Apuração completa: Lula e Bolsonaro vão ao segundo turno em 30 de outubro

A disputa presidencial mais acirrada desde a redemocratização
Com margem de apenas 5,23 pontos percentuais, Lula e Bolsonaro avançam para um segundo turno que dividiria o país quase ao meio.

Após mais de 41 horas de apuração, o Brasil confirmou o que a noite de domingo já anunciava: Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro disputarão o destino do país em um segundo turno marcado para 30 de outubro. Com apenas 5,23 pontos percentuais separando os dois, a nação se vê diante do teste democrático mais apertado desde o fim da ditadura — uma fratura geográfica e política que o mapa eleitoral tornou visível para todos.

  • Filas que se estenderam pela noite de domingo em cidades como Duque de Caxias e Rio de Janeiro, somadas à substituição de uma urna em comunidade ribeirinha no Amazonas, atrasaram a apuração completa por mais de 41 horas.
  • Lula terminou com 48,43% dos votos válidos e Bolsonaro com 43,20% — margem estreita que transforma o segundo turno em uma disputa sem precedentes na história recente da democracia brasileira.
  • O país revelou suas fraturas: Lula dominou o Nordeste com força avassaladora, enquanto Bolsonaro consolidou o Centro-Oeste, o Sul e estados como Rondônia e o Distrito Federal.
  • Doze estados precisarão de segundo turno para governador, e o Senado renovou um terço de suas cadeiras, compondo um cenário político que vai muito além da disputa presidencial.
  • As quatro semanas que separam o Brasil do segundo turno prometem uma campanha intensa entre dois projetos de país que já dividem o eleitorado quase ao meio.

A apuração final da eleição presidencial de 2022 se encerrou na manhã de terça-feira, mais de 41 horas após o fechamento oficial das urnas. O atraso teve causas concretas: em várias cidades, filas formadas antes das 17h de domingo mantiveram eleitores votando até às 21h. O capítulo final da demora veio do interior do Amazonas — uma urna em comunidade ribeirinha de Coari precisou ser substituída por cédulas de papel, tornando o estado o último a concluir sua contagem.

Os números confirmaram o que 96,93% das urnas já indicavam desde domingo à noite. Lula conquistou 57.259.504 votos, equivalentes a 48,43% dos votos válidos. Bolsonaro recebeu 51.072.345 votos, ou 43,20%. A diferença de pouco mais de cinco pontos percentuais fez desta a disputa presidencial mais acirrada desde a redemocratização. Os dois seguem para o segundo turno em 30 de outubro.

O mapa eleitoral expôs divisões profundas. Lula venceu em 3.378 municípios, com domínio absoluto no Nordeste — todos os municípios do Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe foram seus. Bolsonaro triunfou em 2.192 cidades, com força no Centro-Oeste, no Sul e controle total de Rondônia e do Distrito Federal.

Além da presidência, 14 estados e o Distrito Federal elegeram governadores no primeiro turno, enquanto 12 estados aguardam o segundo. A Câmara elegeu seus 513 deputados e o Senado renovou 27 das 81 cadeiras. O que se aproxima é uma campanha de quatro semanas que promete dividir o país — e definir seus próximos quatro anos.

A contagem final dos votos da eleição presidencial de 2022 se encerrou na manhã de terça-feira, 4 de outubro, mais de 41 horas depois que as urnas deveriam ter fechado. Quando o relógio marcou 17h no domingo, a votação oficialmente terminaria. Mas em várias cidades — Duque de Caxias, Búzios, Belford Roxo e no Rio de Janeiro — as filas não pararam. Pessoas que chegaram no horário correto esperaram com os portões fechados até às 21h, ainda votando. O atraso final foi causado em grande parte por uma única urna no interior do Amazonas, numa comunidade ribeirinha em Coari, que precisou ser substituída por cédulas de papel. Amazonas foi o último estado a concluir sua apuração.

Quando os números finais saíram, Lula havia conquistado 57.259.504 votos, o equivalente a 48,43% dos votos válidos. Bolsonaro recebeu 51.072.345 votos, ou 43,20%. A diferença entre eles era de pouco mais de cinco pontos percentuais — a disputa presidencial mais acirrada desde que o Brasil retornou à democracia. Os dois avançariam para um segundo turno marcado para 30 de outubro.

O resultado já era conhecido desde domingo à noite, quando 96,93% das urnas tinham sido apuradas. Naquele momento, Lula tinha 47,85% dos votos válidos (54,8 milhões) e Bolsonaro 43,7% (50,1 milhões). Os números finais confirmaram a tendência, com Lula ampliando ligeiramente sua vantagem.

Geograficamente, a eleição revelou divisões profundas no país. Lula venceu em 3.378 cidades, com força esmagadora no Nordeste — conquistou todos os municípios do Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe. Bolsonaro venceu em 2.192 cidades, dominando o Centro-Oeste e o Sul, além de conquistar completamente Rondônia e o Distrito Federal. Entre os 50 deputados federais mais votados, 20 vieram de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, que concentrava 22,16% de todos os eleitores.

As outras eleições foram concluídas no mesmo dia. Para governador, 14 estados e o Distrito Federal já tinham seus vencedores, mas 12 estados precisariam de segundo turno. A Câmara dos Deputados elegeu seus 513 membros sem necessidade de segundo turno. Para o Senado, cada estado escolheu um nome para ocupar uma das 81 cadeiras — naquele ano, apenas um terço das vagas estava em disputa, 27 no total. As outras 54 seriam renovadas em 2026, quando cada eleitor votaria em dois nomes.

O que se aproximava era uma campanha de quatro semanas entre os dois candidatos mais votados, numa disputa que dividiria o país quase ao meio.

A disputa presidencial mais acirrada desde a redemocratização
— Análise dos resultados eleitorais
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
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Por que a apuração levou mais de 41 horas? Isso é normal?

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Não é normal. As filas se estenderam até a noite de domingo em várias cidades, e pessoas que chegaram no horário certo tiveram de esperar com os portões fechados. Mas o verdadeiro gargalo foi uma urna no Amazonas que precisou ser substituída por cédulas de papel — uma comunidade ribeirinha em Coari atrasou todo o país.

Inventor

Lula venceu em 3.378 cidades e Bolsonaro em 2.192. Como isso se traduz em votos?

Model

Lula ganhou em mais cidades, mas muitas delas são pequenas. Bolsonaro venceu em cidades menores também, mas sua força estava concentrada em regiões inteiras — o Centro-Oeste e o Sul. São Paulo, o maior colégio eleitoral, elegeu 20 dos 50 deputados mais votados do país.

Inventor

A margem de cinco pontos percentuais é apertada?

Model

Muito. É a disputa presidencial mais acirrada desde a redemocratização. Com 48,43% contra 43,20%, Lula tinha uma vantagem real, mas não era esmagadora. Quatro semanas até o segundo turno seria tempo para muita coisa mudar.

Inventor

O que mudou entre domingo à noite, quando 96,93% das urnas estavam apuradas, e terça de manhã?

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Muito pouco. Lula subiu de 47,85% para 48,43%, e Bolsonaro de 43,7% para 43,20%. Os últimos votos confirmaram o que já se sabia — a tendência não se inverteu.

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