É inútil esperar da Rússia a decência e a humanidade
No dia 27 de junho de 2022, a Rússia desferiu ataques coordenados contra três cidades ucranianas — Lysychansk, Kharkiv e Kremenchuk —, ceifando a vida de pelo menos 13 civis e ferindo mais de 50 outros que simplesmente tentavam sobreviver à guerra. Os bombardeios, que atingiram desde uma fila de pessoas em busca de água até um shopping center com mais de mil frequentadores, revelam uma estratégia que não distingue combatentes de inocentes. Na esteira da queda de Severodonetsk, esses ataques inscrevem mais um capítulo sombrio na longa disputa pelo Donbass — e lembram ao mundo que o custo mais alto da guerra é sempre pago por quem menos tem poder de evitá-la.
- Foguetes russos explodiram sobre civis em Lysychansk enquanto eles buscavam água, matando oito pessoas e ferindo 21 em um ataque com lança-foguetes múltiplos Uragan.
- Em Kharkiv, bairros residenciais voltaram a ser alvejados, com pelo menos três mortos e 15 feridos — e autoridades alertando que o saldo poderia crescer com a remoção dos escombros.
- Um shopping center em Kremenchuk foi atingido com mais de mil pessoas dentro, provocando um incêndio de grandes proporções e deixando ao menos dois mortos e 20 feridos, enquanto equipes de resgate ainda trabalhavam no local.
- Zelensky declarou ser 'impossível sequer imaginar o número de vítimas' e afirmou que é inútil esperar decência ou humanidade da Rússia, enquanto o mundo acompanhava as imagens de fumaça negra saindo do shopping.
- Com Severodonetsk já tomada, Lysychansk surge como o próximo alvo russo na região de Luhansk, sinalizando que a escalada de ataques contra civis deve continuar no coração do Donbass.
Na manhã de 27 de junho, civis ucranianos que se aproximavam de um reservatório de água em Lysychansk foram surpreendidos por foguetes russos. Oito pessoas morreram no local e outras 21 foram hospitalizadas. O governador de Luhansk, Sergei Gaidai, confirmou que as forças russas usaram lança-foguetes múltiplos Uragan contra uma multidão desarmada em busca de abastecimento básico.
O ataque ocorreu apenas dois dias após a queda de Severodonetsk, que havia marcado o fim de semanas de combates devastadores pelo controle do Donbass. Com aquela cidade perdida, Lysychansk tornava-se o próximo alvo evidente — a última grande cidade que restava às forças russas conquistar na área de Luhansk.
Mas os bombardeios daquele dia não se restringiram a uma única cidade. Em North Saltivka, bairro residencial na periferia de Kharkiv, a artilharia russa matou ao menos três pessoas e feriu 15. As autoridades locais alertaram que o número de vítimas poderia aumentar conforme os escombros fossem removidos.
O terceiro ataque foi o mais perturbador. Em Kremenchuk, foguetes atingiram um shopping center com mais de mil pessoas dentro. Chamas consumiram o prédio enquanto socorristas combatiam o incêndio. O presidente Zelensky, em mensagem no Telegram, descreveu a cena como algo impossível de dimensionar: ao menos duas pessoas morreram e 20 ficaram feridas, incluindo nove em estado grave, mas as operações de resgate ainda estavam em curso.
Ao fim do dia, pelo menos 13 civis haviam sido mortos e mais de 50 feridos em três cidades diferentes. Zelensky encerrou sua mensagem com uma conclusão amarga: 'É inútil esperar da Rússia a decência e a humanidade.' Enquanto isso, Lysychansk permanecia no horizonte das forças russas — prestes a enfrentar o mesmo destino de Severodonetsk.
Na manhã de 27 de junho, enquanto civis ucranianos se aproximavam de um reservatório de água em Lysychansk, foguetes russos explodiram sobre suas cabeças. Oito pessoas morreram no local. Outras 21 foram levadas a hospitais da região. Sergei Gaidai, governador de Luhansk, descreveu o ataque com precisão brutal: os russos dispararam lança-foguetes múltiplos Uragan contra uma multidão desarmada que simplesmente tentava se abastecer de água.
Lysychansk fica na região de Severodonetsk, que havia caído para as forças russas apenas dois dias antes, no sábado. Aquela conquista marcou o fim de semanas de combates devastadores pelo controle do Donbass, a região industrial do leste ucraniano que se tornou o epicentro da guerra. Agora Lysychansk era o próximo alvo óbvio — a última grande cidade que restava aos russos tomar na área de Luhansk. Os combates já haviam ceifado dezenas de civis. Havia pouca razão para acreditar que isso mudaria.
Mas os ataques de 27 de junho não se limitaram a uma cidade. Enquanto Lysychansk ardia, a artilharia russa também atingiu North Saltivka, um bairro residencial na periferia nordeste de Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia. Lá, pelo menos três pessoas morreram e 15 ficaram feridas. As autoridades locais advertiram que esses números poderiam subir conforme os escombros fossem removidos.
O terceiro ataque foi talvez o mais assustador. Em Kremenchuk, foguetes russos atingiram um shopping center repleto de pessoas. Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, informou que havia mais de mil civis dentro do prédio no momento do bombardeio. Chamas consumiram a estrutura enquanto os socorristas lutavam contra o fogo. Zelensky não forneceu um número exato de mortos, mas sua mensagem no Telegram transmitia a magnitude do horror: "é impossível sequer imaginar o número de vítimas". Kyrylo Tymochenko, chefe-adjunto da administração presidencial, relatou que ao menos duas pessoas morreram e 20 ficaram feridas, incluindo nove em estado grave. As operações de resgate continuavam.
Os vídeos compartilhados pelo Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia mostravam uma densa fumaça negra saindo do shopping, as chamas visíveis de longe. A mensagem que acompanhava as imagens era direta: "Os ocupantes dispararam foguetes contra o shopping, onde havia mais de mil civis. O shopping está pegando fogo, os socorristas estão combatendo o fogo, o número de vítimas é impossível de imaginar".
Em um único dia, pelo menos 13 civis foram mortos e mais de 50 feridos em três cidades diferentes. A Rússia não respondeu às acusações. Zelensky, em sua mensagem, ofereceu uma reflexão amarga sobre o significado desses ataques: "É inútil esperar da Rússia a decência e a humanidade". Enquanto isso, Lysychansk permanecia no horizonte das forças russas — a próxima cidade a sofrer o mesmo destino que Severodonetsk havia sofrido dias antes.
Notable Quotes
Hoje, em Lysychansk, os russos dispararam contra uma multidão de pessoas com lança-foguetes múltiplos Uragan enquanto os civis buscavam água em um depósito. Oito moradores morreram, 21 foram levados ao hospital— Sergei Gaidai, governador da região de Luhansk
É impossível sequer imaginar o número de vítimas— Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, sobre o ataque ao shopping em Kremenchuk
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que esses ataques aconteceram todos no mesmo dia? Parece coordenado.
Provavelmente era. A Rússia estava consolidando sua posição após tomar Severodonetsk e pressionando para avançar em Lysychansk. Ataques simultâneos em múltiplas cidades servem tanto para desgastar a defesa quanto para criar pânico.
Mas por que atacar civis buscando água? Qual é o objetivo militar disso?
Não há objetivo militar. Civis buscando água não são combatentes. O que você vê é a guerra sendo travada contra a população — destruir a capacidade das pessoas de sobreviver, forçá-las a fugir ou render-se.
O shopping em Kremenchuk tinha mil pessoas dentro. Como alguém justifica isso?
Não há justificativa. Zelensky estava certo em dizer que é impossível imaginar. Você tem um prédio cheio de gente comum fazendo compras, e foguetes caem sobre eles. Não há contexto militar que torne isso aceitável.
Lysychansk é realmente o próximo alvo?
Sim. Severodonetsk caiu no sábado. Lysychansk é a última cidade grande que resta na região. Os russos já estão lá, atacando. É uma questão de tempo.
E as pessoas que ainda estão lá?
Estão presas. Alguns tentam fugir, mas as rotas estão sob fogo. Outros não têm para onde ir. Buscam água porque precisam viver. É isso que torna esses ataques tão brutais — não há escape.