Nenhum lugar está seguro, nem mesmo a Zona Verde
Na terceira semana de um conflito que começou em 28 de fevereiro, a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã atravessa uma fronteira simbólica: a embaixada americana em Bagdá foi atacada por drones enquanto a ilha de Khark, coração das exportações de petróleo iraniano, era bombardeada. Cerca de 2 mil mortos depois, o que começou como uma ofensiva bilateral já reconfigurou alianças, arrastou o Iraque para o centro do fogo e ameaça as rotas de energia que sustentam a economia global. A humanidade observa, mais uma vez, como a lógica da escalada consome tudo ao redor antes de encontrar seu limite.
- A embaixada americana em Bagdá foi varrida por drones na madrugada de sábado, com fumaça negra sobre a Zona Verde — era o segundo ataque contra a missão diplomática desde o início da guerra.
- Poucas horas antes, forças americanas bombardearam Khark, a ilha responsável por 90% das exportações de petróleo iraniano, enquanto Israel intensificava ataques aéreos contra Teerã.
- O Iraque, que não queria estar nesta guerra, foi arrastado pelo fogo cruzado: milícias pró-Irã atacam tropas americanas, e bombardeios de resposta mataram ao menos três pessoas em Bagdá, incluindo um líder das Brigadas do Hezbollah.
- Seis militares americanos morreram na queda de um avião de reabastecimento no Iraque; o total de mortos desde 28 de fevereiro chega a aproximadamente 2 mil, sem qualquer perspectiva de cessar-fogo.
- Washington flexibilizou sanções contra a Rússia para estabilizar o mercado de petróleo, irritando Zelensky e revelando como um conflito regional pode redesenhar alianças globais em tempo real.
- Analistas alertam: se o Estreito de Ormuz — por onde passa um quinto do petróleo mundial — for atingido, a escalada pode sair do controle de qualquer ator envolvido.
A embaixada americana em Bagdá amanheceu sob ataque na manhã de sábado. Drones cruzaram a Zona Verde na madrugada, deixando fumaça negra sobre o complexo diplomático. Fontes de segurança confirmaram o uso de drones; outras autoridades mencionaram também foguetes. Era o segundo ataque contra a missão americana no Iraque desde o início do conflito.
O ataque não veio sozinho. Horas antes, Donald Trump anunciara que forças americanas haviam bombardeado a ilha de Khark, no Golfo Pérsico — infraestrutura responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, chamou a operação de um golpe decisivo e declarou que o conflito havia entrado em sua fase final, enquanto a Força Aérea israelense conduzia nova rodada de ataques contra Teerã. As autoridades iranianas negaram danos relevantes.
O Iraque foi arrastado para dentro da guerra sem tê-la escolhido. Milícias locais alinhadas a Teerã passaram a atacar tropas americanas e instalações petrolíferas com drones, tornando o país um novo teatro de operações. Em resposta, bombardeios em Bagdá contra grupos pró-Irã mataram ao menos três pessoas, entre elas uma figura ligada às Brigadas do Hezbollah.
O conflito completa três semanas desde que Israel e os Estados Unidos iniciaram a ofensiva em 28 de fevereiro. O saldo acumulado chega a cerca de 2 mil mortos. Seis militares americanos morreram na queda de um avião de reabastecimento no Iraque. Uma explosão em Teerã matou ao menos uma mulher. Não há previsão de cessar-fogo.
Para além do campo de batalha, Washington flexibilizou sanções contra a Rússia para facilitar o escoamento de petróleo num mercado pressionado pela instabilidade no Golfo — decisão que irritou Zelensky e expôs como um conflito regional pode reconfigurar relações globais em tempo real. Analistas alertam que, se o Estreito de Ormuz for atingido, por onde passa um quinto do petróleo mundial, a escalada pode escapar ao controle de qualquer um dos atores envolvidos.
A embaixada americana em Bagdá acordou sob fogo no sábado de manhã. Drones varreram o complexo diplomático na madrugada, deixando fumaça preta pendurada sobre a Zona Verde, aquela área blindada da capital iraquiana onde se concentram as missões estrangeiras e os edifícios do governo. Testemunhas viram o ataque acontecer. Fontes de segurança confirmaram à AFP que foram drones, embora outras autoridades mencionassem também foguetes — um projétil caiu perto da pista de pouso. Era o segundo ataque contra a missão americana no Iraque desde que a guerra começou.
O timing não era coincidência. Poucas horas antes, Donald Trump havia anunciado que forças americanas bombardearam Khark, uma ilha no Golfo Pérsico que concentra cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano. É uma das infraestruturas energéticas mais críticas da região, e agora estava sob ataque. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, chamou a operação de um golpe decisivo. "Entramos na fase decisiva do conflito", disse ele em pronunciamento televisionado, enquanto a Força Aérea israelense conduzia uma nova onda de bombardeios contra Teerã e outras regiões do país. As autoridades iranianas negaram danos relevantes, mas ninguém acreditava que tudo estava bem.
O Iraque não queria estar nesta guerra. Mas milícias locais alinhadas a Teerã começaram a reivindicar ataques frequentes com drones contra tropas americanas e instalações petrolíferas, e o país foi arrastado para dentro do conflito. Em resposta, posições dessas facções viraram alvo de operações atribuídas aos Estados Unidos ou a Israel. No sábado, bombardeios em Bagdá contra grupos armados pró-Irã mataram pelo menos três pessoas, entre elas uma figura importante ligada às Brigadas do Hezbollah, organização que Washington classifica como terrorista.
Três semanas. O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Israel e os Estados Unidos iniciaram uma ofensiva militar contra o Irã. Desde então, cerca de 2 mil pessoas morreram. Não há previsão de cessar-fogo. Além do Irã e do Iraque, a guerra já impacta a Síria e áreas do Golfo Pérsico, onde milícias pró-Teerã atacam bases militares americanas. No sábado, os Estados Unidos confirmaram a morte de seis militares que estavam a bordo de um avião de reabastecimento aéreo que caiu no Iraque durante operações relacionadas ao conflito. As causas ainda estão sendo investigadas. Uma explosão em Teerã matou pelo menos uma mulher. O custo humano cresce todos os dias.
Washington também flexibilizou sanções contra a Rússia para facilitar o escoamento de petróleo no mercado internacional, pressionado pela instabilidade no Golfo. A decisão irritou Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, que viu nela um fortalecimento econômico de Moscou em meio à guerra que o seu país enfrenta. É o tipo de decisão que mostra como um conflito regional pode reconfigurar alianças globais.
Os analistas ouvidos pela AFP veem o risco de expansão. Se novos países forem arrastados para a disputa, ou se os ataques atingirem rotas vitais de energia — como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo — tudo pode piorar muito rapidamente. Por enquanto, a guerra segue em sua terceira semana, com ataques simultâneos em diferentes países do Oriente Médio. Ninguém sabe onde vai parar.
Citações Notáveis
Entramos na fase decisiva do conflito, entre as tentativas do regime iraniano de sobreviver enquanto impõe sofrimento crescente ao próprio povo— Israel Katz, ministro da Defesa de Israel
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que o ataque à embaixada em Bagdá importa tanto? Parece um alvo simbólico.
É mais do que simbólico. A embaixada é o ponto de presença americana mais visível no Iraque. Atacá-la é uma mensagem — diz que nenhum lugar está seguro, nem mesmo a Zona Verde, a área mais protegida do país.
E o Iraque? O país escolheu estar nessa guerra?
Não. Milícias locais alinhadas ao Irã começaram a atacar, e os americanos responderam. O Iraque virou campo de batalha entre potências que não são iraquianas.
Khark parece ser o verdadeiro alvo estratégico.
Exatamente. Noventa por cento do petróleo iraniano passa por lá. Bombardear Khark não é apenas um ataque militar — é apertar a garganta da economia iraniana.
Mas as autoridades iranianas dizem que não houve danos relevantes.
Dizem isso porque admitir o contrário seria admitir vulnerabilidade. Mas o mundo inteiro sabe que a infraestrutura foi atingida. É uma questão de narrativa agora.
E o Estreito de Ormuz? Os analistas mencionam isso como um ponto de ruptura.
Se a guerra chegar lá, um quinto do petróleo mundial fica em risco. Seria uma crise global instantânea. É por isso que Washington está flexibilizando sanções contra a Rússia — tentando manter o mercado de petróleo funcionando enquanto o Golfo queima.