Quando uma empresa busca proteção judicial, ela firma um pacto implícito de transparência com o sistema que a acolhe. A Apex, que em agosto declarou dívidas de quase R$ 1 bilhão e pediu recuperação judicial, parece ter esquecido esse pacto: descumpriu prazo de 72 horas imposto pelo juiz, cancelou visita técnica do administrador e deixou sem resposta perguntas fundamentais sobre quatro SPEs imobiliárias ligadas ao grupo. Ao obstruir o próprio processo que deveria salvá-la, a empresa arrisca transformar uma crise de liquidez em uma crise de legitimidade.