ApexBrasil: 40% das exportações brasileiras escapam de tarifa de 50% dos EUA

Os números são ruins porque não tem nenhuma razão de nós termos mais tarifas
Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, critica a decisão de Trump enquanto busca espaço para negociação.

Tarifa de 50% atinge exportações brasileiras, mas 379 produtos foram temporariamente poupados com alíquota de 10%. Casa Branca justifica medidas com acusações contra STF e ministro Alexandre de Moraes, incluindo sanções pessoais e revogação de vistos.

  • Tarifa de 50% sobre exportações brasileiras, com 379 produtos em alíquota reduzida de 10%
  • 18 bilhões de dólares em exportações preservadas (40% do total vendido aos EUA)
  • Entrada em vigor adiada para 6 de agosto, abrindo janela de negociação
  • Sanções pessoais contra ministros do STF, incluindo revogação de vistos

Trump emite ordem executiva com tarifas de 50% sobre exportações brasileiras, mas 379 produtos (40% do total) ficam com alíquota reduzida de 10%. ApexBrasil vê espaço para negociação antes da entrada em vigor em 6 de agosto.

A ordem executiva chegou na quarta-feira com a força de um ultimato. Donald Trump, em seu segundo mandato, assinou a medida que impõe uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros — uma barreira comercial que sacudiu o mercado e as salas de negociação em Brasília. Mas dentro dessa decisão severa, há uma fenda: 379 produtos brasileiros foram temporariamente poupados, ficando sujeitos a uma alíquota reduzida de 10%. Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, viu nessa brecha uma oportunidade. Em vídeo divulgado no mesmo dia, ele destacou que esses itens excluídos da tarifa máxima somaram cerca de 18 bilhões de dólares em exportações no ano anterior — mais de 40% de tudo que o Brasil vende aos Estados Unidos.

Os produtos preservados formam uma lista que revela a profundidade da relação comercial entre os dois países: celulose, suco de laranja, castanha-do-pará, componentes aeronáuticos, minerais estratégicos. Viana não escondeu sua frustração com a medida em si. "Os números são ruins porque não tem nenhuma razão de nós termos mais tarifas para os nossos produtos, quando os Estados Unidos é que mais ganham com o comércio bilateral", afirmou. Mas sua mensagem carregava também uma dose de pragmatismo. A entrada em vigor foi adiada para 6 de agosto — uma janela de 37 dias para que negociadores dos dois lados tentassem reverter ou suavizar o golpe.

Por trás das tarifas, porém, havia algo mais grave que números comerciais. A Casa Branca acompanhou a ordem executiva com acusações diretas contra o governo Lula e, especialmente, contra o Supremo Tribunal Federal. Washington declarou que o Brasil representa "uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos". O comunicado oficial apontou o dedo para o ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de "abusar de sua autoridade judicial para ameaçar, perseguir e intimidar milhares de seus opositores políticos". A Casa Branca alegou que Moraes teria agido em conjunto com outros ministros do STF para censurar críticos, congelar ativos de empresas americanas e impor multas a opositores, incluindo cidadãos dos EUA.

As sanções não pararam nas tarifas. A administração Trump anunciou medidas pessoais contra ministros do STF e seus familiares, incluindo revogação de vistos. Trump, que assinou a ordem em 18 de julho através do secretário de Estado Marco Rubio, justificou a ação em termos que ecoavam sua retórica de campanha: estava "defendendo empresas americanas da extorsão, protegendo cidadãos americanos da perseguição política e salvando a economia americana dos éditos arbitrários de um juiz estrangeiro tirânico". A Casa Branca também mencionou o caso de Paulo Figueiredo, residente nos EUA, processado no Brasil por manifestações feitas em solo americano.

Viana, porém, mantinha a esperança em negociação. "Tomara que a gente tenha a oportunidade de mostrar claramente que outros produtos são muito importantes nos Estados Unidos", disse, apelando ao "bom senso" e lembrando que o Brasil e os EUA compartilham 201 anos de comércio bilateral. Sua postura refletia a estratégia da diplomacia brasileira: reconhecer a seriedade da ameaça, mas não ceder ao pânico, mantendo as portas abertas para diálogo.

A escalada, porém, revelava tensões mais profundas. A postura de Trump ecoava a retórica da extrema direita brasileira, buscando minar a legitimidade das instituições nacionais. Até o momento, o governo Lula e o STF não emitiram resposta oficial às acusações e sanções. A próxima semana seria decisiva: o Brasil precisaria escolher entre ceder às pressões ou resistir, sabendo que a resposta determinaria não apenas o futuro do comércio bilateral, mas também a dinâmica geopolítica regional nos meses seguintes.

O governo dos Estados Unidos acabou de emitir a ordem executiva que faz entrar em vigor as novas tarifas contra os produtos brasileiros. Os números são ruins porque não tem nenhuma razão de nós termos mais tarifas para os nossos produtos, quando os Estados Unidos é que mais ganham com o comércio bilateral.
— Jorge Viana, presidente da ApexBrasil
Está defendendo empresas americanas da extorsão, protegendo cidadãos americanos da perseguição política e salvando a economia americana dos éditos arbitrários de um juiz estrangeiro tirânico.
— Donald Trump, justificando as medidas
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Trump escolheu justamente agora para impor essas tarifas? Parece haver algo além de comércio aqui.

Model

Há sim. As tarifas são o instrumento, mas o alvo real é o STF e a forma como o Brasil tem lidado com opositores políticos. Trump vê isso como uma ameaça à liberdade de expressão que ele diz defender.

Inventor

Mas por que a Casa Branca deixou 40% das exportações brasileiras fora da tarifa máxima? Isso não enfraquece a mensagem?

Model

Não necessariamente. Deixar uma brecha mantém a negociação viva. Se tivesse ido a 50% em tudo, o Brasil teria poucas razões para conversar. Assim, há incentivo para que Brasília ceda em outras frentes.

Inventor

Que tipo de concessões Trump estaria esperando?

Model

Provavelmente mudanças na forma como o STF trata críticos do governo e possível liberação de ativos de empresas americanas que foram congelados. É política externa disfarçada de comércio.

Inventor

E se o Brasil não ceder? Qual é o próximo passo?

Model

A tarifa sobe para 50% em tudo em 6 de agosto. Mas mais importante: as sanções pessoais contra ministros já começam a surtir efeito. Vistos revogados, contas congeladas. É pressão em múltiplas frentes.

Quieres la nota completa? Lee el original en Brasil 247 ↗
Contáctanos FAQ