Após intermediação de Alckmin, Lula almoça com Tebet para formalizar apoio

Queria um comprometimento de que o debate seria qualificado
Tebet buscava garantias de Lula além de um simples endosso político para sua campanha.

No limiar do segundo turno de 2022, a senadora Simone Tebet sentou-se à mesa com Lula não para render-se ao inevitável, mas para negociar os termos de uma aliança com princípios. O encontro, mediado por Alckmin na casa de Marta Suplicy em São Paulo, revelou algo mais profundo do que uma manobra eleitoral: a tentativa de um centro democrático de imprimir sua marca numa coalizão que precisava dele tanto quanto ele precisava dela.

  • Cinco dias antes do almoço, Lula e Tebet sequer trocavam mensagens — a distância entre eles era política e pessoal ao mesmo tempo.
  • O MDB declarou neutralidade oficial, mas liberou seus diretórios, criando uma zona cinzenta que dava a Tebet liberdade de agir sem arrastar o partido.
  • A senadora recusou negociar cargos ministeriais e exigiu algo mais difícil: compromissos reais com debate qualificado e incorporação de suas propostas no programa petista.
  • Alckmin funcionou como ponte entre dois mundos que não tinham linguagem comum, sendo visto como a figura do centro capaz de tornar a aliança crível.
  • O apoio de Tebet estava suspenso entre o protocolar e o ativo — e era exatamente essa gradação que o almoço precisava resolver antes do anúncio público.

Na quarta-feira de outubro, Simone Tebet chegou à casa de Marta Suplicy em São Paulo para um almoço que formalizaria seu apoio a Lula no segundo turno. Mas o encontro era menos uma celebração do que uma negociação — a terceira colocada na primeira volta não estava disposta a oferecer um endosso vazio.

Apenas cinco dias antes, os dois não tinham sequer o contato um do outro. O gelo foi quebrado por Janja, esposa de Lula, numa ligação breve. Antes do almoço propriamente dito, Alckmin se reuniu com Tebet na véspera, abrindo o caminho para o encontro. O ex-governador paulista era visto como a figura que melhor representava o centro democrático dentro da campanha petista — e foi ele quem tornou possível a conversa real entre os dois.

À mesa estavam Lula, Janja, Alckmin, Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann e a própria Marta. O MDB havia anunciado neutralidade oficial naquela manhã, mas liberara seus diretórios para se posicionarem livremente — uma abertura que dava a Tebet espaço para agir.

O que estava em jogo não era apenas o apoio, mas sua intensidade. Tebet havia deixado claro nos bastidores que não queria negociar ministérios — as insinuações nesse sentido vindas da campanha petista a incomodavam. O que ela buscava era um compromisso concreto: que suas propostas fossem incorporadas ao programa de governo, especialmente na educação, com destaque para uma bolsa de cinco mil reais a jovens que concluíssem o Ensino Médio. Ela pretendia entregar a Lula um plano com cinco sugestões e esperava respostas à altura.

Ainda naquele dia, Tebet faria um pronunciamento público para anunciar seu apoio. O que permanecia em aberto era se Lula estaria ao seu lado — e se o PT estava disposto a conquistar esse apoio de verdade, em vez de apenas assumir que ele lhe pertencia.

Na quarta-feira de outubro, Simone Tebet desceu do carro na casa de Marta Suplicy em São Paulo para um almoço que selaria uma das negociações mais delicadas da campanha presidencial de 2022. A senadora do MDB, que havia terminado em terceiro lugar na primeira volta, estava ali para formalizar seu apoio a Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno — mas não antes de deixar claro quais eram suas condições.

O encontro havia sido cuidadosamente preparado. Apenas cinco dias antes, Tebet e Lula nem sequer tinham o número de telefone um do outro. O primeiro contato veio através de Janja, esposa de Lula, que ligou para a senadora numa conversa breve destinada a quebrar o gelo. Lula parabenizou Tebet pelo desempenho eleitoral — o melhor resultado que o MDB havia conseguido com uma candidata — e pediu um encontro. Mas havia um passo anterior necessário: a intermediação de Geraldo Alckmin.

O ex-governador paulista havia se encontrado com Tebet na terça-feira, também em São Paulo, numa reunião que o GLOBO documentou com exclusividade. Alckmin e Tebet compartilhavam uma linguagem política semelhante, e o ex-tucano era visto como a figura que melhor representava o centro democrático dentro da campanha petista. Ele abriu o caminho para que Lula e Tebet pudessem conversar de verdade. Naquela quarta-feira, no almoço na casa de Marta Suplicy, estavam presentes Lula, sua esposa Rosângela da Silva, Alckmin, Fernando Haddad (candidato do PT ao governo de São Paulo), Gleisi Hoffmann (presidente do PT) e a própria Marta. O MDB havia anunciado naquela manhã que manteria neutralidade oficial, mas liberaria seus diretórios para se posicionarem como desejassem — uma abertura que permitia a Tebet agir com certa liberdade.

Mas o apoio de Tebet não era uma simples questão de lealdade partidária. Desde o início da campanha, ela havia deixado claro que seu principal adversário era Jair Bolsonaro. O que estava em jogo agora era a qualidade e a intensidade desse apoio. Seria um endosso protocolar e crítico, mantendo distância, ou viria acompanhado de uma participação ativa na campanha? Pessoas próximas à senadora indicavam que essa era a verdadeira questão sendo discutida naquele almoço.

Tebet tinha preocupações concretas. Na conversa anterior com Alckmin, ela havia colocado na mesa a falta de sinais claros sobre o que Lula pretendia fazer se eleito. Também a incomodava a ausência de propostas específicas para evitar novos escândalos de corrupção num eventual governo petista. Ela não estava interessada em negociar uma posição ministerial — havia se queixado nos bastidores sobre insinuações desse tipo vindas da campanha de Lula. O que ela buscava era algo diferente: um comprometimento real de que o debate seria qualificado, não um cheque em branco como havia sido no primeiro turno.

Tebet pretendia entregar a Lula um plano com cinco sugestões, sinalizando que esperava do PT a incorporação de algumas de suas propostas. A educação havia sido uma de suas principais bandeiras de campanha, particularmente uma iniciativa de pagar uma bolsa de cinco mil reais a jovens que concluíssem o Ensino Médio. Ela queria ver essas ideias refletidas no programa de governo petista, não apenas ouvir promessas vagas.

Ainda naquele dia, Tebet faria um pronunciamento público em entrevista coletiva para anunciar seu apoio. Não estava claro se Lula estaria ao seu lado. O que era certo era que essa negociação entre a terceira colocada e o candidato da esquerda representava um momento crítico na campanha do segundo turno — um momento em que o apoio precisava ser conquistado, não apenas assumido.

Lula parabenizou a senadora pelo desempenho na eleição — o melhor para uma postulante do MDB — e pediu um encontro
— Aliados de Lula e Tebet
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Alckmin precisava estar no meio dessa conversa entre Lula e Tebet? Eles não conseguiam falar diretamente?

Model

Não tinham nem o número de telefone um do outro. Mas além disso, havia uma questão de linguagem política. Tebet e Alckmin pensam de forma parecida sobre o centro democrático. Ele era a ponte que tornava Lula mais palatável para ela.

Inventor

E o que Tebet realmente queria desse apoio? Não era apenas uma questão de estar contra Bolsonaro?

Model

Estava, mas não era só isso. Ela queria garantias. Queria saber o que Lula faria se eleito, queria propostas concretas contra corrupção, e queria ver suas ideias — como a bolsa para jovens — incorporadas no programa de governo.

Inventor

Ela estava pedindo um ministério?

Model

Não. Na verdade, se queixava quando sugeriam isso. O que ela queria era credibilidade. Um debate qualificado, não promessas vazias.

Inventor

Então o almoço era mais uma negociação do que um apoio já decidido?

Model

Exatamente. O apoio estava decidido — ela era contra Bolsonaro. Mas como ela apoiaria, com que intensidade, com que condições — isso era o que estava sendo definido naquele almoço.

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