Prefere continuar a matar a encerrar a guerra
Ataque com 598 drones e 31 mísseis destruiu prédios residenciais, creche e shopping; cerca de 50 feridos e infraestrutura da UE danificada. Zelensky acusa Rússia de desinteresse em diplomacia; Kremlin insiste que bombardeios são necessários e mantém interesse em negociações.
- Ataque com 598 drones e 31 mísseis, incluindo dois foguetes Kinzhal supersônicos
- Pelo menos 21 mortos, entre eles quatro crianças; cerca de 50 feridos
- Prédios residenciais destruídos, creche e shopping atingidos; missão da UE e British Council danificados
- Segundo maior ataque aéreo desde fevereiro de 2022; negociações de paz bloqueadas há três anos e meio
Rússia realiza um dos maiores ataques aéreos contra Kiev, matando 21 pessoas incluindo quatro menores, prejudicando esforços de paz liderados pelos EUA e gerando condenações internacionais.
Kiev acordou para mais destruição na quinta-feira. Um ataque aéreo russo matou pelo menos 21 pessoas — entre elas quatro crianças — em um dos bombardeios mais intensos contra a capital ucraniana desde que a invasão começou em fevereiro de 2022. A Rússia lançou 598 drones e 31 mísseis, incluindo dois foguetes supersônicos Kinzhal, transformando ruas inteiras em escombros e deixando cerca de 50 feridos.
O ataque atingiu o coração da cidade. Uma bomba abriu uma cratera em um prédio residencial de cinco andares, partindo-o ao meio. Uma creche foi atingida. Um shopping foi atingido. Os vidros explodiram nas ruas. Galina Shcherbak, que estava em um estacionamento próximo, descreveu o momento: os vidros voavam, as pessoas gritavam quando as bombas explodiram. Equipes de resgate removeram corpos de um edifício residencial completamente destruído no leste de Kiev. A missão da União Europeia sofreu danos graves. O escritório do British Council foi severamente danificado.
O timing do ataque carrega peso político. Donald Trump tem pressionado por negociações de paz, mas a Rússia continuou bombardeando apesar dessa pressão. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump "não estava feliz" com a notícia, mas "tampouco estava surpreso". O enviado especial para a Ucrânia, Keith Kellogg, foi mais direto, denunciando os "ataques cruéis que ameaçam a paz buscada pelo presidente americano".
Volodymyr Zelensky respondeu com raiva contida. Chamou o ataque de um "massacre horrível e deliberado de civis" e acusou a Rússia de não ter interesse real em diplomacia. "Prefere continuar a matar a encerrar a guerra", disse. Zelensky pediu que a Rússia fosse responsabilizada por cada ataque, por cada dia da guerra. O Kremlin, por sua vez, insistiu que os bombardeios visavam alvos militares e que a Rússia permanecia interessada em negociações — uma posição que soa cada vez mais vazia diante das evidências no terreno.
A condenação internacional foi rápida e ampla. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, escreveu que "Putin está matando crianças e civis, e sabotando as esperanças de paz". Emmanuel Macron condenou o "terror e a barbárie" russos. Friedrich Merz, chefe do governo alemão, afirmou que "a Rússia mostrou a sua verdadeira face". António Guterres, secretário-geral da ONU, declarou que os ataques contra civis violam o direito humanitário internacional e devem cessar imediatamente. Tanto a UE quanto o Reino Unido convocaram seus embaixadores na Rússia.
Mas as condenações não param os foguetes. Três anos e meio após a invasão, as negociações de paz permanecem bloqueadas. O ataque de quinta-feira é o segundo maior desde fevereiro de 2022, um lembrete brutal de que, enquanto diplomatas falam, as cidades continuam queimando e os civis continuam morrendo.
Citações Notáveis
A Rússia não tem nenhum interesse na diplomacia. Prefere continuar a matar a encerrar a guerra.— Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia
Putin está matando crianças e civis, e sabotando as esperanças de paz. Este banho de sangue deve terminar.— Keir Starmer, primeiro-ministro britânico
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que este ataque em particular é considerado uma ameaça aos esforços de paz de Trump?
Porque Trump está tentando negociar um fim para a guerra, e a Rússia respondeu com um dos maiores bombardeios da capital ucraniana. É uma mensagem clara: enquanto os americanos falam de diplomacia, Moscou continua matando.
Zelensky e o Kremlin estão dizendo coisas completamente opostas sobre o que querem. Como isso se resolve?
Não resolve, pelo menos não agora. Zelensky diz que a Rússia não quer paz. O Kremlin diz que quer paz mas precisa continuar bombardeando. Essas posições são incompatíveis. Um lado está matando, o outro está pedindo para parar.
A destruição de edifícios da UE e do Reino Unido — isso muda algo diplomaticamente?
Muda o tom. Quando você danifica a missão da União Europeia, você não está apenas atacando a Ucrânia, está atacando a Europa. Isso torna mais difícil para qualquer país europeu fingir neutralidade ou paciência.
Zelensky pediu "novas avaliações". O que ele quer dizer com isso?
Ele quer que o mundo veja que a Rússia não está negociando de boa fé. Cada ataque é evidência. Ele está construindo um caso de que confiar em promessas russas é inútil.
Se Trump não estava surpreso, o que isso diz sobre suas expectativas?
Que ele já sabia que a Rússia continuaria atacando. Que suas esperanças de paz rápida talvez fossem irrealistas desde o início. A surpresa teria sido se a Rússia tivesse parado.