Astrid Fontenelle pede desculpas por apoio a empresário condenado por racismo

Thelma Assis sofreu racismo público e precisou recorrer à Justiça para ser indenizada seis anos após comentário discriminatório.
Cometeu um crime e é isso que tem que ser martelado
Astrid Fontenelle reconhecendo que apoiar empresário condenado por racismo foi inadequado.

Astrid reconheceu erro ao apoiar empresário condenado por crime de racismo e apagou comentário após conversa com filho negro. Rodrigo Branco foi condenado a indenizar Thelma Assis em R$ 76 mil por chamá-la de 'negra coitada' em 2020, seis anos após o incidente.

  • Rodrigo Branco condenado a pagar R$ 76 mil a Thelma Assis por chamá-la de 'negra coitada' em 2020
  • Astrid Fontenelle apagou comentário de apoio após conversa com filho Gabriel, que é negro
  • Seis anos se passaram entre o comentário racista e a condenação judicial

A apresentadora Astrid Fontenelle pediu desculpas por comentário de apoio ao empresário Rodrigo Branco, condenado a pagar R$ 76 mil por fala racista contra a campeã do BBB20 Thelma Assis.

Astrid Fontenelle, aos 65 anos, pediu desculpas na terça-feira, 23 de junho, por um comentário que havia deixado em uma publicação do empresário Rodrigo Branco. Branco foi condenado pela Justiça a pagar R$ 76 mil de indenização à campeã do BBB20 Thelma Assis, quantia que inclui juros e correção monetária sobre a condenação original de R$ 40 mil. A razão: seis anos antes, em 2020, durante uma transmissão ao vivo, Branco havia se referido a Assis como "negra coitada", um comentário que a apresentadora agora reconhece ter apoiado de forma inadequada.

Quando Branco publicou um vídeo pedindo desculpas pelo ocorrido, descrevendo o incidente como "o maior erro da minha vida", Fontenelle deixou um comentário de apoio. Nele, mencionava seu filho Gabriel, que é negro, e falava sobre a responsabilidade de pessoas brancas na luta contra o racismo. O comentário dizia: "Não é fácil. Meu filho segue sendo um dos dois pretos que estudam na escola. Diariamente, vemos no noticiário casos e mais casos racistas. E somos nós, brancos e brancas, que temos que ir à luta por eles. Bem-vindo". Posteriormente, Fontenelle apagou essa mensagem.

Em seu pedido de desculpas, Fontenelle explicou o que a levou a mudar de posição. Conversou com Gabriel sobre o assunto, e essa conversa foi determinante. "Estou aqui para falar que errei e no seguinte aspecto. Ele fez o pronunciamento e eu falei: 'Errou'. Mas cometeu um crime e é isso que tem que ser martelado", disse. Ela reconheceu que chamar Branco para "a luta antirracista" foi um erro de sua parte, e que aprendeu melhor naquele dia "o tamanho e a dimensão que é o pacto da branquitude".

Gabriel, seu filho, foi além nas redes sociais. Ele explicou a conversa que teve com a mãe e criticou duramente o posicionamento tardio de celebridades em casos como esse. Argumentou que não existe a palavra "erro" quando se trata de crime, e que não se deve dar "parabéns pela coragem de se posicionar com humildade" em situações assim. Gabriel enfatizou que Branco só se posicionou quando sua reputação estava em risco, seis anos após os comentários racistas. Escreveu que o racismo invisibiliza o gênero e que quem comete racismo deve ser chamado de criminoso, não de alguém que cometeu um erro.

Fontenelle também revelou que Branco havia ligado para ela pedindo apoio. Em resposta, ela foi direto: "Eu falei para o cara: para de palhaçada, você cometeu um crime. Ponto final. Paga o que deve na Justiça e as outras coisas vão ser impostas pela vida, perda de trabalho, de amizade, enfim, muitas coisas a perder. Porque se tem gente que perde muito mais, é quem sofre racismo".

Branco não foi o único a apoiar publicamente o empresário. Xuxa Meneghel e Deborah Secco também deixaram comentários de apoio em sua publicação. O caso evidencia uma tensão recorrente nas redes sociais: a diferença entre reconhecer um pedido de desculpas e validar o comportamento de quem cometeu um crime. Para Gabriel, a questão é clara: seis anos se passaram antes de qualquer ação legal ou arrependimento público, e isso não deve ser tratado como um gesto de coragem, mas como uma consequência inevitável de ter sido processado.

Cometeu um crime e é isso que tem que ser martelado. Chamei ele para a luta antirracista. Errei de novo.
— Astrid Fontenelle
Não se dá parabéns por um tal erro, quiça racista, quiça covarde. Ele SÓ se posicionou quando apertou.
— Gabriel, filho de Astrid Fontenelle
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Astrid sentiu necessidade de pedir desculpas por um comentário que, à primeira vista, parecia apoiar alguém reconhecendo um erro?

Model

Porque apoiar alguém que cometeu um crime racial não é a mesma coisa que apoiar alguém que cometeu um erro. Ela estava tratando como reabilitação o que deveria ser tratado como consequência legal.

Inventor

E o papel do filho Gabriel nessa mudança de posição?

Model

Gabriel foi o espelho. Ele é negro, estuda numa escola onde é um dos dois alunos negros, e vive diariamente as consequências do racismo. Quando ele explicou para a mãe por que aquele comentário era problemático, não havia argumento que resistisse.

Inventor

Mas Astrid não estava tentando fazer o bem ao apoiar o arrependimento?

Model

Estava, mas sem perceber que estava validando a ideia de que um crime racial é um "erro" que pode ser perdoado com um vídeo. Seis anos se passaram. Thelma Assis esperou seis anos por uma indenização. Isso não é reabilitação, é apenas o que deveria ter acontecido desde o início.

Inventor

Por que outros famosos como Xuxa e Deborah Secco também apoiaram?

Model

Porque é fácil apoiar quem pede desculpas. É mais difícil reconhecer que apoiar alguém nessa situação significa, de certa forma, minimizar o que a vítima sofreu. Gabriel chamou isso de "pacto da branquitude" — a tendência de pessoas brancas se protegerem mutuamente.

Inventor

O que muda agora que Astrid apagou o comentário?

Model

Muda que ela reconheceu publicamente o erro. Mas Gabriel deixou claro que isso não merece aplausos. É apenas o mínimo que deveria ter acontecido. A questão real é se outras celebridades que apoiaram Branco farão o mesmo.

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