Auroras boreais iluminam céus de Portugal e Europa após tempestade solar intensa

O Sol a lembrar que a Terra não está isolada no espaço
A tempestade solar intensa que criou auroras boreais em Portugal revelou a vulnerabilidade das infraestruturas modernas.

Na segunda-feira, o Sol lembrou à Terra que ela não existe em isolamento: uma erupção de classe X disparou uma ejeção de massa coronal que varreu a atmosfera com uma intensidade não vista há mais de vinte anos. O resultado foi duplo — auroras boreais de rara beleza sobre Portugal e a Europa, e uma ameaça silenciosa às infraestruturas que sustentam a vida moderna. O que os antigos chamavam de magia, a ciência hoje classifica como tempestade geomagnética G4, e o que parece espetáculo é também aviso.

  • Uma tempestade solar de nível S4 — a mais intensa desde 2003 — atingiu a Terra com força suficiente para acender o céu português em verde e roxo, latitudes onde auroras são quase desconhecidas.
  • Bragança, Vila Real, Viseu e Setúbal viram o fenómeno ao mesmo tempo que o Reino Unido, a Alemanha, a Suíça e a Ucrânia — a Europa inteira ficou sob o mesmo brilho improvável.
  • Por trás do espetáculo, satélites, sistemas GPS, comunicações de alta altitude e lançamentos espaciais entraram em zona de risco real, com alertas emitidos pelo Centro de Previsão do Clima Espacial dos EUA.
  • Esperava-se que a tempestade enfraquecesse na terça-feira, mas os níveis voltaram a subir, obrigando a vigilância contínua sobre infraestruturas críticas nos dias seguintes.
  • O Sol encontra-se numa fase ativa do seu ciclo — e este evento, o segundo grande em poucas semanas após seis erupções de classe X em novembro, sugere que não será o último.

Na segunda-feira, o céu de Portugal acendeu-se com cores que raramente pertencem a estas latitudes. Auroras boreais — o brilho verde e roxo normalmente reservado aos céus árticos — surgiram sobre Bragança, Vila Real, Viseu e Setúbal. Era o resultado direto de uma erupção solar de classe X que tinha disparado uma ejeção de massa coronal em direção à Terra no início da semana.

Ryan French, investigador da Universidade do Colorado em Boulder, confirmou à CNN que o evento era do tipo que marca calendários. Shawn Dahl, do Centro de Previsão do Clima Espacial dos Estados Unidos, descreveu-o como uma das tempestades mais poderosas desde 2003 — uma classificação de radiação S4 e uma tempestade geomagnética G4, severa, sem hipérbole nos adjetivos.

O fenómeno não ficou em Portugal. Atravessou a Europa: Reino Unido, Alemanha, Suíça, Ucrânia, norte de Itália, sul de França. Eram partículas altamente energéticas a colidir com o campo magnético terrestre, criando aquele efeito luminoso que os antigos tomavam por magia e que a ciência hoje sabe ser belo e perigoso ao mesmo tempo.

Porque por trás do brilho havia risco real. Satélites, navegação GPS, comunicações de alta altitude e lançamentos espaciais estavam todos sob ameaça. O Centro de Previsão do Clima Espacial tinha alertado para isso desde segunda-feira, quando a tempestade de radiação começou a intensificar-se.

Portugal já tinha vivido isto em outubro de 2024, quando Évora, Viseu, Coimbra e Leiria foram palco do mesmo fenómeno. A repetição não tornava o evento menos raro — para a maioria dos portugueses, ver auroras continuava a ser experiência de uma vida. O Sol, em fase ativa do seu ciclo, voltava a lembrar que a Terra vive dentro de um sistema dinâmico e por vezes violento.

Os especialistas esperavam que a tempestade enfraquecesse na terça-feira, mas os níveis voltaram a subir, exigindo vigilância contínua. Quem tinha câmara e paciência continuava a fotografar o brilho verde no céu — testemunha de um evento que marca décadas.

Na segunda-feira, o céu português acendeu-se com cores que raramente se veem a estas latitudes. Auroras boreais — aquele brilho verde e roxo que normalmente habita os céus do Ártico — apareceram sobre Bragança, Vila Real, Viseu e Setúbal, surpreendendo quem levantou os olhos para cima. Não era alucinação coletiva. Era o resultado direto de uma tempestade solar que, naquele momento, estava a varrer a atmosfera terrestre com uma intensidade que não se registava há mais de duas décadas.

A culpa era de uma erupção solar de classe X — a primeira grande do ano — que tinha disparado uma ejeção de massa coronal em direção à Terra no início da semana. Ryan French, investigador do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado em Boulder, confirmou à CNN que este era o tipo de evento que marca calendários. Shawn Dahl, coordenador de serviços do Centro de Previsão do Clima Espacial dos Estados Unidos, descreveu a tempestade como uma das mais poderosas desde 2003. Não era hipérbole. Os números confirmavam: uma tempestade de radiação solar de nível S4, a classificação máxima, e uma tempestade geomagnética de categoria G4, severa.

O fenómeno não ficou confinado a Portugal. Atravessou a Europa inteira. Reino Unido, Alemanha, Suíça, Ucrânia — todos viram o mesmo espetáculo. Mesmo em zonas mais a sul, como o norte de Itália e o sul de França, o brilho foi visível. Eram partículas altamente energéticas, libertadas pelo Sol, a colidir com o campo magnético terrestre e a criar aquele efeito luminoso que os antigos acreditavam ser magia.

Mas auroras boreais são apenas o lado bonito da história. Por trás daquele brilho verde estava um perigo real para infraestruturas que a maioria das pessoas nunca vê. Os satélites estavam em risco. Os sistemas de navegação por satélite — o GPS que guia aviões, navios e carros — podiam sofrer perturbações. As comunicações de alta altitude, os lançamentos espaciais, tudo isto estava sob ameaça. O Centro de Previsão do Clima Espacial tinha alertado para isto já na segunda-feira, quando a tempestade de radiação começou a intensificar-se.

O que tornava isto particularmente notável era a sequência de eventos. Apenas em novembro do ano anterior, tinham sido registadas seis erupções solares de classe X. Uma delas, a 14 de novembro, tinha sido capturada pelo Solar Dynamics Observatory da NASA — imagens que mostravam o Sol em fúria, lançando plasma para o espaço. Agora, poucas semanas depois, vinha outra. O Sol estava numa fase ativa do seu ciclo, e isto era apenas o começo.

Portugal já tinha visto auroras antes. Em outubro de 2024, após outra tempestade solar, Évora, Viseu, Coimbra e Leiria tinham sido palco do mesmo fenómeno. Mas a repetição não tornava isto menos raro. Para a maioria dos portugueses, ver auroras boreais era uma experiência única na vida — algo que se pensava pertencer aos países nórdicos, não ao sul da Europa. E no entanto, ali estava, novamente, o Sol a lembrar que a Terra não está isolada no espaço, que vivemos dentro de um sistema dinâmico e por vezes violento.

Os especialistas esperavam que a tempestade enfraquecesse na terça-feira, mas os níveis voltaram a subir. Isto significava que a vigilância tinha de continuar. Satélites de comunicação, redes de energia, sistemas de navegação — tudo isto dependia de que as coisas não piorassem. E enquanto isso, quem tinha câmara e paciência continuava a fotografar aquele brilho verde no céu, sabendo que era testemunha de um evento que marca décadas.

Uma das mais poderosas tempestades solares desde 2003
— Shawn Dahl, Centro de Previsão do Clima Espacial dos Estados Unidos
A ejeção de massa coronal foi causada por uma erupção solar de classe X, marcando a primeira grande erupção solar do ano
— Ryan French, Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Porque é que uma tempestade solar causa auroras boreais aqui em Portugal, quando normalmente elas aparecem no Ártico?

Model

Quando a tempestade é suficientemente intensa, as partículas solares conseguem penetrar mais fundo na magnetosfera terrestre. Normalmente, o campo magnético protege-nos e canaliza essas partículas para os pólos. Mas quando a energia é tanta, como neste caso com uma tempestade S4, elas conseguem descer até latitudes muito mais a sul.

Inventor

E o que significa exatamente uma tempestade de nível S4?

Model

É a segunda classificação mais alta na escala de tempestades de radiação solar. Significa que há partículas altamente energéticas a viajar a velocidades extremas em direção à Terra. Não é apenas um espetáculo visual — é um evento que pode danificar satélites, interferir com GPS e comunicações.

Inventor

Mas se isto é tão perigoso, porque é que não ouvimos falar mais sobre isto?

Model

Porque a maioria das pessoas não vê os impactos diretos. Um piloto de avião pode notar interferências nas comunicações. Uma empresa de satélites pode perder um equipamento. Mas para o cidadão comum, o único sinal é aquele brilho verde no céu — se tiver sorte de estar acordado e num local sem poluição luminosa.

Inventor

Isto está a acontecer com mais frequência?

Model

O Sol tem ciclos de atividade que duram cerca de 11 anos. Estamos numa fase de máximo solar, o que significa que erupções como esta são mais prováveis agora do que serão em cinco anos. Mas quando chegam, chegam com força.

Inventor

E Portugal vai continuar a ver auroras?

Model

Depende da próxima atividade solar. Se houver mais erupções de classe X nos próximos dias ou semanas, é possível. Mas isto não é previsível com precisão. O Sol não segue um calendário.

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