Astrid Fontenelle pede desculpas por comentário sobre caso de injúria racial

Thelma Assis, médica e ex-participante do BBB, foi vítima de injúria racial por Rodrigo Branco em 2020, levando seis anos para obter condenação judicial.
Aprendi hoje o tamanho e a dimensão que é o pacto da branquitude
Astrid Fontenelle reconhece, após conversa com filho negro, como havia minimizado crime racial.

Quando uma figura pública comete um deslize ao suavizar um crime racial, o que está em jogo não é apenas uma palavra escolhida mal — é a diferença entre proteger agressores e reconhecer vítimas. Astrid Fontenelle, apresentadora de 65 anos, recuou publicamente após comentar a publicação de Rodrigo Branco, empresário condenado por injúria racial contra a médica Thelma Assis, usando o termo 'erro' onde a lei reconhece um crime. Foi seu filho Gabriel, homem negro, quem a fez compreender o peso dessa distinção — e a retratação que se seguiu ilumina o quanto o pacto da branquitude opera, muitas vezes, na escolha silenciosa das palavras.

  • Seis anos após as falas discriminatórias de Rodrigo Branco contra Thelma Assis, a condenação judicial finalmente chegou — mas o episódio voltou à superfície quando Astrid Fontenelle comentou a publicação do empresário, minimizando o crime com a palavra 'erro'.
  • O comentário gerou reação imediata nas redes sociais, expondo como figuras de visibilidade podem, mesmo sem intenção declarada, reproduzir padrões que protegem agressores e apagam vítimas.
  • A virada veio de dentro de casa: Gabriel Fontenelle, filho negro da apresentadora, confrontou a mãe sobre o peso da linguagem escolhida, levando-a a apagar o comentário e a reconhecer publicamente dois erros — o uso da palavra 'erro' e a tentativa de convocar o condenado para a luta antirracista.
  • Gabriel foi além da retratação da mãe e convocou outras celebridades que apoiaram Rodrigo Branco a reverem seus posicionamentos, afirmando que não há espaço para elogios à 'humildade' de quem comete — ou minimiza — crimes raciais.

Astrid Fontenelle tinha 65 anos e um comentário apagado quando decidiu se retratar publicamente nesta terça-feira. O estopim foi sua interação com uma publicação de Rodrigo Branco, empresário condenado por injúria racial contra Thelma Assis — a médica e ex-BBB conhecida como Thelminha — após falas discriminatórias proferidas em 2020. A condenação levou seis anos para chegar, e quando chegou, Branco publicou um pedido de desculpas e procurou Fontenelle. Ela respondeu ao post.

A apresentadora descreveu o episódio com certa distância a princípio: disse que o empresário a havia 'enchido o saco' e que ela não tinha nada a dizer. Mas o que ela escreveu no comentário carregava um problema sutil e grave — usou a palavra 'erro' para descrever a conduta de Branco, e chegou a convidá-lo para a 'luta antirracista'. Foi seu filho Gabriel, que é negro, quem a fez enxergar o que estava em jogo nessa escolha de linguagem.

Após a conversa com Gabriel, Fontenelle apagou o comentário e reconheceu publicamente dois equívocos: ter chamado um crime de 'erro' e ter tentado reabilitar simbolicamente o condenado antes de qualquer reparação real. 'Aprendi hoje um pouco melhor o tamanho e a dimensão que é o pacto da branquitude', declarou.

Gabriel foi além da retratação da mãe. Em texto próprio, apontou que não existe a palavra 'erro' quando se trata de crime, e que parabenizar alguém pela 'coragem de se posicionar com humildade' diante de um ato racista é, em si, uma forma de conivência. Ele pediu que outras celebridades que apoiaram Rodrigo Branco revissem seus posicionamentos — sinalizando que a responsabilidade não termina em uma única retratação, mas exige um exame coletivo sobre quem se protege quando se escolhe minimizar.

Astrid Fontenelle, aos 65 anos, recuou publicamente nesta terça-feira após um comentário que deixou rastros nas redes sociais. O episódio envolvia Rodrigo Branco, empresário condenado por injúria racial contra Thelma Assis, médica e ex-participante do BBB, conhecida como Thelminha. A condenação chegou seis anos depois das falas discriminatórias proferidas em 2020, durante uma transmissão ao vivo em que Branco afirmou que torcer pela médica era "racismo" e que o apoio a ela existia unicamente "porque ela é negra, coitada".

O que desencadeou a retratação foi um comentário que Fontenelle fez em uma publicação de Rodrigo Branco. Segundo a apresentadora, o empresário a procurou após publicar um pedido de desculpas, e ela acabou respondendo ao post. "A discussão do momento, que me envolve, é sobre um crime racial que, depois de seis anos, muito tempo, a Telminha ganhou. E aí, o racista em questão fez um post lá, me ligou, me encheu o saco. Falei que não tinha nada para falar", relatou.

Mas a conversa com seu filho Gabriel Fontenelle, que é negro, mudou sua perspectiva. Fontenelle apagou o comentário e reconheceu publicamente onde havia errado. "Errei no seguinte aspecto: eu falei: 'errou, mas cometeu um crime'. E isso precisa ser martelado. E eu o chamei para a luta antirracista. Errei de novo. Aprendi hoje um pouco melhor o tamanho e a dimensão que é o pacto da branquitude", declarou.

Gabriel também se posicionou sobre a retratação da mãe, ampliando a crítica para além daquele momento específico. Ele pediu que outras celebridades que apoiaram Rodrigo Branco revissem seus posicionamentos. "Não existe a palavra 'erro' quando se trata de crime; não existe 'parabéns pela coragem de se posicionar com humildade', já que não se dá parabéns por um tal erro, quiçá racista, quiçá covarde e fruto de uma arrogância", escreveu o filho.

O que emerge desse episódio é uma tensão fundamental: a diferença entre reconhecer um ato como equívoco e reconhecê-lo como crime. Fontenelle havia usado a palavra "erro" para descrever a conduta de Branco, uma escolha de linguagem que Gabriel apontou como problemática. Ao minimizar um crime racial com a palavra "erro", ela reproduzia um padrão que protege agressores e desconsidera vítimas. A apresentadora, ao refletir sobre o que seu filho disse, compreendeu que havia cometido um segundo erro ao tentar convocar o condenado para uma "luta antirracista" — como se houvesse espaço para reabilitação simbólica antes de qualquer reparação real.

O caso de Thelma Assis permanece como pano de fundo: seis anos esperando por uma condenação que reconhecesse o que havia acontecido. Seis anos em que a injúria racial não desapareceu, mas continuou circulando, sendo comentada, sendo minimizada. A retratação de Fontenelle, embora tardia, sinaliza uma abertura para que outras pessoas que ocupam espaços de visibilidade façam o mesmo exame de consciência.

Errei no seguinte aspecto: eu falei 'errou, mas cometeu um crime'. E isso precisa ser martelado.
— Astrid Fontenelle
Não existe a palavra 'erro' quando se trata de crime; não existe 'parabéns pela coragem de se posicionar com humildade'
— Gabriel Fontenelle
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Astrid demorou tanto para se retratar? O comentário foi tão grave assim?

Model

Não era necessariamente grave em tom, mas era grave em efeito. Ela usou a palavra "erro" para descrever um crime racial. Seu filho Gabriel a fez ver que essa linguagem protege o agressor e apaga a vítima.

Inventor

E o que mudou entre o comentário inicial e a retratação?

Model

Uma conversa com Gabriel. Ele é negro, e quando Astrid ouviu dele que não existe "erro" em crime racial, algo clicou. Ela apagou o comentário e começou a entender o que significa o "pacto da branquitude".

Inventor

Esse pacto — é sobre pessoas brancas protegendo umas às outras?

Model

Exatamente. Astrid havia comentado o post de Rodrigo Branco, o condenado. Ao usar "erro", ela estava, sem perceber, oferecendo uma saída fácil para ele. Gabriel mostrou que isso é um padrão.

Inventor

Thelma Assis esperou seis anos pela condenação. Como ela se sente com essa retratação agora?

Model

A fonte não diz. Mas o silêncio dela é significativo. A retratação de Astrid é importante, mas não apaga os seis anos que Thelma passou esperando que alguém reconhecesse o que havia sido feito com ela.

Inventor

Gabriel pediu que outras celebridades se posicionem. Isso vai acontecer?

Model

Não sabemos. Mas ele deixou claro: não há espaço para parabéns por reconhecer o óbvio. Outras pessoas que apoiaram Rodrigo Branco estão sendo observadas agora.

Contáctanos FAQ