Há uma grande pressão para concluir nos próximos seis meses
No limiar de um prazo regulatório, os grandes bancos americanos apresentam ao Federal Reserve suas últimas sugestões para suavizar ainda mais as regras de capital propostas em março — regras que já representavam uma concessão significativa em relação ao rigor de 2023. O que está em jogo não é apenas a liberdade operacional das instituições financeiras, mas a velha tensão entre a vitalidade do crédito e a solidez do sistema diante de crises. A decisão que emergirá nos próximos meses revelará qual visão de prudência o banco central americano escolhe abraçar.
- Os bancos têm até o fim desta semana para depositar formalmente seus pedidos — e a janela está se fechando com urgência.
- As reivindicações são cirúrgicas: menos capital para trading, fim das exigências sobre crédito não utilizado e alívio na sobretaxa para bancos globalmente interconectados.
- A proposta de março já havia recuado drasticamente do plano de 2023, que previa aumento de 20% no capital — mas para os bancos, ainda há gordura a cortar.
- Críticos alertam que cada ponto percentual retirado das reservas é um passo a mais em direção à fragilidade sistêmica, com potencial de restringir crédito justamente quando a economia mais precisar.
- O Fed enfrenta pressão para encerrar o processo em seis meses, enquanto outros itens regulatórios aguardam na fila — o relógio corre para todos os lados.
Os grandes bancos americanos chegam ao prazo final de comentários públicos com uma lista precisa de pedidos ao Federal Reserve. Nesta quinta-feira, apresentarão formalmente sugestões para ajustar a proposta de flexibilização das regras de capital divulgada em março — seu derradeiro esforço para moldar quanto dinheiro precisarão manter em reserva para absorver perdas em tempos de crise.
Os pedidos são específicos: reduzir o capital alocado para operações de trading em Wall Street, eliminar exigências sobre linhas de crédito que clientes nunca chegam a usar e atenuar a sobretaxa que recai sobre os bancos mais interconectados globalmente. Cinco executivos e autoridades do setor confirmaram esses como os pontos centrais a serem levados ao regulador.
Para compreender a motivação, é preciso voltar a março, quando o Fed divulgou versões mais flexíveis das regras de Basileia — aquelas que definem como os bancos medem riscos e quanto capital precisam guardar. A proposta reduziria o capital de absorção de perdas em cerca de 4,8%, uma vitória considerável frente ao plano de 2023, que previa aumento de 20% e contava com apoio democrata após as falências de bancos regionais. Mesmo assim, após analisar centenas de páginas de alterações técnicas, os bancos identificaram pontos que acreditam poder corrigir.
O timing pesa. Matthew Bisanz, da Mayer Brown, observa que há pressão para concluir o processo nos próximos seis meses, com outros itens regulatórios aguardando atenção. O Fed não respondeu a pedidos de comentário sobre as sugestões desta semana.
Do outro lado, críticos advertem que reduzir reservas torna os bancos mais vulneráveis. Se uma instituição enfrenta dificuldades e restringe empréstimos para preservar capital, o efeito cascata pode atingir a economia inteira. É o trade-off clássico da regulação financeira — e o que o Federal Reserve decidir nos próximos meses dirá muito sobre qual lado dessa equação ele escolheu privilegiar.
Os grandes bancos americanos estão fazendo um último apelo ao Federal Reserve. Nesta quinta-feira, eles apresentarão formalmente uma série de sugestões para ajustar a proposta de flexibilização das regras de capital que o banco central divulgou em março. É o derradeiro esforço antes do prazo final para comentários públicos, e o que está em jogo é quanto dinheiro essas instituições precisam manter em reserva para absorver perdas em tempos de crise.
A lista de pedidos é específica. Os bancos querem reduzir o capital que precisam alocar para suas operações de trading em Wall Street. Querem eliminar a exigência de manter capital para linhas de crédito que os clientes nunca usam. E querem novos ajustes para diminuir o impacto da sobretaxa que recai sobre os bancos mais interconectados globalmente. Segundo cinco executivos e autoridades do setor, esses são os pontos principais que serão levados ao regulador.
Para entender por que os bancos estão tão motivados agora, é preciso voltar a março. O Federal Reserve, liderado por reguladores que buscavam um meio termo, divulgou novas versões mais flexíveis das regras de capital. Essas regras, conhecidas como Basileia, reformulam a maneira como os bancos medem seus riscos e, consequentemente, quanto capital precisam guardar. A proposta de março, segundo estimativas, reduziria o capital de absorção de perdas dos grandes bancos em cerca de 4,8%. Para os bancos, isso foi uma vitória considerável comparado ao que havia sido proposto em 2023.
Em 2023, o Federal Reserve havia apresentado um plano bem mais rigoroso. Aquele projeto, apoiado por democratas interessados em impor regras bancárias mais duras após as falências de bancos regionais, previa um aumento de capital de 20%. Os bancos veem a proposta atual como uma melhoria drástica em relação àquele cenário. Mas agora, depois de analisar centenas de páginas de alterações técnicas, eles identificaram problemas que acreditam poder corrigir com esse último esforço.
O timing é crítico. Matthew Bisanz, sócio da Mayer Brown especializado em regulação financeira, observa que há uma grande pressão para concluir o processo nos próximos seis meses. Existem outros itens na agenda regulatória que precisam de atenção, e o Fed quer fechar esse capítulo. O porta-voz do banco central não respondeu a pedidos de comentário sobre as sugestões que virão nesta semana.
Mas nem todos veem essa flexibilização com bons olhos. Os críticos argumentam que reduzir os requisitos de capital dos bancos torna essas instituições mais vulneráveis a riscos. Se um banco enfrenta dificuldades e precisa restringir empréstimos para preservar capital, o efeito cascata pode prejudicar a economia inteira. É um trade-off clássico: quanto mais flexível a regulação, mais liberdade os bancos têm para emprestar e investir, mas também mais expostos ficam a crises. O que acontece nos próximos seis meses dirá muito sobre qual lado dessa equação o Federal Reserve decidiu privilegiar.
Citas Notables
Há uma grande pressão para concluir o processo nos próximos seis meses, porque existem outros itens na agenda regulatória— Matthew Bisanz, sócio da Mayer Brown especializado em regulação financeira
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que os bancos estão fazendo esse esforço agora, se já conseguiram uma redução de 4,8% em março?
Porque centenas de páginas de detalhes técnicos revelaram problemas que eles não tinham visto antes. Quando você lê a proposta completa, encontra coisas que parecem injustas ou impraticáveis.
Que tipo de problemas?
Por exemplo, a forma como o capital para trading é calculado. Os bancos acham que está muito alto. E há exigências para linhas de crédito que ninguém usa — dinheiro parado que poderia estar em circulação.
Isso significa que a proposta de março não era tão boa quanto parecia?
Não exatamente. Comparada ao plano de 2023, que teria aumentado os requisitos em 20%, é uma vitória real. Mas os detalhes importam. Os bancos estão tentando refinar algo que já é favorável a eles.
E se o Fed disser não a esses ajustes?
Provavelmente aceitará alguns e rejeitará outros. Há pressão para fechar isso em seis meses, então o Fed quer uma solução que todos possam viver.
Qual é o risco real se essas regras forem muito flexíveis?
Se um banco enfrenta problemas e não tem capital suficiente em reserva, ele restringe empréstimos. Quando os bancos param de emprestar, a economia inteira sente. É por isso que os críticos estão preocupados.