Apple processa OpenAI por roubo de segredos industriais via ex-funcionários

Podres em seu núcleo devido à dependência ilegal de segredos comerciais
Como a Apple descreve o negócio nascente de hardware da OpenAI no processo.

OpenAI teria orientado candidatos a levar componentes físicos de produtos não lançados para entrevistas e ensinado funcionários a contornar procedimentos de segurança da Apple. Ex-funcionários como Chang Liu mantiveram acesso aos sistemas internos da Apple após saída e compartilharam informações confidenciais sobre projetos de hardware e processos de fabricação.

  • Processo de 41 páginas apresentado na sexta-feira, 10 de julho
  • Chang Liu manteve acesso aos sistemas internos da Apple após sair e baixou dezenas de arquivos confidenciais
  • Tang Tan orientava candidatos a levar componentes físicos de produtos não lançados para entrevistas
  • Mais de 400 ex-funcionários da Apple trabalham na OpenAI
  • Apple afirma ter entrado em contato com OpenAI em fevereiro sem receber resposta

Apple entrou com processo de 41 páginas contra OpenAI, acusando a empresa de conduzir esquema coordenado para obter segredos industriais através da contratação de funcionários e orientação para burlar protocolos de segurança.

Na última sexta-feira, a Apple apresentou um processo de 41 páginas contra a OpenAI, alegando que a empresa de inteligência artificial conduziu uma operação sistemática e coordenada para roubar segredos industriais da fabricante do iPhone. A acusação vai além de indivíduos isolados: a Apple argumenta que a OpenAI criou uma cultura corporativa que incentivava e normalizava o roubo de propriedade intelectual enquanto se preparava para lançar seu primeiro dispositivo de hardware baseado em IA no próximo ano.

O processo gira em torno de três pessoas-chave. Tang Tan, ex-vice-presidente do Apple Watch que passou 24 anos na empresa, agora é diretor de hardware da OpenAI. Chang Liu trabalhou mais de oito anos como engenheiro de sistemas elétricos no desenvolvimento do iPhone. Yu-Ting "Alyssa" Peng também era funcionária da Apple. Liu e Peng deixaram a empresa para trabalhar na OpenAI em 2026, e a Apple sustenta que ambos foram recrutados especificamente para extrair informações confidenciais.

Segundo a ação, Liu não devolveu pelo menos um computador corporativo da Apple após sua saída e, semanas depois, explorou uma vulnerabilidade de autenticação para acessar novamente o sistema interno de armazenamento em nuvem da empresa. Em uma mensagem reproduzida no processo, Liu escreveu: "LOL, descobri que consigo acessar o [armazenamento de rede], muito engraçado." Peng respondeu imediatamente: "Estou pronta." A Apple afirma que Liu utilizou esse acesso para baixar dezenas de arquivos confidenciais, incluindo especificações técnicas, documentos sobre produtos ainda não anunciados e apresentações detalhando processos de fabricação e testes das placas lógicas principais da empresa. Enquanto isso, Peng continuou compartilhando informações protegidas com Liu mesmo após deixar a Apple, alimentando seu trabalho no desenvolvimento de hardware da OpenAI com um fluxo constante de dados proprietários.

Tan, por sua vez, utilizava entrevistas de emprego como ferramenta para extrair informações sobre projetos confidenciais. A Apple alega que Tan orientava candidatos vindos da empresa a comparecer às entrevistas levando componentes físicos e amostras de produtos — baterias, módulos System-in-Package, placas lógicas principais e blindagens metálicas. Em um caso citado, um candidato demonstrou surpresa com o pedido, afirmando que "nem sabia que podíamos tirar essas peças do escritório". Tan também instruía candidatos a preparar apresentações chamadas "Technical Deep Dive" contendo slides com informações confidenciais sobre projetos desenvolvidos na Apple.

A Apple também acusa a OpenAI de ensinar funcionários a contornar protocolos de segurança internos. Segundo a ação, a OpenAI orientava empregados que estavam deixando a empresa sobre como evitar procedimentos de desligamento, instruindo-os a não revelar seu novo empregador e a evitar o chamado "dreaded walkout", procedimento pelo qual funcionários são retirados imediatamente após comunicarem sua saída. A OpenAI também instruía candidatos a não assinarem qualquer documento durante entrevistas de desligamento e, caso fossem solicitados, deveriam avisar a OpenAI "o mais rápido possível". A Apple afirma que essas estratégias estão funcionando: há um aumento recente de funcionários deixando a Apple para trabalhar na OpenAI enquanto ignoram contatos da equipe de segurança.

Além de recrutar ex-funcionários, a Apple acusa a OpenAI de explorar seus segredos industriais junto a parceiros comerciais. A empresa de IA teria abordado um fornecedor de confiança da Apple que realiza uma técnica proprietária de acabamento metálico, induzindo o parceiro a acreditar que possuía autorização para utilizar o processo. A OpenAI também teria abordado pelo menos outro fornecedor ligado à produção de componentes de energia e baterias, utilizando informações confidenciais e até codinomes internos da Apple para fazer perguntas específicas. Segundo a ação, foram usadas "terminologias internas" e questionamentos direcionados que "apenas pessoas de dentro da Apple saberiam fazer".

O documento afirma que o negócio nascente de hardware da OpenAI "repousa sobre bases extremamente frágeis, podres em seu núcleo devido à sua dependência ilegal de segredos comerciais obtidos de forma indevida". A Apple também observa que mais de 400 ex-funcionários da empresa atualmente trabalham na OpenAI, e que embora seja natural que muitos possuam conhecimento de informações proprietárias, o problema é a exploração deliberada desse conhecimento. A fabricante afirma ter entrado em contato com a OpenAI em fevereiro para apresentar suas preocupações, mas diz não ter recebido resposta. A OpenAI negou as acusações por meio de seu porta-voz, Drew Pusateri, afirmando: "Não temos interesse nos segredos comerciais de outras empresas. Continuamos focados em desenvolver tecnologia inovadora que capacite pessoas em todos os lugares."

LOL, descobri que consigo acessar o [armazenamento de rede], muito engraçado.
— Chang Liu, em mensagem reproduzida no processo
Não temos interesse nos segredos comerciais de outras empresas. Continuamos focados em desenvolver tecnologia inovadora que capacite pessoas em todos os lugares.
— Drew Pusateri, porta-voz da OpenAI
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a Apple acredita que isso foi coordenado e não apenas ações isoladas de funcionários ambiciosos?

Model

A Apple argumenta que a cultura da empresa normalizou o comportamento. Tan estava orientando candidatos sobre o que levar para entrevistas. A OpenAI ensinava funcionários como contornar protocolos de segurança. Não parece acidental.

Inventor

E quanto aos 400 ex-funcionários da Apple que trabalham lá? Não é natural que levem conhecimento consigo?

Model

É natural, sim. Mas a Apple diz que a diferença é a exploração deliberada. Liu manteve acesso aos sistemas após sair. Peng continuou alimentando-o com informações. Isso vai além de memória profissional.

Inventor

A mensagem de Liu — "LOL, descobri que consigo acessar" — parece quase casual. Você acha que ele entendia a gravidade?

Model

Talvez não. Mas Peng respondeu "Estou pronta" imediatamente. Alguém estava coordenando. E depois Liu baixou dezenas de arquivos. Casual não descreve bem.

Inventor

O que é mais preocupante: os componentes físicos sendo levados, ou o acesso aos sistemas internos?

Model

Provavelmente o acesso. Componentes podem ser fotografados ou descritos. Mas Liu baixou especificações técnicas, documentos de produtos não anunciados, apresentações de engenharia. Informação estruturada, pronta para usar.

Inventor

A OpenAI negou interesse em segredos comerciais. Você acredita?

Model

Difícil acreditar quando a empresa estava instruindo candidatos a trazer componentes para entrevistas e ensinando funcionários a evitar procedimentos de segurança. Essas não são ações de quem não quer informações.

Inventor

O que acontece agora?

Model

A Apple diz que a descoberta de fatos revelará apropriação indevida em escala muito maior. Isso vai para os tribunais. A OpenAI terá que responder a acusações bem específicas com evidências bem documentadas.

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