Dezenas aguardavam o fim do ataque, buscando respostas no celular
No coração da madrugada ucraniana, centenas de drones e mísseis russos voltaram a cair sobre Kiev e outras cidades, ceifando ao menos onze vidas e empurrando dezenas de pessoas para porões e abrigos. É o retrato de uma guerra que se recusa a ceder: enquanto diplomatas buscam saídas e líderes viajam em busca de aliados, o solo continua tremendo. Zelensky parte para Londres carregando não apenas uma agenda política, mas o peso de cada nome que ainda não foi contado entre os escombros.
- Na madrugada de segunda-feira, 352 drones e 16 mísseis russos transformaram o céu de Kiev em uma cena de guerra aberta, matando ao menos 11 pessoas em áreas residenciais, hospitais e equipamentos civis.
- Um prédio de vários andares no distrito de Shevchenko foi destruído — seis mortos confirmados pelo prefeito Klitschko, com operações de resgate ainda em curso enquanto moradores emergiam dos escombros.
- Moscou insiste que atingiu apenas alvos militares com precisão; Kiev responde com seus próprios drones em território russo, incendiando uma empresa industrial na região de Rostov.
- As negociações de cessar-fogo permanecem completamente paralisadas, enquanto a Rússia ocupa quase 20% do território ucraniano e reivindica a anexação de cinco regiões.
- Zelensky desembarca no Reino Unido para reuniões com Keir Starmer e o Parlamento britânico, buscando novas medidas de pressão sobre Moscou e reforço à defesa ucraniana.
Na madrugada de segunda-feira, dezenas de pessoas se aglomeravam em porões de Kiev enquanto explosões sacudiam a capital. A Rússia havia lançado 352 drones — incluindo 159 Shaheds de fabricação iraniana — e 16 mísseis, entre eles projéteis balísticos norte-coreanos. Ao menos onze pessoas morreram: nove em Kiev, duas em Chernihiv. Mais de dez ficaram feridas em Bela Tserkva, ao sul da capital.
O ministério do Interior ucraniano documentou ataques a áreas residenciais, hospitais e equipamentos esportivos. No distrito de Shevchenko, um prédio de vários andares foi destruído. O prefeito Vitali Klitschko confirmou seis mortos no local e anunciou que as operações de resgate continuavam. Moscou, por sua vez, afirmou ter atingido apenas alvos militares com precisão — empresas do complexo industrial, infraestrutura de aeródromos, armas navais.
A Ucrânia não ficou passiva. Drones ucranianos provocaram um incêndio em uma empresa industrial na região de Rostov, no sul da Rússia. O comandante-chefe do Exército ucraniano havia anunciado dias antes que intensificaria os contra-ataques a alvos militares russos.
Naquela mesma manhã, Zelensky desembarcava no Reino Unido. Reuniões com o primeiro-ministro Keir Starmer e membros do Parlamento estavam agendadas. A mensagem do presidente ucraniano era direta: negociar como fortalecer a defesa do país e como fazer a Rússia recuar. O pano de fundo era sombrio — forças russas ocupam quase 20% do território ucraniano, as negociações de cessar-fogo estão paralisadas e os ataques noturnos às cidades ucranianas não cessam. Cada viagem diplomática acontece enquanto, em casa, as sirenes continuam soando.
No porão de um prédio residencial no centro de Kiev, dezenas de pessoas se aglomeravam na segunda-feira enquanto explosões sacudiam a capital ucraniana. Muitos deles rolavam os dedos pela tela do celular, buscando notícias, confirmações, qualquer informação que explicasse o que estava acontecendo acima de suas cabeças. Era madrugada quando os ataques começaram — uma nova onda de bombardeios russos que deixaria pelo menos onze mortos espalhados pela cidade e arredores.
A Rússia havia lançado 352 drones contra a Ucrânia naquela noite, entre eles 159 dos chamados Shaheds, fabricados no Irã. Somavam-se a isso 16 mísseis, alguns deles projéteis balísticos produzidos pela Coreia do Norte. O presidente Volodymyr Zelensky divulgou esses números nas redes sociais, traçando um retrato da intensidade da ofensiva. Em Kiev, nove pessoas morreram. No norte, em Chernihiv, duas outras perderam a vida. Mais de dez ficaram feridas em Bela Tserkva, uma aglomeração ao sul da capital.
O ministério do Interior ucraniano documentou o padrão dos ataques: áreas residenciais, hospitais, equipamentos esportivos — infraestrutura civil, sem distinção. No distrito de Shevchenko, a oeste de Kiev, um prédio residencial de vários andares foi destruído. O prefeito Vitali Klitschko confirmou seis mortos naquele edifício e anunciou que as operações de resgate continuavam em andamento. As cenas se repetiam pela cidade: escombros, sirenes, pessoas emergindo dos abrigos para contar os danos.
Moscou, por sua vez, apresentou uma narrativa diferente. O Ministério da Defesa russo afirmou ter atingido alvos militares — empresas do complexo militar-industrial ucraniano, infraestrutura de aeródromos, armas navais. Segundo o comunicado oficial, todos os alvos designados foram atingidos com precisão. Mas enquanto isso, a Ucrânia respondia com seus próprios ataques. Na região de Rostov, no sul da Rússia, drones ucranianos provocaram um incêndio em uma empresa industrial no distrito de Kamensky. O comandante-chefe do Exército ucraniano havia declarado dias antes que intensificaria os ataques contra alvos militares russos.
Naquela mesma manhã, Zelensky desembarcava no Reino Unido. Reuniões estavam agendadas com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e com membros do Parlamento. O presidente ucraniano tinha uma agenda clara: discutir defesa, negociar novas medidas para aumentar a pressão sobre Moscou, buscar formas de pôr fim aos ataques. Em sua mensagem na rede X, ele foi direto: hoje negociaria precisamente essa questão com seus parceiros — como fortalecer a defesa ucraniana e como fazer a Rússia recuar.
O contexto era de um conflito que se estendia sem perspectiva de resolução. As forças russas ocupavam quase 20% do território ucraniano. Moscou reivindicava a anexação de quatro regiões inteiras, além da Crimeia, conquistada em 2014. As negociações para um cessar-fogo permaneciam paralisadas. As cidades ucranianas continuavam sendo alvo de ataques todas as noites. E a Ucrânia, por sua vez, havia começado a expandir sua própria campanha de contra-ataques, buscando alvos militares russos e, naquele fim de semana, manifestando apoio aos bombardeios americanos e israelenses contra instalações nucleares iranianas — um país que Kiev considerava cúmplice da invasão russa, fornecendo drones e assistência militar a Moscou.
O padrão era claro: enquanto Zelensky buscava apoio diplomático e militar no Ocidente, a guerra no terreno se intensificava. Cada noite trazia novos ataques, novos mortos, novos deslocados para os abrigos. E cada dia trazia novas negociações, novas promessas de pressão, novas tentativas de encontrar uma saída para um conflito que parecia estar apenas começando sua próxima fase.
Citas Notables
Foram 352 drones, incluindo 159 Shaheds e 16 mísseis, incluindo projéteis balísticos produzidos pela Coreia do Norte— Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano
Hoje, durante minha visita ao Reino Unido, discutirei precisamente essa questão com nossos parceiros, a da nossa defesa— Volodymyr Zelensky
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Zelensky viajou para o Reino Unido justamente neste momento, quando os ataques estão se intensificando?
Porque a guerra não é apenas no terreno. Ele precisa de armas, de defesa aérea, de apoio diplomático. Enquanto as cidades queimam, ele está negociando como manter a Ucrânia de pé.
A Rússia diz que atacou alvos militares. A Ucrânia diz que foram áreas residenciais. Quem está certo?
Provavelmente os dois. Moscou pode ter visado instalações militares, mas em uma cidade, as consequências civis são inevitáveis. Hospitais, prédios residenciais — eles estão lá. E estão sendo atingidos.
Por que a Coreia do Norte está enviando mísseis para a Rússia?
Porque Moscou precisa de munição e Pyongyang precisa de dinheiro e aliados. É uma parceria de conveniência em um mundo onde as sanções ocidentais isolam ambos os países.
As negociações de cessar-fogo estão paralisadas. Isso significa que isso vai continuar indefinidamente?
Por enquanto, sim. Enquanto a Rússia ocupar 20% do território e reivindicar mais, e enquanto a Ucrânia se recusar a ceder, não há base para acordo. A guerra continua.
E o Irã nisto tudo? Por que a Ucrânia está apoiando ataques contra o Irã?
Porque a Ucrânia vê o Irã como um fornecedor de armas para a Rússia. Se conseguir enfraquecer o Irã, enfraquece também Moscou. É uma guerra que se expande para além das fronteiras ucranianas.