A Rússia prefere continuar matando a encerrar a guerra
Na manhã de uma quinta-feira de agosto, Kiev voltou a ser coberta de escombros — 598 drones e 31 mísseis transformaram prédios residenciais, uma creche e um shopping em ruínas, matando ao menos 22 pessoas. O ataque, classificado como o segundo maior desde o início da invasão em 2022, chegou exatamente quando diplomatas ocidentais e americanos pressionavam por negociações de paz, revelando uma contradição que define esta guerra: a Rússia afirma querer conversar enquanto continua bombardeando. Três anos e meio depois do início do conflito, a distância entre o discurso diplomático e a realidade das cidades destruídas nunca pareceu tão intransponível.
- Com 598 drones e 31 mísseis — incluindo foguetes supersônicos Kinzhal —, a Rússia lançou o segundo maior ataque aéreo contra Kiev desde o início da invasão, matando ao menos 22 civis.
- Um prédio residencial foi partido ao meio, uma creche e um shopping foram atingidos, e o escritório da missão da UE e do British Council sofreram danos graves — a destruição alcançou símbolos da presença ocidental na capital.
- Zelensky denunciou o ataque como um massacre deliberado e prova de que Moscou não tem interesse real em paz; assessores de Trump expressaram frustração, e líderes europeus convocaram embaixadores russos.
- O Kremlin insistiu que as forças armadas atacaram apenas alvos militares e que a Rússia segue aberta à diplomacia — enquanto anunciava que os bombardeios continuariam.
- As negociações de paz permanecem completamente bloqueadas, e a pressão americana por um acordo esbarra na realidade de que um dos lados segue destruindo cidades e matando civis.
Na manhã de quinta-feira, bombas russas transformaram partes centrais de Kiev em escombros. Vinte e duas pessoas morreram. O Exército ucraniano classificou o ataque como o segundo maior desde a invasão de fevereiro de 2022: 598 drones e 31 mísseis, incluindo dois foguetes supersônicos Kinzhal. Um prédio residencial de cinco andares foi partido ao meio. Uma creche foi atingida. Um shopping foi destruído. Nos bairros do leste da cidade, equipes de resgate retiravam corpos dos escombros enquanto sobreviventes descreviam o momento com a precisão do trauma — vidros voando, pessoas gritando.
O ataque chegou em plena tensão diplomática. Donald Trump vinha pressionando por negociações de paz, e seus assessores reagiram com frustração mal disfarçada. A porta-voz da Casa Branca disse que o presidente não estava feliz — mas tampouco surpreso. O enviado especial Keith Kellogg denunciou os ataques como cruéis e uma ameaça direta aos esforços de paz. Volodimir Zelensky foi mais direto: chamou o bombardeio de massacre horrível e deliberado de civis, e afirmou que a Rússia simplesmente não tem interesse em diplomacia — prefere continuar matando.
O ataque não poupou nem símbolos da presença ocidental: o prédio da missão da União Europeia foi atingido e o escritório do British Council gravemente danificado. A UE e o Reino Unido convocaram seus embaixadores em Moscou. Keir Starmer escreveu que Putin está matando crianças e sabotando as esperanças de paz. Macron condenou o terror russo. Merz disse que a Rússia mostrou sua verdadeira face.
Do lado russo, Dmitri Peskov afirmou que as forças armadas cumpriram sua missão atacando alvos militares — e que Moscou segue interessada em diplomacia. Os bombardeios, porém, continuarão. Três anos e meio depois do início da invasão, as negociações permanecem bloqueadas, e a distância entre o discurso de paz e a realidade das cidades destruídas nunca pareceu tão abissal.
Na manhã de quinta-feira, um bombardeio russo transformou partes centrais de Kiev em escombros. Vinte e duas pessoas morreram. O Exército ucraniano classificou o ataque como o segundo maior desde que a Rússia invadiu o país em fevereiro de 2022 — uma escala de destruição que não deixou dúvida sobre a intenção de causar dano máximo.
Os números revelam a magnitude da operação: 598 drones e 31 mísseis, incluindo dois foguetes supersônicos Kinzhal, foram lançados contra a capital. Um prédio residencial de cinco andares foi partido ao meio por uma bomba que abriu uma cratera no solo. Uma creche foi atingida. Um shopping foi atingido. As equipes de resgate retiravam corpos de um bairro no leste da cidade. Galina Shcherbak, que estava em um estacionamento próximo, descreveu o momento com a precisão do trauma: os vidros voavam, as pessoas gritavam quando as bombas explodiram.
O ataque chegou em um momento de tensão diplomática. Donald Trump vinha pressionando por negociações de paz, e seus assessores reagiram com frustração. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que o presidente não estava feliz com a notícia — mas também não estava surpreso. Keith Kellogg, enviado especial de Trump para a Ucrânia, foi mais direto, denunciando os ataques como cruéis e uma ameaça aos esforços de paz. Charles Kushner, embaixador americano em Paris, foi além, insistindo que Trump havia conseguido avanços onde os europeus não conseguiram nada.
Volodimir Zelensky viu no bombardeio uma resposta clara. Chamou o ataque de massacre horrível e deliberado de civis. A Rússia, disse ele, não tem interesse em diplomacia — prefere continuar matando. Pediu novas sanções e responsabilização por cada ataque, cada dia da guerra. Três anos e meio de invasão, dezenas de oportunidades diplomáticas desperdiçadas, todos os prazos violados.
O Kremlin respondeu com a mesma contradição que marca toda a guerra. Dmitri Peskov, porta-voz da Presidência russa, afirmou que as Forças Armadas estavam cumprindo sua missão, atacando alvos militares e paramilitares. Ao mesmo tempo, insistiu que a Rússia segue interessada em diplomacia. Os bombardeios, porém, prosseguirão.
O ataque não foi apenas contra edifícios residenciais. O prédio da missão da União Europeia em Kiev foi atingido. O escritório do British Council foi gravemente danificado. A UE e o Reino Unido convocaram seus embaixadores em Moscou. António Costa, presidente do Conselho Europeu, declarou que o bloco não se deixará intimidar. Keir Starmer, primeiro-ministro britânico, escreveu que Putin está matando crianças e civis e sabotando as esperanças de paz — este banho de sangue deve terminar. Emmanuel Macron condenou o terror e a barbárie russos. Friedrich Merz, chanceler alemão, disse que a Rússia mostrou sua verdadeira face.
Mas as condenações não param os mísseis. As negociações permanecem bloqueadas. E a pressão americana por paz esbarra na realidade de que um dos lados continua bombardeando cidades inteiras, matando civis, destruindo creches, e afirmando ao mesmo tempo que quer conversar.
Citações Notáveis
A Rússia não tem nenhum interesse na diplomacia. Prefere continuar matando a encerrar a guerra— Volodimir Zelensky, presidente ucraniano
Putin está matando crianças e civis, e sabotando as esperanças de paz. Este banho de sangue deve terminar— Keir Starmer, primeiro-ministro britânico
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que esse ataque em particular importa agora? Há bombardeios russos desde 2022.
Porque chegou no meio de um esforço diplomático americano real. Trump estava pressionando por negociações. Este ataque é uma resposta — ou uma rejeição — a isso.
A Rússia diz que atacou alvos militares. É possível que seja verdade?
Possível, sim. Mas uma creche, um shopping, prédios residenciais de cinco andares? Mesmo que houvesse um alvo militar na área, a escala de destruição civil sugere que matar civis não era um efeito colateral — era o ponto.
Trump não parecia muito chocado, segundo a Casa Branca.
Não estava surpreso, é o que disseram. Há uma diferença entre não estar surpreso e estar satisfeito. Seus enviados foram mais críticos que ele próprio.
E Zelensky? Ele ainda acredita que a paz é possível?
Não parece. Ele vê isso como prova de que a Rússia não quer negociar. Que prefere continuar matando. É difícil argumentar contra isso quando 22 pessoas morreram ontem.
Os europeus estão fazendo algo além de condenar?
Convocaram embaixadores. Mas condenações e convocações de embaixadores não detêm drones. A questão real é se isso muda a posição de Trump sobre o que uma paz aceitável parece.
E o que vem agora?
Mais bombardeios, provavelmente. As negociações continuam bloqueadas. E a pressão americana por paz esbarra em uma realidade simples: um lado quer conversar, o outro quer vencer.