Banhos Férreos nas Furnas encerrados há uma década sem resolução

Residentes locais prejudicados pela perda de acesso a instalações termais públicas e alteração do uso do espaço cedido para fins turísticos.
O jogo do empurra continua há uma década
Antero Oliveira descreve a falta de ação governamental após informar dois executivos sobre o encerramento do balneário.

Nas Furnas, ilha de São Miguel, um balneário termal público permanece encerrado há dez anos após uma contaminação da água da piscina — não da nascente — que nunca foi devidamente investigada. O espaço foi convertido em restaurante, e o terreno cedido originalmente para fins turísticos passou a servir como parque de estacionamento, gerando uma contestação silenciosa mas persistente por parte de residentes que veem um recurso coletivo desaparecer sem explicação. A história deste lugar levanta uma questão mais ampla sobre o que acontece quando a inação governamental se torna, ela própria, uma decisão.

  • Um balneário termal com quase duas décadas de funcionamento foi encerrado em novembro de 2015 por contaminação da piscina — mas a nascente nunca esteve comprometida.
  • Sem investigação sobre a origem da contaminação, o espaço foi rapidamente reconvertido em restaurante, deixando residentes sem acesso a um recurso termal público único.
  • Antero Oliveira, emigrante natural das Furnas, alerta há dez anos para possível desvio de água da nascente para fins privados e para a cedência irregular do terreno familiar.
  • O contrato de concessão vigora até 2032 e obriga à restauração do espaço ao estado original, mas nenhuma autoridade reavaliou a decisão de encerramento permanente.
  • Especialistas do INOVA confirmam que procedimentos simples de higienização teriam sido suficientes para reabrir o balneário — tornando o encerramento definitivo ainda mais difícil de justificar.

Nas Furnas, nos Açores, um balneário termal público fechou em novembro de 2015 depois de análises revelarem contaminação na água da piscina. A nascente, essa, estava em boas condições. Dez anos depois, o espaço continua encerrado — transformado em restaurante, com o terreno envolvente convertido em parque de estacionamento.

Antero Oliveira, nascido nas Furnas e emigrado para os Estados Unidos aos 17 anos, não aceita o silêncio. A sua mãe cedeu parte da propriedade à câmara municipal em 1996 para fins turísticos. O que existe agora, diz ele, não é isso. Oliveira suspeita ainda que a água da nascente está a ser desviada para uso privado — acusação que a Junta de Freguesia das Furnas nega. A junta esclarece que gere um contrato de 25 anos com o restaurante Banhos Férreos, iniciado em 2007 e com término em 2032, que obriga o concessionário a devolver o espaço ao estado original.

O INOVA, instituto que realizou as análises, explica que a contaminação de piscinas públicas é comum: o uso intensivo acumula detritos orgânicos que degradam a qualidade da água. Como as águas minerais não podem ser tratadas quimicamente, a solução seria simples — esvaziar e limpar a piscina com regularidade. O diretor científico João Carlos Nunes sublinha que a decisão de encerrar e reconverter o espaço nunca foi da responsabilidade do instituto.

Oliveira diz ter alertado os governos de Vasco Cordeiro e José Manuel Bolieiro. Nenhum respondeu com ação. O responsável pelo restaurante recusou declarações. O que resta é um contrato que promete restaurar o passado, mas não diz quando — e um homem que continua à espera de uma investigação que nunca chegou.

Nas Furnas, um pequeno lugar nos Açores, existe um edifício que durante quase duas décadas funcionou como balneário público — um lugar onde as pessoas iam tomar banho nas águas termais. Em novembro de 2015, tudo mudou. A água da piscina foi encontrada contaminada, e o espaço foi fechado por ordem do delegado de saúde. Uma década depois, continua fechado. O edifício tornou-se um restaurante. O parque de estacionamento ocupa o terreno envolvente. E ninguém consegue explicar com clareza o que aconteceu, nem por que razão o plano original nunca foi retomado.

Antero Oliveira nasceu nas Furnas e emigrou para os Estados Unidos aos 17 anos. Há dez anos que tenta compreender o que se passou. Entre 1996 e 2015, o balneário funcionou normalmente, gerido por um concessionário privado. Depois, num dia de novembro, a análise revelou contaminação. A piscina fechou. Ninguém investigou como a contaminação ocorreu. O edifício foi imediatamente transformado em restaurante. Os arredores viraram parque de estacionamento. Oliveira diz que isto não faz sentido — um restaurante poderia funcionar em qualquer outro lugar, mas um balneário termal é específico, é um recurso.

O que torna isto mais complicado é a história do terreno. Em 1996, a mãe de Antero Oliveira cedeu autorização à câmara municipal para usar parte da propriedade com o objetivo de embelezar a área para fins turísticos. O acordo era claro: o espaço seria destinado ao turismo. Agora não é. Oliveira quer que a situação seja revista. Quer saber se a decisão de encerramento pode ser reconsiderada. Quer compreender por que razão ninguém investigou a origem da contaminação. Diz que informou os governos de Vasco Cordeiro e José Manuel Bolieiro sobre o assunto, pedindo avaliação e investigação. Até agora, nada aconteceu.

Oliveira também levanta outra questão: sustenta que a água da nascente está a ser desviada para fins privados. A Junta de Freguesia das Furnas nega ter conhecimento de qualquer desvio. A junta clarifica que é responsável pelo contrato do restaurante Banhos Férreos, um acordo de 25 anos que começou em setembro de 2007 e termina em julho de 2032. Segundo o contrato, o concessionário é obrigado a deixar o local e as estruturas exatamente como estavam originalmente. Também é responsável pela conservação do edifício. Mas nada disto resolve o problema do balneário fechado.

O Instituto de Inovação Tecnológica dos Açores, o INOVA, realizou as análises que levaram ao encerramento. Os resultados foram claros: a água da piscina estava contaminada, mas a água na nascente estava em boas condições, bacteriologicamente adequada. João Carlos Nunes, diretor científico do INOVA, explica que a contaminação da piscina é comum em espaços públicos. Quando várias pessoas tomam banho, a água acumula suor, partículas de pele, detritos. É como uma banheira de casa depois de alguém tomar banho — a água fica turva. O INOVA salienta que as águas minerais não podem ser tratadas com químicos, mas que procedimentos simples de higienização — esvaziar e limpar a piscina com frequência — poderiam ter resolvido o problema.

Nunes deixa claro que o INOVA não tinha responsabilidade sobre a decisão de encerrar o balneário ou de transformar o espaço em restaurante. A instituição apenas fez o que lhe competia: analisar a qualidade da água. A decisão de fechar e mudar o uso do espaço foi de outros. Manuel Oliveira, o responsável pelo restaurante Banhos Férreos, foi contactado mas recusou fazer declarações.

O que fica é uma situação em suspenso. Um contrato de concessão que obriga a restaurar as estruturas ao estado original, mas que não especifica quando ou como isso deve acontecer. Um terreno cedido para fins turísticos que agora serve outro propósito. Um balneário que poderia ter sido reaberto com limpeza regular, mas que permanece fechado. E um homem que emigrou há décadas, que voltou à sua terra natal em busca de respostas, que continua à espera de uma investigação que nunca chegou.

Fecharam a piscina sem nenhuma investigação e o edifício foi transformado em restaurante, e os arredores em parque de estacionamento
— Antero Oliveira, residente das Furnas
A piscina não estava em condições, não tinha a qualidade necessária para poder ser aberta ao público, mas a água na captação sempre esteve em condições, sempre esteve bacteriologicamente adequada
— João Carlos Nunes, diretor científico do INOVA
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que é que isto importa? É apenas uma piscina fechada há dez anos.

Model

Porque representa algo maior — a diferença entre o que foi prometido e o que realmente aconteceu. Em 1996, uma família cedeu terreno para fins turísticos. Agora é um restaurante. Ninguém investigou a contaminação. Ninguém reavaliou a decisão. É negligência institucional.

Inventor

Mas a água estava contaminada. Não era perigoso fechar?

Model

Sim, mas apenas a água da piscina. A nascente estava limpa. Limpeza regular teria resolvido o problema. Em vez disso, transformaram o espaço em algo completamente diferente.

Inventor

E o contrato? Não obriga a restaurar tudo?

Model

Obriga, mas é vago. Diz que as estruturas devem ficar como estavam, mas não especifica quando. O contrato vai até 2032. Entretanto, o balneário permanece fechado.

Inventor

Antero Oliveira pediu ajuda aos governos?

Model

Pediu. Informou dois governos diferentes. Nada aconteceu. É o que ele chama de "jogo do empurra" — ninguém toma responsabilidade.

Inventor

O que deveria ter acontido?

Model

Uma investigação real sobre a contaminação. Uma reavaliação da decisão de encerramento. Talvez um plano para reabrir o balneário com procedimentos de higiene adequados. Mas nada disto ocorreu.

Contáctanos FAQ