Aprovação de Trump cai para 34% após guerra com Irã impactar popularidade

Apenas um em cada quatro americanos acredita que valeu a pena
A pesquisa Reuters/Ipsos mostra rejeição massiva ao conflito com o Irã entre a população americana.

Um presidente que chegou ao poder prometendo paz e prosperidade vê sua aprovação recuar ao patamar mais baixo do segundo mandato — 34% —, pressionado pelo peso de uma guerra contra o Irã que poucos americanos consideram ter valido a pena e por uma inflação que ainda corrói o cotidiano das famílias. O acordo preliminar assinado em junho não dissipou o ceticismo: a maioria dos cidadãos duvida que a paz seja duradoura, e o custo político da distância entre promessa e realidade começa a se transferir para os aliados republicanos que enfrentarão as urnas em novembro.

  • A aprovação de Trump despencou para 34%, o piso do segundo mandato, arrastada pela guerra contra o Irã e por combustíveis e alimentos ainda mais caros do que antes dos ataques de fevereiro.
  • Apenas um em cada quatro americanos acredita que o conflito valeu os custos — e metade afirma diretamente que não valeu, sem hesitação.
  • O acordo preliminar de 17 de junho trouxe alívio nos preços globais do petróleo, mas 63% dos americanos desconfiam que ele produza paz duradoura entre Washington e Teerã.
  • O custo de vida tornou-se o calcanhar de Aquiles da presidência: apenas 22% aprovam a gestão econômica de Trump, índice inferior ao de Joe Biden no fim de seu mandato.
  • Com as eleições legislativas de meio de mandato marcadas para 3 de novembro, republicanos no Congresso enfrentam o risco de pagar nas urnas pela impopularidade crescente do presidente.

A aprovação de Donald Trump retornou ao seu patamar mais baixo no segundo mandato — 34% —, segundo pesquisa Reuters/Ipsos encerrada na última segunda-feira. O desgaste tem duas origens principais: a guerra contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro com ataques coordenados dos EUA e Israel, e a persistência da inflação nos preços de combustíveis e alimentos. O conflito provocou a interrupção de cerca de um quinto do comércio global de petróleo e danificou instalações energéticas de aliados regionais americanos.

Um acordo preliminar foi assinado em 17 de junho entre Trump e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, prevendo a reabertura de rotas marítimas de petróleo e gás. Ainda assim, 63% dos americanos consideram improvável que o entendimento resulte em paz duradoura — ceticismo que alcança oito em cada dez democratas. Apenas 23% dos americanos, incluindo metade dos próprios republicanos, acreditam que os EUA saíram mais fortes do conflito.

O custo de vida permanece como a ferida mais exposta da presidência. Com apenas 22% de aprovação nessa área — abaixo do índice registrado por Biden ao fim do mandato —, Trump vê cobrada nas pesquisas a promessa que o elegeu em 2024: reduzir a inflação e manter o país fora de guerras estrangeiras custosas. A taxa de aprovação em imigração também atingiu a mínima do mandato, com 37%.

O cenário projeta sombras sobre os aliados republicanos no Congresso, que em 3 de novembro defenderão suas maiorias legislativas com um presidente enfraquecido. A distância entre o discurso de campanha e a realidade do governo começa a se converter em risco eleitoral concreto.

A aprovação do presidente Donald Trump despencou para 34%, retornando ao patamar mais baixo de seu segundo mandato. A queda é atribuída principalmente ao desgaste causado pela guerra contra o Irã e pela persistência da inflação nos preços de combustíveis e alimentos. Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada ao longo de cinco dias e encerrada na segunda-feira revelou que apenas um em cada quatro americanos acredita que o conflito valeu os custos envolvidos.

O conflito começou em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã. Teerã respondeu com ações que interromperam aproximadamente um quinto do comércio global de petróleo e danificaram instalações energéticas de aliados regionais americanos. Apesar de um acordo preliminar assinado em 17 de junho entre Trump e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian — que permitiria a reabertura de rotas marítimas de transporte de petróleo e gás — a maioria dos americanos permanece cética quanto aos resultados.

Apenas 23% dos americanos, incluindo apenas metade dos republicanos, acreditam que os EUA saíram em posição mais forte após a guerra. Cerca de 35% consideram que o país está em posição mais fraca. Quando questionados especificamente sobre o acordo, 63% dos americanos consideram improvável que resulte em paz duradoura entre os dois países. Entre os democratas, oito em cada dez expressam ceticismo semelhante. Apenas 18% da população — incluindo apenas 10% dos democratas e 34% dos republicanos — consideram provável uma paz duradoura.

O custo de vida permanece como ponto de vulnerabilidade crítico para Trump. Sua taxa de aprovação em relação ao custo de vida ficou em apenas 22%, próxima do menor nível de sua presidência e abaixo da registrada por seu antecessor, Joe Biden, ao final de seu mandato. Embora o acordo tenha provocado uma queda nos preços globais do petróleo, a maioria dos americanos continua pagando consideravelmente mais pela gasolina do que antes dos ataques de fevereiro.

Trump iniciou seu mandato com uma taxa de aprovação de 47%, mas a popularidade foi erodida tanto pela inflação elevada quanto pela controvérsia em torno de seus esforços agressivos para deportar pessoas em situação irregular. A pesquisa mais recente mostrou que apenas 37% dos americanos aprovam a forma como ele lida com imigração, o menor índice de seu mandato. Metade dos entrevistados afirmou que a guerra contra o Irã não valeu a pena, enquanto os demais disseram não ter certeza.

A queda em popularidade coloca em risco os aliados republicanos de Trump. Quando o Congresso for às urnas nas eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, os republicanos tentarão defender suas maiorias em um contexto de aprovação presidencial enfraquecida. Trump havia vencido a eleição de 2024 prometendo reduzir a inflação e manter os EUA fora de guerras estrangeiras caras — promessas que agora enfrentam escrutínio público crescente.

Metade dos americanos afirmou que o conflito não valeu a pena
— Pesquisa Reuters/Ipsos
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a guerra com o Irã impactou tanto a aprovação de Trump se ele conseguiu um acordo?

Model

Porque o acordo chegou tarde demais para mudar a percepção do custo. As pessoas já haviam visto os preços da gasolina dispararem, o comércio global ser interrompido, e a maioria não acredita que a trégua vai durar.

Inventor

Mas Trump se vende como negociador. Isso não deveria ajudá-lo?

Model

Deveria, mas a realidade econômica fala mais alto. Sua taxa de aprovação sobre custo de vida está em 22%. Nenhuma narrativa de negociação brilhante supera o preço na bomba.

Inventor

Os republicanos estão preocupados com as eleições de novembro?

Model

Muito. Quando você tem um presidente com 34% de aprovação, é difícil defender sua maioria no Congresso. Especialmente quando metade dos americanos acha que a guerra não valeu a pena.

Inventor

E quanto aos democratas? Eles estão aproveitando isso?

Model

Estão em posição forte. Oito em cada dez democratas duvidam que o acordo traga paz duradoura. É uma crítica que funciona tanto à esquerda quanto à direita.

Inventor

Trump prometeu evitar guerras caras. Como ele explica isso?

Model

Não explica bem. Começou com 47% de aprovação e agora está em 34%. As promessas de campanha não resistem ao impacto real na vida das pessoas.

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