Beatriz, 24 anos, é primeira mulher eletricista de linha viva no Mato Grosso

De leiturista a eletricista de linha viva, transformou uma porta de entrada em carreira de ponta
A progressão de Beatriz em quatro anos resume como barreiras caem quando preparo encontra oportunidade.

Em Mato Grosso, uma jovem de 24 anos subiu a um poste com a rede energizada e reescreveu, com luvas isolantes e ferramentas de alta tensão, o que se entende por possível no setor elétrico brasileiro. Beatriz Gonçalves Szablewski tornou-se a primeira mulher do estado a atuar como eletricista de linha viva na Energisa, ocupando a função de maior risco técnico do campo — território que, até então, pertencia exclusivamente aos homens. Sua trajetória, construída em etapas deliberadas desde 2022, lembra que barreiras históricas raramente cedem ao acaso: cedem ao preparo que encontra a oportunidade certa.

  • Uma jovem de 24 anos opera cabos sob alta tensão no alto de postes, num trabalho onde um único erro de procedimento pode ser fatal — e ela é a primeira mulher do Mato Grosso a fazê-lo.
  • O setor elétrico de campo resistiu por décadas à presença feminina nas funções de maior risco, criando uma lacuna de representatividade que Beatriz agora confronta sozinha como pioneira.
  • A Energisa respondeu ao desafio formando a primeira turma de mulheres eletricistas no estado, tentando transformar uma exceção individual em política de recrutamento e qualificação.
  • A imagem de uma eletricista no alto do poste já circula como mensagem silenciosa para candidatas que antes não enxergavam espaço no campo — a representatividade muda o que se imagina ser possível.
  • O setor enfrenta demanda crescente por mão de obra qualificada, e abrir as funções técnicas para mulheres dobra, na prática, o universo de talentos disponível para manter a rede funcionando.

Aos 24 anos, Beatriz Gonçalves Szablewski subiu a um poste com a rede elétrica ligada e se tornou a primeira mulher do Mato Grosso a trabalhar como eletricista de linha viva. O trabalho — reparar cabos energizados sem desligar a corrente — é considerado a função de maior risco do setor elétrico, e até pouco tempo era território exclusivamente masculino no estado.

Sua trajetória começou em 2022, quando entrou na Energisa como leiturista. Mas ela já havia feito um curso de eletricista antes, sabendo para onde queria ir. Em menos de um ano, migrou para eletricista de distribuição em Rondonópolis e depois integrou equipes de combate ao furto de energia. Cada etapa foi um degrau calculado até chegar à função mais técnica e perigosa de todas.

A linha viva exige luvas, mangotes e ferramentas testadas para alta tensão, além de certificações específicas em segurança em altura e em eletricidade. A vantagem é que bairros inteiros não ficam sem luz durante os reparos. O risco é que não há margem para erro. No organograma do setor, essa função é vista como a elite técnica da operação de campo — e chegar lá aos 24 anos, como pioneira, revela a dimensão real do que Beatriz conquistou.

Ser a primeira tem peso duplo: além da técnica, há a pressão de abrir caminho para quem vem depois. A Energisa, maior grupo privado do setor elétrico brasileiro, formou a primeira turma de mulheres eletricistas no Mato Grosso, buscando ampliar a presença feminina em funções técnicas. O movimento responde também a uma necessidade concreta: o setor enfrenta demanda crescente e precisa de profissionais qualificados.

De leiturista a eletricista de linha viva, Beatriz transformou uma porta de entrada em uma carreira de ponta. Uma pioneira não resolve sozinha a desigualdade de gênero nas funções de campo, que segue grande. Mas sua imagem no alto do poste já é, por si só, uma mensagem para outras candidatas sobre o que é possível imaginar — e alcançar.

Aos 24 anos, Beatriz Gonçalves Szablewski subiu a um poste com a rede elétrica ligada e se tornou a primeira mulher do Mato Grosso a trabalhar como eletricista de linha viva. O trabalho que realiza — reparar cabos energizados sem desligar a corrente — é considerado a função de maior risco do setor elétrico. Até pouco tempo, era um território exclusivamente masculino no estado.

Sua trajetória começou em 2022, quando entrou na Energisa como leiturista, registrando consumo nos medidores. Mas Beatriz já havia se preparado antes: fez um curso de eletricista porque sabia para onde queria ir. Em menos de um ano, deixou a leitura para trás e se tornou eletricista de distribuição em Rondonópolis. Depois integrou equipes de combate ao furto de energia, outra frente exigente do setor. Cada etapa funcionou como degrau até chegar à função mais técnica e perigosa de todas. Sua progressão rápida não foi acaso — foi escolha deliberada dentro de uma carreira que ela planejava.

O trabalho de linha viva explica seu próprio nome. A eletricista opera cabos ainda sob tensão, usando luvas, mangotes e ferramentas testadas para suportar alta tensão. A vantagem é que bairros inteiros não ficam sem luz toda vez que um reparo é necessário. A desvantagem é que um único erro de procedimento pode ser fatal. Por isso, a formação é longa e exige certificações específicas em segurança em altura e em eletricidade. Nem todo eletricista chega a essa função. Quem chega passa por treinamento intenso e reciclagens constantes. No organograma do setor elétrico, a linha viva é vista como a elite técnica da operação de campo. Chegar lá aos 24 anos, e como pioneira, dá a real dimensão do que Beatriz conquistou.

Historicamente, as funções de campo da energia foram ocupadas quase só por homens, especialmente as de maior risco. Beatriz quebrou essa barreira. Ela mesma já disse que torce para que esse número cresça, até virar comum ver mulheres na energia ocupando o espaço. Ser pioneira tem peso duplo: além da técnica, há a pressão de abrir caminho para quem vem depois. Cada mulher que entra nessas funções ajuda a normalizar a presença feminina num ramo que resistia a isso. A imagem de uma eletricista no alto do poste é, por si só, uma mensagem para outras candidatas.

O caso de Beatriz se conecta a um movimento maior dentro da Energisa. A companhia formou a primeira turma de mulheres eletricistas em Mato Grosso, buscando ampliar a presença feminina em funções técnicas, não só administrativas. A Energisa é o maior grupo privado do setor elétrico brasileiro, com mais de 16 mil empregados e mais de 20 milhões de clientes. Programas de formação como esse abrem vagas e qualificam candidatas que antes não enxergavam espaço no campo. Trazer mais mulheres na energia também responde a uma necessidade real: o setor enfrenta demanda crescente e precisa de gente preparada para manter a rede funcionando.

Abrir as funções técnicas para mulheres na energia dobra, na prática, o universo de talentos disponível. Representatividade também importa: ver uma mulher na linha viva muda o que meninas imaginam ser possível. Em regiões como o Mato Grosso, onde a rede é extensa, cada eletricista qualificado faz diferença no atendimento. Quanto mais diverso o setor elétrico, mais ele consegue recrutar e reter quem realmente quer a carreira.

A trajetória de Beatriz resume bem como barreiras caem quando preparo encontra oportunidade. Mas vale manter o pé no chão. Ser a primeira da história do estado é um marco simbólico, mas ainda revela o quanto o setor era fechado. Uma pioneira não resolve sozinha a desigualdade de gênero nas funções de campo, que segue grande. E o risco do trabalho é real: linha viva exige treino contínuo e respeito absoluto às normas de segurança. Ainda assim, poucos casos resumem tão bem o avanço das mulheres na energia dentro do setor elétrico brasileiro. De leiturista a eletricista de linha viva, Beatriz transformou uma porta de entrada em uma carreira de ponta.

Beatriz torce para que o número de mulheres na energia cresça, até virar comum ver mulheres ocupando esse espaço
— Beatriz Gonçalves Szablewski
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Como alguém passa de leiturista para a função mais perigosa do setor em tão pouco tempo?

Model

Beatriz não deixou ao acaso. Ela fez um curso de eletricista antes mesmo de entrar na Energisa. Quando começou como leiturista em 2022, já sabia exatamente para onde queria ir. Cada etapa — distribuição, combate ao furto, depois linha viva — foi um degrau planejado.

Inventor

E por que linha viva é tão perigosa? Não é só subir em um poste?

Model

É a combinação de duas ameaças. A altura: o corpo preso ao cinto de segurança no alto do poste. E a eletricidade ligada, que não perdoa distração nem equipamento mal conferido. Um único erro de procedimento pode ser fatal. Por isso exigem certificações específicas e reciclagens constantes.

Inventor

Qual é a vantagem de trabalhar com a rede ligada em vez de desligar tudo?

Model

Simples: bairros inteiros não ficam sem luz. Quando você desliga a rede para um reparo, centenas ou milhares de pessoas perdem energia. Com linha viva, o trabalho continua e a cidade segue funcionando.

Inventor

Beatriz é a primeira mulher nisso no Mato Grosso. Isso muda algo além do simbólico?

Model

Muda bastante. Abrir funções técnicas para mulheres dobra o universo de talentos disponível. O setor elétrico enfrenta demanda crescente e precisa de gente preparada. Mas também muda o que meninas imaginam ser possível quando veem uma mulher no alto do poste.

Inventor

A Energisa está fazendo algo estruturado ou foi só o caso de Beatriz?

Model

Estruturado. Formaram a primeira turma de mulheres eletricistas em Mato Grosso. Não é iniciativa isolada — é programa de formação que abre vagas e qualifica candidatas que antes não enxergavam espaço no campo.

Inventor

Mas uma pioneira resolve o problema da desigualdade de gênero?

Model

Não. Ser a primeira revela o quanto o setor era fechado. Uma pioneira abre a porta, mas a desigualdade nas funções de campo segue grande. O que Beatriz faz é mostrar que é possível, e isso importa. Mas é só o começo.

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