Aos 75 anos, seu Janjão é aprovado novamente no Sisu para Ciências Biológicas na UFPI

Dedicação, disciplina e interesse pelo conhecimento abrem portas independentemente da idade
A aprovação de seu Janjão no Sisu aos 75 anos ilustra como a determinação pode transformar trajetórias interrompidas.

Em Patos do Piauí, João José de Carvalho — agricultor de 75 anos conhecido como Seu Janjão — foi aprovado pela segunda vez no Sisu para cursar Ciências Biológicas na Universidade Federal do Piauí, após concluir a educação básica pela modalidade EJA. Sua trajetória, marcada por décadas de interrupção e um retorno determinado às salas de aula, coloca em evidência uma verdade que a pressa do mundo moderno frequentemente esquece: o aprendizado não tem prazo de validade, e a dignidade de aprender pode ser restaurada em qualquer estação da vida.

  • Aos 75 anos, Seu Janjão conquista pela segunda vez uma vaga no ensino superior público, desafiando silenciosamente a ideia de que certas portas só se abrem na juventude.
  • Décadas de trabalho no campo e de estudos interrompidos criaram um vazio que a EJA ajudou a preencher — mas a determinação de voltar partiu dele mesmo.
  • A aprovação no Sisu 2026 expõe a tensão entre um sistema educacional que historicamente excluiu adultos trabalhadores e as políticas de acesso que tentam corrigir essa dívida.
  • Para a Secretaria da Educação do Piauí, o caso é a prova viva de que a Educação de Jovens e Adultos funciona como ferramenta real de inclusão — não apenas como promessa.
  • Seu Janjão se prepara agora para ingressar na UFPI, carregando consigo não só um sonho pessoal, mas a demonstração concreta de que projetos suspensos podem, sim, ser retomados.

João José de Carvalho tem 75 anos, é agricultor em Patos do Piauí e acaba de ser aprovado pela segunda vez no Sisu para cursar Ciências Biológicas na Universidade Federal do Piauí. Seu Janjão, como é chamado, completou a educação básica através da Educação de Jovens e Adultos no Centro Estadual de Tempo Integral Reunida de Patos — encerrando décadas de afastamento das salas de aula para, enfim, retomar um projeto que havia ficado suspenso.

A aprovação vai além de uma conquista individual. Para a Secretaria da Educação do Piauí, ela ilustra com precisão o que a EJA se propõe a fazer: abrir caminhos para quem ficou para trás. Milhares de brasileiros viveram trajetórias semelhantes — interromperam os estudos, construíram vidas, trabalharam — e a história de Seu Janjão mostra que o retorno é possível quando há oportunidade e determinação.

O que torna o caso particularmente significativo é o que ele revela sobre o acesso à educação pública. A UFPI abriu uma vaga para um homem de 75 anos formado por um programa de educação para adultos — resultado de políticas que reconhecem que aprender não respeita idade. Seu Janjão não estava apenas cumprindo um requisito ao voltar à escola; estava perseguindo algo que havia deixado para trás, e agora vai buscá-lo dentro de uma universidade federal.

Sua trajetória inspira não por ser extraordinária, mas por ser possível. Ela lembra que projetos interrompidos podem ser retomados, que dedicação abre portas e que a educação, quando garantida como direito, tem o poder de transformar a forma como uma pessoa se vê no mundo — independentemente de quantos anos ela tem.

João José de Carvalho tem 75 anos e acaba de ser aprovado no Sisu para cursar Ciências Biológicas na Universidade Federal do Piauí. Não é a primeira vez que isso acontece com ele — é a segunda. Seu Janjão, como é conhecido em Patos do Piauí, é agricultor, e sua aprovação carrega o peso de uma vida inteira de interrupções e recomeços.

Ele completou a educação básica através da Educação de Jovens e Adultos, a modalidade de ensino criada justamente para pessoas como ele — aquelas que precisaram abandonar a escola em algum momento e agora buscam retomar. Seu Janjão estudou no Centro Estadual de Tempo Integral Reunida de Patos, onde conseguiu terminar o ensino fundamental e médio depois de décadas longe das salas de aula. A aprovação no Sisu 2026 representa mais do que uma vaga em um curso superior; representa a continuidade de um projeto que ficou suspenso durante muitos anos por conta das dificuldades que marcaram sua trajetória.

Para a Secretaria da Educação do Piauí, essa aprovação é significativa porque ilustra exatamente o que a EJA se propõe a fazer: abrir caminhos para quem ficou para trás. Milhares de brasileiros passaram pela mesma situação — precisaram interromper os estudos, construíram vidas, trabalharam, e agora, em algum momento, decidiram voltar. A história de seu Janjão não é exceção; é um exemplo concreto de como isso funciona quando alguém tem a oportunidade e a determinação.

O que torna sua aprovação particularmente notável é o que ela diz sobre a escola pública. A UFPI, uma universidade federal, abriu uma vaga para um homem de 75 anos que completou sua formação básica através de um programa de educação para adultos. Isso não acontece por acaso — é resultado de políticas de acesso que reconhecem que a educação não tem prazo de validade, que o aprendizado não respeita idade.

Seu Janjão demonstrou algo que muitos precisam ouvir: dedicação, disciplina e interesse genuíno pelo conhecimento podem abrir portas independentemente de quantos anos você tem. Quando ele voltou para a sala de aula, não estava apenas completando um requisito — estava perseguindo algo que havia deixado para trás. Agora, aos 75 anos, vai cursar Ciências Biológicas. Pode parecer um detalhe, mas é exatamente o tipo de detalhe que muda como uma pessoa se vê no mundo.

A Educação de Jovens e Adultos, frequentemente invisível nas discussões sobre educação superior, provou ser uma ferramenta real de inclusão social e desenvolvimento pessoal. Não é apenas sobre alfabetização ou recuperação de conteúdo — é sobre restaurar a dignidade de quem foi deixado para trás pelo sistema. Para seu Janjão, significou a chance de retomar um projeto que permaneceu interrompido por décadas.

Sua trajetória inspira não porque é extraordinária, mas porque é possível. Ela mostra que projetos podem ser retomados, que dedicação funciona, que a idade não é barreira quando há vontade e oportunidade. Enquanto seu Janjão se prepara para entrar na universidade, sua história já está ensinando algo importante: educação sem limite de idade não é um luxo, é um direito que, quando garantido, transforma vidas.

A aprovação reforça o impacto da Educação de Jovens e Adultos como ferramenta de inclusão social e acesso ao ensino superior público
— Secretaria da Educação do Piauí
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a história de seu Janjão importa além do caso individual? Há algo estrutural aqui?

Model

Sim. Ela mostra que a EJA funciona — que quando você oferece a chance, pessoas realmente a aproveitam. Mas também expõe quanto tempo as pessoas perdem esperando por essa chance.

Inventor

Ele tentou entrar na universidade antes, certo? Por que agora conseguiu?

Model

Sim, foi aprovado uma segunda vez. Não sabemos exatamente o que mudou entre a primeira tentativa e essa, mas o fato de ele ter persistido diz algo sobre determinação. Muitos desistem.

Inventor

A EJA é vista como educação de segunda classe em muitos lugares. Isso aparece nessa história?

Model

Não explicitamente, mas está implícito. A Secretaria da Educação destacou a aprovação justamente porque ela prova que a EJA não é menor — que leva a lugares reais, como uma universidade federal.

Inventor

Qual é o risco aqui? Usar sua história como inspiração sem mudar as estruturas que a tornaram necessária?

Model

Exatamente. É fácil celebrar seu Janjão e esquecer que milhares de pessoas nunca tiveram a oportunidade que ele teve. A história é bonita, mas não deveria ser exceção.

Inventor

E quanto aos outros estudantes que vão estar na sala de aula com ele?

Model

Essa é uma pergunta importante. Uma universidade que acolhe um homem de 75 anos está sinalizando algo sobre inclusão. Mas também há a questão prática: como é estar em uma sala de aula quando você tem 75 anos e seus colegas têm 18?

Inventor

Você acha que ele vai terminar o curso?

Model

Não há razão para duvidar. Alguém que esperou décadas por essa chance, que voltou à escola como adulto, que foi aprovado duas vezes — essa pessoa tem motivação que a maioria dos calouros não tem.

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