Autoridades mexicanas confirmam morte de jornalista sequestrada; oito presos

Roxana Guzmán Ramírez foi sequestrada e assassinada após denunciar assédio de funcionário público; seu companheiro também foi morto em 2017.
A proteção que deveria vir do Estado veio da mesma estrutura que a matou
Policiais municipais colaboraram com criminosos no sequestro e assassinato da jornalista.

Roxana Guzmán, proprietária do portal Pulso Informativo Nanchiteco, foi sequestrada em 2 de junho e seus restos mortais encontrados em uma fazenda. Investigações apontam envolvimento de policiais municipais que forneceram recursos e apoio logístico ao grupo criminoso responsável pelo sequestro e assassinato.

  • Roxana Guzmán Ramírez, proprietária do Pulso Informativo Nanchiteco, sequestrada em 2 de junho em Nanchital, Veracruz
  • Oito presos, incluindo quatro policiais municipais de Ixhuatlán del Sureste que forneceram apoio logístico
  • Terceiro assassinato de jornalista em Veracruz em 2026; companheiro de Roxana também foi morto em 2017

Autoridades mexicanas confirmaram o assassinato da jornalista Roxana Guzmán Ramírez, sequestrada em junho em Veracruz. Oito pessoas foram presas, incluindo policiais municipais acusados de colaborar com criminosos.

No sul de Veracruz, no México, os restos mortais de Roxana Guzmán Ramírez foram localizados em uma fazenda. A jornalista havia desaparecido em 2 de junho, levada à força de sua casa em Nanchital por homens armados que invadiram sua residência. Imagens compartilhadas nas redes sociais capturaram o momento do sequestro — criminosos entrando no imóvel antes de a retirarem sob coação. Agora, semanas depois, as autoridades mexicanas confirmaram cientificamente sua morte através de análises periciais.

Roxana era proprietária e repórter do Pulso Informativo Nanchiteco, um portal de notícias local que cobria segurança pública, meio ambiente, cultura, esportes e denúncias da comunidade. Seu trabalho incluía reportagens sobre pessoas desaparecidas — um tema que, ironicamente, se tornaria sua própria história. Antes do sequestro, ela havia solicitado proteção à Comissão Estadual de Atenção e Proteção aos Jornalistas de Veracruz após denunciar assédio de um funcionário público. Repórteres Sem Fronteiras documentou seu pedido de segurança, um aviso que não foi suficiente para salvá-la.

A investigação identificou os responsáveis. Javier Iván, conhecido como "Delta 1"; José del Carmen, chamado de "Delta 7"; e Luis Arturo, apelidado de "Delta 11" ou "El Pelón", foram apontados como os autores do sequestro. Karen Monserrat, conhecida como "La Hiena", participou do assassinato junto com eles. Mas o crime não foi obra apenas de criminosos soltos. Quatro policiais municipais de Ixhuatlán del Sureste — Julio César, Luis Enrique, Juan Carlos e Ismael — foram presos por terem fornecido recursos, alimentos e apoio logístico ao grupo armado. A corrupção policial não foi periférica ao crime; foi estrutural.

Oito pessoas no total foram presas após mandados de prisão expedidos pela Justiça. A Procuradoria-Geral de Justiça do Estado declarou que os laudos periciais "concluíram o processo de identificação e confirmaram cientificamente que os restos localizados durante as diligências correspondem à jornalista", afirmando que a descoberta fortalecia a investigação e as ações para esclarecer os acontecimentos.

O assassinato de Roxana não é isolado. É o terceiro de um jornalista em Veracruz apenas em 2026. Em janeiro, o repórter policial Carlos Castro foi morto a tiros em Poza Rica. No mês passado, em 11 de junho, Luis Ángel López, também repórter policial, foi assassinado na mesma cidade. A região se tornou um cemitério para profissionais de imprensa.

Roxana já havia enfrentado violência antes. Em 2017, seu companheiro, Carlos Fernández Escalante, foi assassinado. Após aquele crime, ela deixou Veracruz por alguns anos, buscando segurança em outro lugar. Mas retornou a Nanchital, voltando ao trabalho que amava e que a matou. Seu retorno foi um ato de coragem ou de resignação — talvez ambos. Entidades de defesa da liberdade de expressão mobilizaram-se desde seu sequestro, exigindo respostas rápidas das forças de segurança. Agora têm uma resposta, mas não a que esperavam: confirmação de morte, prisões, e a continuação de um padrão que não mostra sinais de parar.

Os laudos periciais concluíram o processo de identificação e confirmaram cientificamente que os restos localizados correspondem à jornalista
— Procuradoria-Geral de Justiça do Estado
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
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Por que Roxana pediu proteção antes de desaparecer?

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Ela havia denunciado assédio de um funcionário público. Sabia que seu trabalho — cobrindo segurança, denúncias, pessoas desaparecidas — a colocava em risco. Pediu ajuda às autoridades.

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E as autoridades falharam?

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Pior que falharam. Alguns deles a entregaram. Policiais municipais forneceram recursos e apoio ao grupo que a sequestrou. A proteção que deveria vir do Estado veio da mesma estrutura que a matou.

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Como isso é possível?

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Corrupção profunda. Não é um policial desonesto aqui ou ali. São quatro policiais de um município trabalhando em conjunto com criminosos. É sistêmico.

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Veracruz já era perigosa para jornalistas?

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Muito. Roxana é a terceira morta este ano. Carlos Castro em janeiro, Luis Ángel López em junho. E ela mesma já havia perdido seu companheiro em 2017. Sabia o risco.

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Por que voltou?

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Porque era seu trabalho, sua comunidade. Porque sair não resolve nada — apenas deixa o campo livre para quem quer silenciar as vozes. Alguns jornalistas voltam mesmo sabendo o preço.

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E agora?

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Oito presos, investigação em andamento, mas o padrão continua. Enquanto a violência contra imprensa em Veracruz não for tratada como crise de segurança nacional, haverá mais Roxanas.

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