Eu não vejo a hora de poder viver minha vida
Aos 18 anos, Camille Telöken acordou no meio da noite com um AVC causado por uma abertura congênita no coração — o Forame Oval Patente — que permitiu a passagem de um coágulo até o cérebro. Sua recuperação surpreendeu a medicina, mas o custo do tratamento esgotou os recursos da família, e a cirurgia definitiva de R$ 50 mil permanece fora do alcance. Ela organiza agora uma rifa beneficente, não apenas para fechar uma abertura no coração, mas para reabrir as possibilidades de uma vida jovem que ainda mal começou.
- Uma jovem de 18 anos acordou em setembro de 2025 com um AVC — uma emergência que os médicos temiam que a deixasse permanentemente imóvel.
- O diagnóstico revelou uma condição silenciosa presente desde o nascimento: uma fresta no coração que, em casos raros, transforma-se em passagem para coágulos fatais.
- A família arrecadou R$ 45 mil em campanha anterior, mas medicamentos, fisioterapia e fonoaudiologia consumiram R$ 30 mil, deixando a cirurgia definitiva ainda distante.
- Camille retornou às aulas no IFSul e caminha — contrariando prognósticos —, mas depende de anticoagulantes diários que custam cerca de R$ 300 por dia e limitam sua liberdade.
- Para alcançar os R$ 50 mil necessários, ela rifou camisas autografadas do Grêmio, transformando a luta pela sobrevivência em um ato coletivo de solidariedade.
Camille Telöken tinha 18 anos quando acordou na madrugada de 14 de setembro de 2025 com um acidente vascular cerebral. Após oito dias internada — três deles na UTI —, o diagnóstico chegou: Forame Oval Patente, uma pequena abertura entre as câmaras do coração que deveria ter se fechado na infância. Essa fresta, presente em 20% a 25% dos adultos, havia permitido que um coágulo atravessasse até o cérebro.
Os médicos previram que ela talvez não voltasse a andar. Ela caminhou. Retornou às aulas no Instituto Federal Sul-rio-grandense, em Lajeado, enfrentando limitações cognitivas — leitura mais lenta, necessidade de mais tempo para processar informações — mas presente, avançando.
O custo da recuperação, porém, foi devastador. De uma vakinha que rendeu R$ 45 mil, R$ 30 mil foram consumidos por medicamentos, fisioterapia e fonoaudiologia. Hoje, Camille toma anticoagulantes e anticonvulsivantes diariamente — só o anticoagulante representa cerca de R$ 300 por dia. A cirurgia definitiva custa R$ 50 mil e ainda está fora do alcance.
Para arrecadar o valor, ela organiza uma rifa com camisas oficiais do Grêmio autografadas pelos jogadores. Mas o que move Camille vai além do procedimento médico: ela quer viajar, conhecer lugares, praticar atividades radicais — viver como a adolescente de 18 anos que é. A cirurgia, para ela, não é apenas o fechamento de uma abertura no coração. É a abertura de uma vida.
Camille Telöken tinha 18 anos quando acordou com um acidente vascular cerebral na madrugada de 14 de setembro de 2025. Oito dias depois, ainda internada — três deles na unidade de terapia intensiva — ela recebeu um diagnóstico que explicava tudo: Forame Oval Patente, uma pequena abertura entre as câmaras do coração que deveria ter se fechado naturalmente na infância, mas não fechou. Essa fresta, presente em cerca de 20% a 25% dos adultos brasileiros, havia permitido que um coágulo atravessasse de um lado do coração para o outro e chegasse ao cérebro.
Agora, aos 18 anos, Camille precisa de uma cirurgia que custa R$ 50 mil. Para arrecadar o dinheiro, ela organiza uma rifa com dois prêmios: camisas oficiais do Grêmio autografadas pelos jogadores, uma masculina e outra feminina. A necessidade é urgente, mas também é pessoal. Ela quer viver como uma adolescente de 18 anos — viajar, conhecer lugares novos, praticar atividades radicais. Quer parar de pensar em medicamentos o tempo todo.
A recuperação já surpreendeu os médicos. Eles disseram que ela talvez não conseguisse andar novamente. Hoje, ela caminha. Retornou aos estudos no Instituto Federal Sul-rio-grandense, em Lajeado, frequentando as aulas diariamente, embora enfrente limitações. A leitura é mais lenta. Ela precisa de um computador e de mais tempo para processar as informações. Mas está lá, na sala de aula, avançando.
O custo da recuperação, porém, consumiu quase tudo que a família conseguiu arrecadar. No ano passado, uma vakinha online rendeu aproximadamente R$ 45 mil. Desse montante, R$ 30 mil foram gastos em medicamentos, fisioterapia e fonoaudiologia. Agora, Camille toma anticonvulsivantes e anticoagulantes diariamente — o anticoagulante custa em média R$ 150 e ela precisa de dois comprimidos por dia. Enquanto houver dinheiro para os remédios e a fisioterapia, ela prioriza isso. O que sobrar vai para a cirurgia.
O que torna a história de Camille diferente de um simples apelo por recursos é a clareza com que ela articula o que a cirurgia representa. Não é apenas um procedimento médico. É liberdade. É a possibilidade de viver sem estar constantemente atrelada a uma condição que a restringe. Sua família a apoia — o namorado a ajuda muito, ela diz. Levou tempo para todos se acostumarem com o que aconteceu, mas estão juntos nessa jornada.
O Forame Oval Patente é uma condição que a maioria das pessoas nunca descobre que tem. Permanece silenciosa, inofensiva, ao longo de toda uma vida. Mas em alguns casos raros, como o de Camille, facilita a passagem de coágulos da circulação venosa para a arterial, aumentando dramaticamente o risco de acidente vascular cerebral. Ela foi uma daquelas pessoas. Aos 18 anos, enfrentou uma emergência médica que poderia ter sido fatal. Sobreviveu. Recuperou-se além das expectativas. Agora luta para ter acesso ao procedimento que a libertaria completamente dessa condição.
Citas Notables
Os médicos diziam que eu nem poderia andar, mas graças a Deus estou caminhando— Camille Telöken
Enquanto eu tiver dinheiro para os remédios e a fisioterapia, isso ainda é mais importante. O que sobrar vai para a cirurgia— Camille Telöken
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que a cirurgia é tão cara? Não deveria estar coberta pelo sistema de saúde?
A vakinha anterior arrecadou R$ 45 mil, mas quase tudo foi consumido por medicamentos, fisioterapia e fonoaudiologia. A cirurgia é um procedimento especializado que custa R$ 50 mil. Camille está priorizando os medicamentos que a mantêm viva — os anticoagulantes — porque interromper isso seria perigoso.
Os médicos disseram que ela não poderia andar. Como ela conseguiu se recuperar tão bem?
Ninguém sabe ao certo. Ela atribui a Deus. O que sabemos é que ela fez fisioterapia, tomou os medicamentos certos e teve apoio da família. Mas há algo na determinação dela também — ela voltou à escola, mesmo com limitações.
Qual é o impacto real da limitação cognitiva que ela enfrenta?
Ela não consegue ler como antes. Precisa de mais tempo. Usa computador para compensar. São pequenas coisas que a maioria das pessoas não pensa, mas que transformam o dia a dia de um estudante.
E se ela não conseguir arrecadar os R$ 50 mil?
Ela continua tomando os medicamentos. Continua indo à fisioterapia. Continua estudando. Mas fica presa a essa rotina indefinidamente. A cirurgia não é apenas sobre saúde — é sobre poder sonhar com o futuro sem restrições.
O que a rifa representa para ela?
Uma chance. Uma forma de dizer ao mundo que ela existe, que precisa de ajuda, mas que não desistiu. Duas camisas autografadas por jogadores de um time que ela ama. É simples, mas é tudo que ela tem.