Anvisa define composição das vacinas contra gripe para 2026

O vírus não fica parado. Ele muda, evolui, encontra brechas.
Explicando por que as vacinas contra gripe precisam ser reformuladas a cada ano.

As vacinas para 2026 conterão cepas atualizadas de H1N1, H3N2 e linhagens B, com versões trivalentes e quadrivalentes disponíveis. A OMS recomenda descontinuar vacinas tetravalentes a partir de 2027, mas Brasil mantém oferta em 2026 para garantir cobertura nacional.

  • Anvisa publicou composição das vacinas para 2026 em dezembro de 2025
  • Vacinas trivalentes conterão H1N1, H3N2 e linhagem B Victoria
  • Vacinas quadrivalentes adicionam linhagem B Yamagata
  • OMS recomenda descontinuar quadrivalentes a partir de 2027
  • Brasil mantém quadrivalentes em 2026 para garantir cobertura nacional

A Anvisa publicou a composição das cepas virais que integrarão as vacinas contra influenza no Brasil em 2026, seguindo recomendações da OMS para melhorar eficácia diante das mutações do vírus.

A Anvisa acaba de definir quais variantes do vírus da gripe circularão pelo Brasil em 2026 — e, portanto, quais cepas as vacinas precisarão combater. A decisão, publicada em dezembro de 2025, segue o calendário anual que a agência mantém em sintonia com a Organização Mundial da Saúde: a cada ano, enquanto o vírus muta e se adapta, os imunizantes precisam ser reformulados para acompanhar.

O trabalho começa na OMS, que monitora constantemente quais subtipos de influenza estão circulando com maior frequência ao redor do mundo. Essa vigilância é essencial porque o vírus não fica parado. Ele muda, evolui, encontra brechas nas defesas que o corpo desenvolveu contra versões anteriores. Uma vacina que funcionava perfeitamente contra a cepa do ano passado pode perder eficácia se o vírus tiver se transformado significativamente. Por isso, a composição das vacinas não é fixa — é um alvo móvel que precisa ser recalibrado anualmente.

Para o Brasil em 2026, a partir de 1º de fevereiro, as vacinas trivalentes (aquelas com três componentes) deverão conter cepas similares a A/Missouri/11/2025 (H1N1)pdm09, A/Singapore/GP20238/2024 (H3N2) e B/Austria/1359417/2021 da linhagem Victoria. As versões quadrivalentes — que protegem contra quatro variantes — adicionam a cepa B/Phuket/3073/2013 da linhagem Yamagata. Há também as vacinas não baseadas em ovos, que usam cepas ligeiramente diferentes: A/Missouri/11/2025, A/Sydney/1359/2024 e a mesma B/Austria/1359417/2021. Todos esses imunizantes receberão rótulos identificando-os como "CEPAS 2026 HEMISFÉRIO SUL".

Para campanhas específicas do Ministério da Saúde em regiões determinadas do país, a Anvisa também autoriza vacinas com cepas recomendadas para o hemisfério norte — um conjunto ligeiramente diferente que reflete a circulação viral naquele lado do planeta. Essas versões trarão a identificação "CEPAS 2025-2026 HEMISFÉRIO NORTE".

Um ponto de atenção emerge nas vacinas quadrivalentes. A OMS recomendou que a partir de 2027 essas versões sejam descontinuadas. A razão é simples: a cepa B/Yamagata, que só existe nas vacinas quadrivalentes, não tem registros confirmados de circulação natural desde 2020. Se o vírus não está mais circulando naturalmente, proteger contra ele torna-se menos prioritário. Porém, a OMS reconhece que cada país pode precisar de um período de transição antes de fazer essa mudança.

O Brasil decidiu manter as vacinas quadrivalentes ao longo de 2026. A razão também é prática: o mercado não está igualmente abastecido de versões trivalentes e quadrivalentes. Uma retirada imediata das quadrivalentes comprometeria a cobertura vacinal em âmbito nacional, tanto na rede pública quanto na privada. Alguns fornecedores têm mais estoque de um tipo que do outro. Forçar a descontinuação agora criaria um vazio que poderia deixar pessoas sem acesso a qualquer versão do imunizante. Por isso, a Anvisa optou pela cautela: manter ambas as opções disponíveis em 2026 e avaliar a transição com mais cuidado.

Essa decisão reflete uma tensão permanente na saúde pública: seguir as recomendações científicas globais é importante, mas implementá-las de forma abrupta pode prejudicar exatamente o que se quer proteger — a cobertura vacinal da população. A Anvisa escolheu o caminho do equilíbrio, mantendo a oferta enquanto prepara o terreno para a mudança que virá.

A mudança da composição de cepas é fundamental para a eficácia da vacina, já que o vírus se adapta e sofre mutações
— Anvisa
A retirada imediata poderia comprometer a cobertura vacinal em âmbito nacional, tanto na rede pública quanto na privada
— Anvisa
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a composição da vacina muda todo ano? O vírus não deveria ser sempre o mesmo?

Model

O vírus é o mesmo tipo — influenza — mas ele não para de mutar. É como tentar acertar um alvo que se move. A OMS fica de olho em qual variante está circulando mais em cada hemisfério e recomenda que as vacinas sejam atualizadas para combater aquela versão específica.

Inventor

E se a vacina do ano passado não funcionar bem em 2026?

Model

Exatamente esse é o risco. Se o vírus tiver mudado muito, uma vacina antiga perde eficácia. Por isso a Anvisa publica a composição nova todo ano — para que os fabricantes tenham tempo de produzir imunizantes que protejam contra as cepas que realmente estão circulando.

Inventor

Entendi. Mas por que o Brasil não descontinua as vacinas quadrivalentes agora, se a OMS recomenda?

Model

Porque a recomendação é global, mas a realidade de cada país é diferente. No Brasil, alguns fornecedores têm mais estoque de quadrivalentes que de trivalentes. Se parar de oferecer quadrivalentes de repente, algumas pessoas podem ficar sem acesso a nenhuma vacina.

Inventor

Então é uma questão de abastecimento?

Model

Principalmente. A Anvisa analisou o mercado e viu que não há estoque suficiente de trivalentes para substituir as quadrivalentes de uma hora para outra. Manter ambas em 2026 dá tempo para os fornecedores se reorganizarem.

Inventor

Isso significa que em 2027 as quadrivalentes desaparecem?

Model

Provavelmente, mas a Anvisa ainda vai avaliar. A recomendação da OMS é clara, mas cada país tem autonomia para decidir seu próprio cronograma de transição. O Brasil está sendo pragmático: segue a ciência, mas sem criar um buraco na cobertura vacinal.

Fale Conosco FAQ