Acordo Irão-EUA será assinado sexta-feira com dez medidas sobre Ormuz, nuclear e sanções

Navios do mundo liguem os motores. Deixem o petróleo fluir.
Donald Trump celebrou a reabertura do Estreito de Ormuz, símbolo central do acordo entre EUA e Irão.

Depois de meses de tensão geopolítica mediados pelo Paquistão, os Estados Unidos e o Irão chegaram a um entendimento que será formalizado a 19 de junho — o dia seguinte ao 80.º aniversário de Donald Trump. O que se assina não é ainda um tratado definitivo, mas um memorando de entendimento que abre sessenta dias de negociações sobre os termos concretos de uma paz possível. Em jogo estão o fluxo do petróleo mundial, o futuro do programa nuclear iraniano e a estabilidade de uma região que há décadas vive à beira do abismo.

  • Horas antes do anúncio, Israel lançou uma ofensiva contra o Líbano, ameaçando fazer colapsar todo o esforço diplomático antes de ele chegar a público.
  • O Irão respondeu rapidamente através do seu Supremo Conselho de Segurança, confirmando o entendimento e sinalizando que a mesa de negociações prevalecia sobre o campo de batalha.
  • O Estreito de Ormuz — artéria vital do comércio global de petróleo — reabre à navegação comercial com a assinatura do memorando, enquanto os EUA iniciam o levantamento do bloqueio aos portos iranianos num prazo de 30 dias.
  • Washington aceita libertar 25 mil milhões de dólares em ativos iranianos bloqueados e suspender novas sanções, em troca do congelamento do enriquecimento de urânio por Teerão.
  • O memorando é um passo, não uma chegada: os próximos 60 dias de negociações determinarão se as intenções se tornam compromissos vinculativos e verificáveis.

Um acordo entre os Estados Unidos e o Irão será assinado a 19 de junho, encerrando meses de negociação tensa mediada pelo primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif. O que se assina é um memorando de entendimento — não o acordo final, mas o documento que abre caminho para 60 dias de negociações sobre os termos concretos. Donald Trump havia antecipado o anúncio ao longo do fim de semana, coincidindo com a celebração dos seus 80 anos.

O momento era frágil: horas antes, Israel lançara uma ofensiva contra o Líbano, ameaçando descarrilar o processo diplomático. O Supremo Conselho de Segurança do Irão respondeu rapidamente, confirmando o entendimento e deixando claro que ambas as partes permaneciam comprometidas com a negociação, apesar da escalada militar.

O acordo assenta em três pilares. No plano da navegação, o Irão reabre o Estreito de Ormuz à data da assinatura, enquanto os EUA levantam o bloqueio aos portos iranianos em 30 dias — Trump resumiu o momento com uma frase na rede Truth Social: "Navios do mundo liguem os motores. Deixem o petróleo fluir." No plano financeiro, Washington suspende novas sanções, compromete-se a levantar gradualmente as existentes e liberta 25 mil milhões de dólares em ativos iranianos bloqueados. No plano nuclear, Teerão compromete-se a não produzir armas nucleares e a congelar o enriquecimento de urânio, enquanto os EUA aceitam permitir a diluição dos stocks já existentes no quadro de um futuro acordo global.

Se os 60 dias de negociações produzirem compromissos verificáveis, as consequências ultrapassarão em muito Washington e Teerão: o preço do petróleo, a estabilidade do Médio Oriente e a arquitetura de segurança internacional poderão ser redesenhados de forma duradoura.

Um acordo entre os Estados Unidos e o Irão será assinado na próxima sexta-feira, 19 de junho, marcando o fim de uma negociação que se estendeu por meses de tensão geopolítica. O anúncio veio do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que funcionou como negociador principal, confirmando o que Donald Trump havia antecipado durante todo o fim de semana — uma prenda de aniversário para o Presidente americano, que celebrou os 80 anos este domingo. O que será assinado é um memorando de entendimento, um documento que abre caminho para 60 dias de negociações finais sobre os termos concretos do acordo.

O timing é delicado. Horas antes do anúncio, Israel havia lançado uma ofensiva contra o Líbano, um movimento que ameaçava descarrilar todo o esforço diplomático. Mas o Supremo Conselho de Segurança do Irão confirmou rapidamente um entendimento sobre as condições para pôr fim ao conflito e às operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano. A mensagem era clara: apesar da escalada, ambas as partes estavam comprometidas com a mesa de negociações.

O acordo repousa em três pilares principais. O primeiro diz respeito à navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais críticas do mundo. O Irão reabre o estreito à navegação comercial a partir da data de assinatura do memorando. Em paralelo, os Estados Unidos iniciam o levantamento do bloqueio aos portos iranianos, um processo que deverá estar completo em 30 dias. Trump celebrou a notícia na rede social Truth Social com uma frase direta: "Navios do mundo liguem os motores. Deixem o petróleo fluir."

O segundo pilar é financeiro e representa uma mudança radical nas sanções que têm asfixiado a economia iraniana há anos. Os Estados Unidos concordam em não impor novas sanções enquanto não for alcançado um acordo final. Depois disso, todas as sanções impostas pelo país e pelas Nações Unidas serão gradualmente levantadas segundo um calendário a negociar. Mais concretamente, os norte-americanos vão levantar as sanções ao petróleo iraniano durante um período específico, permitindo a Teerão obter receitas com a sua venda. E há um número que resume a dimensão do alívio: os Estados Unidos aceitam libertar 25 mil milhões de dólares em ativos iranianos que estavam bloqueados, através de transferências diretas de dinheiro, cooperação com outros estados da região e linhas de financiamento com crédito. Os EUA também vão preparar, em coordenação com aliados regionais, um plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irão, a ser negociado nos próximos 60 dias.

O terceiro pilar é nuclear, talvez o mais sensível. Teerão compromete-se a não produzir ou comprar armas nucleares. Ainda dependente de negociações futuras, o Irão aceitará manter o estado atual do seu programa nuclear, abstendo-se de realizar mais enriquecimento de urânio e de expandir as instalações nucleares. Os Estados Unidos, por sua vez, aceitam permitir ao Irão diluir os seus stocks de urânio altamente enriquecido no quadro de um futuro acordo global. O programa nuclear iraniano, as atividades de enriquecimento de urânio e um mecanismo de gestão dos stocks de urânio enriquecido serão todos negociados nos 60 dias que se seguem à assinatura do memorando.

O que se segue agora é um período crítico de negociações. O memorando de entendimento é um passo, mas não é o acordo final. Os próximos dois meses determinarão se as intenções declaradas podem ser traduzidas em compromissos vinculativos e verificáveis. A reabertura do Estreito de Ormuz, o descongelamento de ativos financeiros e o congelamento do programa nuclear iraniano têm implicações que se estendem muito além de Washington e Teerão — afetam o preço do petróleo global, a estabilidade regional do Médio Oriente e a arquitetura de segurança internacional. O acordo, se se concretizar, transformará a dinâmica geopolítica de uma região que tem vivido em conflito permanente.

Navios do mundo liguem os motores. Deixem o petróleo fluir.
— Donald Trump, na rede social Truth Social
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Porque é que o Irão aceitaria parar o enriquecimento de urânio? Que garantias tem de que os EUA não voltam atrás?

Model

O Irão está a negociar a partir de uma posição de fraqueza económica. As sanções destruíram a sua capacidade de exportar petróleo e aceder a ativos financeiros. Os 25 mil milhões de dólares desbloqueados e a reabertura do Estreito de Ormuz representam alívio imediato. Quanto às garantias, é por isso que há 60 dias de negociações — para construir mecanismos de verificação e calendários que tornem o acordo reversível para ambas as partes.

Inventor

E se Israel continuar a atacar o Líbano? O acordo não cai?

Model

É a questão que ninguém consegue responder com certeza. O facto de o Irão ter confirmado o entendimento horas depois do ataque israelita sugere que Teerão está disposto a separar as negociações com os EUA da escalada regional. Mas é frágil. Se a violência se intensificar significativamente, a pressão interna no Irão para abandonar as negociações pode tornar-se irresistível.

Inventor

Porque é que Trump anuncia isto no seu aniversário? Parece político.

Model

É político, claro. Mas também é pragmático. Trump quer uma vitória diplomática antes das eleições. O Irão quer alívio económico antes que a situação interna se deteriore ainda mais. Às vezes os interesses políticos dos líderes alinham-se com os interesses dos países. Neste caso, parece estar a acontecer.

Inventor

O que pode correr mal nos próximos 60 dias?

Model

Tudo. A negociação dos detalhes — como exatamente se verifica o enriquecimento de urânio, qual é o calendário exato para levantar sanções, como se estruturam as transferências de dinheiro — pode revelar-se impossível. E há atores regionais que não estão à mesa: Israel, a Arábia Saudita, os Emirados. Se qualquer um deles decidir sabotar o processo, consegue.

Inventor

Se o acordo se concretizar, o que muda no mundo?

Model

O preço do petróleo cai significativamente porque o Irão volta a exportar. A região tem menos tensão, pelo menos temporariamente. E há um precedente: mostra que mesmo adversários de longa data conseguem negociar quando os incentivos estão alinhados. Mas também há risco: se falhar, a desconfiança aumenta e a próxima crise pode ser ainda mais violenta.

Quer a matéria completa? Leia o original em Observador ↗
Fale Conosco FAQ