação ou sair do mercado.

A proposta traz cinco mudanças principais. Primeiro, a exigência de autorização prévia. Segundo, as instituições autorizadas precisarão informar ao Banco Central sua intenção de prestar o serviço e enviar relatórios mensais sobre todas as transações e movimentações em reais. Terceiro, os reais recebidos dos clientes devem ficar em uma conta de depósito exclusiva, destinada apenas ao eFX — uma forma de proteger o dinheiro do cliente e evitar que se misture com outras operações da empresa. Quarto, o escopo do serviço vai se ampliar. Além de pagamentos e transferências comuns, o eFX poderá viabilizar transferências ligadas a investimentos no mercado financeiro, com limite de dez mil dólares por transação.

A quinta mudança é sobre transparência. Nas operações de transferência e investimento, as instituições terão de informar ao cliente o Valor Efetivo Total — o VET. Esse número representa exatamente quanto custa a operação de câmbio, em reais, por unidade de moeda estrangeira. É uma forma de o cliente saber, sem surpresas, quanto está pagando pela conversão.

O Banco Central também quer ouvir o mercado sobre a possibilidade de oferecer eFX por meio de um modelo chamado BaaS — Banking as a Service. Essa é uma tendência global em que instituições financeiras alugam sua infraestrutura para empresas de tecnologia. Uma fintech poderia, por exemplo, contratar um banco para fazer a parte regulatória e técnica do eFX enquanto ela cuida do relacionamento com o cliente.

Os documentos — a minuta da resolução e os modelos de prestação de informações — estão disponíveis no site do Banco Central, na seção de Estabilidade Financeira, ou no portal Participa + Brasil. As contribuições devem ser enviadas pelos canais oficiais indicados. Todas as sugestões recebidas serão publicadas para que qualquer pessoa possa consultá-las. O prazo é apertado: dois meses para o mercado se organizar, debater internamente e enviar suas posições. Depois disso, o Banco Central consolidará as contribuições e decidirá como fica a regulamentação final do eFX.

O eFX passará a ser oferecido apenas por instituições autorizadas a funcionar pelo BCB
— Banco Central do Brasil
Será exigida a informação do Valor Efetivo Total (VET), que representa o custo total para o cliente da operação de câmbio
— Proposta do Banco Central
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o Banco Central decidiu regulamentar agora algo que já funciona há anos?

Model

Porque o eFX cresceu muito, mas ninguém sabia exatamente quem estava fazendo o quê. Havia risco de fraude, de proteção inadequada ao cliente, de dinheiro desaparecendo. Colocar regras claras reduz esses riscos.

Inventor

E para as empresas que já operam, isso é bom ou ruim?

Model

Depende. As que já têm estrutura e compliance veem como formalização do que já fazem. As menores, que operavam na informalidade, precisarão se regularizar ou sair. É disruptivo, mas traz segurança ao sistema.

Inventor

Esse limite de dez mil dólares para investimentos — por que esse número?

Model

É uma forma de o BC ser cauteloso. Transferências para investimento são mais complexas, envolvem risco de mercado. Começar com um teto baixo permite aprender como funciona antes de ampliar.

Inventor

E o cliente, o que muda para ele?

Model

Transparência. Ele vai saber exatamente quanto está pagando de taxa de câmbio. Hoje, muitas vezes, a taxa vem embutida e ninguém sabe o valor real. Além disso, seu dinheiro fica em conta exclusiva, não misturado com outras operações da empresa.

Inventor

Dois meses é tempo suficiente para o mercado se organizar?

Model

Curto. Mas o BC já sinalizou há tempos que isso vinha. Quem estava atento já se preparava. Os que acordarem agora vão correr.

Fale Conosco FAQ