O sofrimento de outras pessoas compensou para você da forma prometida?
Aos 250 dias da presidência de Donald Trump, a cantora Ariana Grande escolheu sua plataforma de mais de 373 milhões de seguidores para amplificar uma voz crítica: a do influenciador Matt Bernstein, que questiona se o sofrimento imposto a imigrantes, pessoas trans e à liberdade de expressão trouxe algum benefício concreto à vida cotidiana dos eleitores republicanos. O gesto não é isolado — é parte de um compromisso público e consistente de Grande com comunidades que ela considera vulneráveis diante das políticas conservadoras em curso. Nesse cruzamento entre cultura pop e disputa política, a pergunta que ecoa é antiga e universal: a quem, afinal, servem as escolhas do poder?
- Aos 250 dias de governo Trump, uma pergunta incômoda ganha escala global: a vida de quem votou nele realmente melhorou?
- Famílias imigrantes separadas, pessoas trans vivendo sob medo e a liberdade de expressão em erosão compõem o cenário que Bernstein — e agora Grande — colocam sob holofotes.
- Com 373 milhões de seguidores, Ariana Grande transforma um story efêmero em megafone político, levando a crítica a uma audiência que ultrapassa em centenas de vezes a do autor original.
- As perguntas do texto são deliberadamente prosaicas — compras mais baratas? planos de saúde acessíveis? férias possíveis? — e é exatamente essa concretude que torna a provocação difícil de ignorar.
- Grande reitera um padrão já estabelecido desde a posse de Trump: usar sua plataforma para amplificar vozes queer e trans em momentos de pressão política crescente.
No domingo, Ariana Grande repostou em seus stories uma mensagem do maquiador e influenciador Matt Bernstein, levando uma crítica direta ao governo Trump a uma audiência de mais de 373 milhões de pessoas — centenas de vezes maior do que a base original de Bernstein, com 1,9 milhão de seguidores.
O texto marca os 250 dias da presidência republicana elencando três consequências que atribui ao governo: a separação violenta de imigrantes de suas famílias, a responsabilização de pessoas trans por praticamente todos os males sociais e a erosão progressiva da liberdade de expressão. Sobre esse pano de fundo, Bernstein lança perguntas deliberadamente cotidianas — as compras ficaram mais baratas? Os planos de saúde melhoraram? É possível tirar férias? As pessoas estão mais felizes? — e encerra com uma provocação central: o sofrimento imposto a tantos compensou da forma prometida, ou os eleitores ainda aguardam?
Este não é o primeiro posicionamento público de Grande contra as políticas da administração Trump. Desde a posse, em janeiro, ela tem repostado declarações de organizações trans e textos de Bernstein respondendo a discursos presidenciais sobre identidade de gênero. A consistência desses gestos revela uma estratégia deliberada: usar o alcance de sua plataforma para manter em circulação vozes críticas e questionar a narrativa oficial sobre os resultados do governo. A escolha do formato story — efêmero, mas recorrente e pessoal — reforça essa intenção de presença contínua, não de declaração pontual.
No domingo, a cantora Ariana Grande repostou uma mensagem incisiva do maquiador e influenciador Matt Bernstein em suas redes sociais, amplificando uma crítica contundente ao governo de Donald Trump. Com mais de 373 milhões de seguidores no Instagram, Grande escolheu compartilhar o texto de Bernstein — que possui 1,9 milhão de seguidores — em seus stories, levando a mensagem a uma audiência exponencialmente maior.
O texto de Bernstein marca os 250 dias da presidência republicana com uma série de questões diretas aos eleitores que votaram em Trump. Ele enumera três consequências que atribui ao governo: imigrantes foram separados violentamente de suas famílias e comunidades foram destruídas; pessoas trans foram responsabilizadas por praticamente tudo e vivem sob medo; a liberdade de expressão está à beira do colapso. Diante desse cenário, Bernstein faz uma pergunta fundamental: a vida dos eleitores melhorou?
A provocação continua com questões práticas e cotidianas. Ele pergunta se as compras ficaram mais baratas, se os planos de saúde se tornaram mais acessíveis, se o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal melhorou, se as pessoas conseguem tirar férias, se estão mais felizes. O tom é de quem espera respostas concretas, não promessas. Bernstein encerra com uma frase que sintetiza a crítica: o sofrimento generalizado de outras pessoas compensou da forma como foi prometido, ou os eleitores ainda estão esperando?
Esta não é a primeira vez que Grande se posiciona publicamente contra Trump. Em janeiro, logo após a posse presidencial, ela repostou uma declaração da organização Advocates for Trans Equality descrevendo aquele dia como difícil para a comunidade trans, alertando para os ataques que viriam. Também compartilhou outro texto de Bernstein respondendo ao discurso presidencial sobre haver apenas dois gêneros nos Estados Unidos — uma resposta que usava a metáfora do sol para afirmar a existência irredutível de pessoas queer e trans, independentemente de ordens executivas.
A atriz, conhecida por sua defesa da comunidade LGBTQ+, tem mantido uma postura consistente de solidariedade com grupos que considera vulneráveis sob as políticas da administração republicana. Seu compartilhamento do texto de Bernstein representa uma continuação dessa linha de ação, usando sua plataforma para amplificar vozes críticas e questionar a narrativa oficial sobre os resultados do governo Trump. A escolha de repostar em stories — um formato mais efêmero mas também mais pessoal — sugere uma intenção de manter a mensagem em circulação contínua, alcançando seus seguidores de forma recorrente.
Citações Notáveis
Agora que imigrantes foram violentamente arrancados de suas famílias e comunidades foram destruídas, agora que pessoas trans foram culpadas por praticamente tudo e vivem com medo, agora que a liberdade de expressão está à beira do colapso — sua vida melhorou?— Matt Bernstein, repostado por Ariana Grande
O sofrimento generalizado de outras pessoas compensou para você da forma como ele prometeu que compensaria, ou você ainda está esperando?— Matt Bernstein, repostado por Ariana Grande
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que uma cantora com essa plataforma escolhe entrar nessa conversa política agora, especificamente aos 250 dias?
Porque 250 dias é tempo suficiente para ver se as promessas viraram realidade. Não é especulação — é prestação de contas.
Mas ela não está oferecendo dados econômicos, apenas fazendo perguntas.
Exatamente. As perguntas são o ponto. Ela está pedindo aos eleitores que olhem para suas próprias vidas e respondam honestamente, sem intermediários.
E por que repostar em vez de criar seu próprio conteúdo?
Porque o texto de Bernstein já diz o que precisa ser dito, com precisão. Repostar é uma forma de dizer: isso. Isso mesmo.
Há risco nessa postura? Ela está se alienando de eleitores de Trump.
Sim, há risco. Mas ela já escolheu seu lado — o das pessoas trans, dos imigrantes, de quem sofre. Não é uma posição neutra.
Como isso se conecta com suas ações anteriores?
Ela vem fazendo isso desde janeiro. Isso não é um impulso — é um padrão. É compromisso.