ApexBrasil: EUA dependem do Brasil e tarifa de 25% é desnecessária

Para cada dólar em café importado, os americanos geram 43 dólares no mercado interno
Müller demonstra como produtos brasileiros alimentam cadeias produtivas inteiras nos Estados Unidos, gerando valor muito além do preço inicial.

Enquanto Washington delibera sobre uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, oferece uma leitura que inverte a narrativa comum: não é o Brasil que sai perdendo, mas os próprios importadores e consumidores americanos. Numa relação comercial em que os Estados Unidos já registram superávit, a medida levanta questões sobre quem, de fato, protege quem — e a que custo.

  • A audiência pública nos EUA sobre as tarifas de 25% coloca o Brasil numa posição defensiva, mas Müller escolhe a ofensiva: apresenta dados que mostram o custo real da medida para a economia americana.
  • Cada dólar importado em café brasileiro gera 43 dólares no mercado interno americano — um argumento que transforma o debate tarifário numa questão de lógica econômica, não de protecionismo.
  • A tarifa não recai sobre o Brasil, mas sobre os importadores americanos, criando pressão inflacionária interna nos EUA num momento já sensível para os consumidores.
  • Sem esperar o desfecho das negociações, a ApexBrasil já moveu 72% das 2.400 empresas acompanhadas para mercados além dos EUA, transformando a ameaça tarifária em catalisador de diversificação.
  • Com exportações brasileiras em nível recorde, a disputa revela menos uma fragilidade do Brasil e mais uma encruzilhada americana: manter um parceiro estratégico ou acelerar sua própria substituição.

Na segunda-feira, enquanto os Estados Unidos realizavam uma audiência pública sobre a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, Laudemir André Müller, presidente da ApexBrasil, apresentou um argumento central: a medida prejudica mais quem a aplica do que quem a recebe.

Müller destacou que a relação comercial entre os dois países é mutuamente vantajosa — e que os americanos, em muitos casos, saem ganhando mais. O exemplo do café é emblemático: para cada dólar gasto na importação, a economia americana gera 43 dólares em processamento, embalagem, distribuição e varejo. Outros produtos brasileiros, como rochas ornamentais e mel orgânico, ocupam nichos sem substitutos imediatos no mercado global.

Um ponto que Müller faz questão de sublinhar: quem paga a tarifa são os importadores americanos, não o Brasil. Isso eleva custos para empresas nos EUA e pode pressionar a inflação para os consumidores. Ele acrescenta ainda que os Estados Unidos já têm superávit comercial com o Brasil — o fluxo favorece Washington.

Diante da incerteza das negociações, a ApexBrasil não ficou parada. Das cerca de 2.400 empresas que acompanha, 72% passaram a exportar também para outros mercados no último ano. Feiras internacionais, rodadas de negócios e o acordo Mercosul-União Europeia compõem uma estratégia de diversificação que ganha força à medida que a política tarifária americana se torna menos previsível. Com exportações brasileiras em nível recorde, a questão que permanece é se os EUA continuarão como destino principal — ou se a tarifa de 25% apenas acelerará uma reconfiguração que já estava em curso.

Laudemir André Müller, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, sentou-se diante das câmeras na segunda-feira enquanto seu país enfrentava uma audiência pública nos Estados Unidos sobre a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Sua mensagem foi direta: essa tarifa não faz sentido para ninguém.

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, segundo Müller, não é uma via de mão única em que apenas o Brasil se beneficia. Os americanos lucram tanto quanto — talvez mais. Ele argumentou que as exportações brasileiras alimentam cadeias produtivas inteiras nos Estados Unidos, gerando valor agregado que vai muito além do preço inicial de compra. Quando uma empresa americana importa café brasileiro, por exemplo, aquele produto não fica pronto para o consumidor final. Ele passa por processamento, embalagem, distribuição, varejo. Para cada dólar gasto na importação de café, os americanos geram 43 dólares no mercado interno. Essa é a matemática que Müller quer que Washington entenda.

Outros produtos brasileiros não têm substitutos simples. Rochas ornamentais, mel de produção essencialmente orgânica, café — esses itens ocupam posições específicas na economia americana que não podem ser preenchidas facilmente por outro fornecedor. A tarifa, na visão do presidente da ApexBrasil, ignora essa realidade estratégica.

Mas há outro ponto que Müller enfatiza com força: quem paga a tarifa não é o Brasil. São os importadores americanos. A empresa que traz o produto para dentro dos Estados Unidos é quem arca com o tributo. Isso significa custos mais altos para negócios americanos e, potencialmente, pressão sobre a inflação para consumidores americanos. Müller também observa um detalhe que costuma passar despercebido: os Estados Unidos têm superávit comercial com o Brasil, não o contrário. O fluxo favorece Washington.

Enquanto as negociações seguem seu curso incerto, a ApexBrasil não está esperando passivamente. A agência acompanha cerca de 2.400 empresas que exportam para os Estados Unidos. No último ano, 72% delas começaram a vender também para outros mercados. Continuam nos EUA, mas agora têm pés em mais de um lugar. Feiras internacionais, rodadas de negócios, o acordo entre Mercosul e União Europeia — tudo isso faz parte de uma estratégia de diversificação que ganha urgência à medida que a política tarifária americana se torna mais imprevisível.

Recentemente, as exportações brasileiras atingiram um novo recorde. Esse dado importa porque mostra que o Brasil não está enfraquecido diante dessa disputa. Há demanda global pelos produtos brasileiros. A questão agora é se os Estados Unidos continuarão sendo o principal destino ou se essa tarifa de 25% acelerará uma reconfiguração que já estava em movimento.

O mercado americano é muito importante para o Brasil, e as exportações do Brasil para os Estados Unidos também são muito importantes para as empresas americanas
— Laudemir André Müller, presidente da ApexBrasil
Quem paga a tarifa é quem está importando, quem está internalizando esse produto nos Estados Unidos
— Laudemir André Müller
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Inventor

Por que Müller insiste que essa tarifa prejudica os americanos mais do que prejudica o Brasil?

Model

Porque a tarifa não é um imposto que o Brasil paga. É um imposto que o importador americano paga quando traz o produto para dentro dos EUA. Então quem sente o custo imediatamente são as empresas americanas e, eventualmente, os consumidores americanos.

Inventor

Mas não é verdade que tarifas protegem a indústria doméstica americana?

Model

Teoricamente, sim. Mas Müller está dizendo que não há indústria doméstica americana que possa substituir café brasileiro ou rochas ornamentais brasileiras. A tarifa não protege ninguém porque não há concorrente local.

Inventor

E o argumento sobre os 43 dólares gerados para cada dólar importado — como ele chegou a esse número?

Model

Ele está falando sobre o valor agregado que acontece depois que o café chega nos EUA. Processamento, embalagem, distribuição, varejo. Tudo isso gera renda e emprego americano. A tarifa reduz o volume de importações, então reduz todo esse valor agregado.

Inventor

Então por que o governo americano está fazendo isso?

Model

Müller não responde essa pergunta. Ele apenas diz que é desnecessário. Há outras razões políticas e estratégicas que ele não está discutindo aqui.

Inventor

E essa diversificação que a ApexBrasil está promovendo — é uma resposta à tarifa ou algo que já estava acontecendo?

Model

Provavelmente ambas as coisas. O Brasil sempre quis diversificar seus mercados. Mas a tarifa americana certamente acelerou a urgência disso. Se 72% das empresas já estão vendendo para outros lugares, a dependência dos EUA está diminuindo.

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