Ataque russo massivo deixa sete mortos e dezenas de feridos na Ucrânia

Sete pessoas mortas e dezenas feridas em Dnipro; quatro corpos recuperados dos escombros de prédio residencial; moradores desabrigados e traumatizados.
É como ganhar uma segunda vida
Marido de moradora de Dnipro após sobreviver a ataque russo que destruiu seu apartamento.

Ataque russo utilizou 619 drones e 47 mísseis; Ucrânia abateu 580 drones e 30 mísseis em resposta defensiva. Prédio de apartamentos em Dnipro foi atingido duas vezes; primeira-ministra ucraniana acusa Rússia de prolongar terror deliberado contra civis.

  • Ataque russo utilizou 619 drones e 47 mísseis; Ucrânia abateu 580 drones e 30 mísseis
  • Prédio de apartamentos em Dnipro foi atingido duas vezes em poucas horas
  • Sete mortos e mais de 30 feridos em Dnipro; quatro corpos recuperados dos escombros
  • Dnipro tinha população de quase um milhão antes da guerra

Moscou lançou mais de 660 drones e mísseis contra a Ucrânia em ataque noturno, matando sete pessoas e ferindo dezenas, com prédio residencial em Dnipro desabando parcialmente.

Na madrugada de sábado, a Rússia desencadeou um dos seus ataques mais volumosos contra a Ucrânia em semanas. Mais de 660 drones e mísseis foram lançados em uma ofensiva coordenada que deixou sete mortos e dezenas de feridos. A cidade de Dnipro, no sudeste ucraniano, foi o alvo principal, mas a onda de destruição se estendeu por várias regiões do país.

Em Dnipro, um bloco de apartamentos desabou parcialmente sob o impacto direto. Os equipes de resgate trabalhavam entre os escombros quando um segundo ataque aéreo atingiu o mesmo local horas depois, durante o dia. Quatro corpos foram retirados das ruínas no primeiro bombardeio; o segundo ataque matou mais uma pessoa e feriu sete outras. No total, mais de trinta pessoas na cidade sofreram ferimentos. Colunas densas de fumaça preta subiam ao céu na manhã de sábado, e a qualidade do ar se deteriorou significativamente. Um repórter da Reuters testemunhou um drone russo sendo destruído no ar exatamente acima do prédio destruído enquanto os resgatistas continuavam seu trabalho.

Dnipro, que abrigava quase um milhão de habitantes antes da guerra, já havia sofrido bombardeios letais repetidos ao longo dos últimos quatro anos. Os moradores que permaneceram na cidade enfrentaram a realidade de mais um ataque devastador. Aliona Katrushova, de 37 anos, observava de roupão enquanto os sobreviventes eram retirados dos escombros do prédio vizinho ao seu. Seu marido, Oleh, havia sobrevivido ao ataque — era seu aniversário naquele sábado — mas o apartamento do casal ficou danificado. "É como ganhar uma segunda vida", disse ele. Katrushova, porém, expressava sua raiva e desespero de forma diferente: "Que seus filhos durmam em suas camas quentinhas na Rússia e que tudo fique bem para eles. Que eles assistam enquanto a Rússia nos 'liberta' de nossos apartamentos e casas".

A primeira-ministra Yulia Svyrydenko acusou Moscou de prolongar deliberadamente o terror contra a população civil, continuando a atacar infraestruturas críticas e edifícios residenciais. Na região norte de Chernihiv, novos ataques com mísseis e drones mataram duas pessoas e feriram outras sete. O presidente Volodymyr Zelenskiy respondeu aos bombardeios reforçando seu apelo por defesas aéreas mais robustas. "Cada ataque como este deve lembrar aos nossos parceiros que a situação exige uma ação imediata e firme, bem como um rápido reforço das nossas defesas aéreas", afirmou.

Os números do ataque, divulgados pela Força Aérea ucraniana, revelam a escala da operação russa: 619 drones e 47 mísseis foram lançados. A defesa aérea ucraniana conseguiu abater 580 drones e 30 mísseis — uma taxa de interceptação impressionante, mas que deixou dezenas de armas inimigas atingindo seus alvos. O Ministério da Defesa russo afirmou ter atingido alvos militares, industriais e energéticos, mas não comentou o ataque ao prédio residencial em Dnipro.

O padrão de ataque russo tem sido consistente: pequenas barragens de dezenas de drones são lançadas todas as noites, intercaladas com ofensivas em grande escala que utilizam centenas de drones e dezenas de mísseis. Essa estratégia mantém as defesas ucranianas sob pressão constante. Enquanto isso, a Ucrânia intensificou seus próprios ataques com drones contra território russo. No sábado, autoridades da cidade russa de Ecaterimburgo informaram que um drone ucraniano caiu em um prédio residencial, causando ferimentos leves.

Fragmentos de drones danificados também cruzaram a fronteira: na Romênia, membro da Otan que faz fronteira com a Ucrânia, fragmentos de drones danificaram um poste de eletricidade e um anexo residencial, embora sem vítimas. Zelenskiy, reconhecendo a necessidade de fortalecer suas defesas, visitou o Azerbaijão no sábado para assinar acordos de cooperação nas áreas de defesa e energia. A Ucrânia busca compartilhar sua experiência acumulada em combate a grandes ataques aéreos, particularmente seus métodos de baixo custo para abater centenas de drones. O presidente ucraniano se reuniu com o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e com uma equipe militar ucraniana que estava compartilhando expertise em proteção do espaço aéreo. Essa diplomacia de segurança reflete uma estratégia mais ampla: desde que os EUA e Israel atacaram o Irã no início do ano, desencadeando tensões no Oriente Médio, Kiev tem buscado construir cooperação em segurança com nações da região preocupadas com bombardeios iranianos de drones e mísseis.

A Rússia está prolongando deliberadamente o terror contra o nosso povo, continuando a atacar infraestruturas críticas e edifícios residenciais
— Primeira-ministra Yulia Svyrydenko
Cada ataque como este deve lembrar aos nossos parceiros que a situação exige uma ação imediata e firme, bem como um rápido reforço das nossas defesas aéreas
— Presidente Volodymyr Zelenskiy
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Inventor

Por que a Rússia continua lançando ataques em tão grande escala se a Ucrânia consegue abater a maioria dos drones?

Model

Porque nem todos são abatidos. Naquela noite, mais de 80 armas conseguiram passar. Além disso, o objetivo não é apenas destruir alvos — é desgastar a defesa aérea ucraniana, forçá-la a gastar munição cara, e manter a população em estado de terror constante.

Inventor

E por que atacar um prédio residencial duas vezes no mesmo dia?

Model

A primeira vez pode ter sido imprecisão ou um alvo secundário. Mas a segunda vez, enquanto os resgatistas trabalhavam? Isso sugere intencionalidade. Maximiza o número de vítimas e amplifica o medo.

Inventor

Zelenskiy está visitando o Azerbaijão para pedir ajuda militar?

Model

Não exatamente. Está compartilhando conhecimento. A Ucrânia aprendeu, nos últimos quatro anos, como derrotar ataques aéreos em massa com recursos limitados. Outras nações — especialmente aquelas ameaçadas pelo Irã — querem aprender isso.

Inventor

Então a guerra na Ucrânia está se tornando um laboratório para defesa aérea global?

Model

De certa forma, sim. A Ucrânia está provando que é possível resistir a bombardeios massivos sem superioridade aérea absoluta. Isso tem valor estratégico para qualquer país que enfrente ameaças semelhantes.

Inventor

E os moradores de Dnipro? Como vivem sob esse padrão de ataques?

Model

Com raiva, medo, e uma resiliência que é quase incompreensível para quem não está lá. Aliona Katrushova viu seu vizinho quase morrer no aniversário dele. Ela expressou sua raiva em forma de sarcasmo amargo — é uma forma de processar o inprocessável.

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