36,2% das brasileiras sofrem sintomas intensos, o dobro da média global
Em junho de 2026, a Anvisa abriu um novo capítulo no cuidado com a saúde feminina ao aprovar o Veoza, primeiro medicamento não hormonal desenvolvido especificamente para os sintomas vasomotores da menopausa. A decisão é especialmente significativa no Brasil, onde mais de um terço das mulheres entre 40 e 65 anos enfrenta ondas de calor e suores noturnos intensos — uma proporção muito acima da média mundial. Para as milhões que vivem com contraindicações à terapia hormonal tradicional, a aprovação não é apenas científica: é um alargamento das possibilidades de existir com mais dignidade nessa fase da vida.
- Mais de 36% das brasileiras entre 40 e 65 anos sofrem com sintomas vasomotores intensos, taxa mais que o dobro da média global, revelando uma urgência silenciosa e subestimada.
- Mulheres com histórico de câncer de mama, trombose ou doenças cardiovasculares estavam presas em um beco sem saída terapêutico — a reposição hormonal lhes era vedada, e alternativas eficazes simplesmente não existiam.
- O Veoza age diretamente no cérebro bloqueando a neurocinina B, a substância que desregula o termostato corporal na menopausa, reduzindo em 53% as ondas de calor em apenas quatro semanas de tratamento.
- A aprovação pela Anvisa, formalizada em resolução publicada no Diário Oficial, é o primeiro passo — mas o medicamento ainda não tem data de chegada às farmácias nem preço definido pela Cmed.
- Especialistas reforçam que o Veoza não substitui a reposição hormonal nem trata outros efeitos da menopausa, sendo uma alternativa específica que exige avaliação médica individualizada.
Em 22 de junho de 2026, a Anvisa aprovou o Veoza — nome comercial do fezolinetanto —, tornando-o o primeiro medicamento não hormonal registrado no Brasil especificamente para tratar ondas de calor e suores noturnos moderados a intensos na menopausa. A resolução foi publicada no Diário Oficial da União, marcando uma virada no arsenal terapêutico disponível para mulheres brasileiras.
O contexto nacional torna a aprovação ainda mais relevante. Enquanto a média global de mulheres com sintomas vasomotores intensos gira em torno de 15,6%, no Brasil esse número chega a 36,2% entre as mulheres de 40 a 65 anos — mais que o dobro. Para essas mulheres, as consequências vão além do desconforto físico: sono fragmentado, constrangimento social e queda na produtividade compõem um quadro que compromete seriamente a qualidade de vida.
O mecanismo do Veoza é radicalmente diferente dos tratamentos hormonais. Em vez de repor estrogênio, o medicamento bloqueia a neurocinina B no cérebro — substância que, sem o equilíbrio do estrogênio, dispara os episódios de calor súbito. Ensaios clínicos com mais de 1.800 mulheres em três continentes demonstraram redução média de 53% nas ondas de calor após apenas quatro semanas de uso.
A aprovação é especialmente importante para mulheres com contraindicações à terapia hormonal: aquelas com histórico de câncer de mama, tumores hormônio-dependentes, trombose, infarto ou AVC. Para elas, o Veoza representa uma saída concreta onde antes havia apenas ausência de opções. É preciso, porém, ter clareza sobre seus limites: o medicamento não trata perda óssea, secura vaginal nem outros efeitos da queda de estrogênio.
A chegada às farmácias ainda depende de etapas regulatórias. A Cmed precisa definir o preço antes do lançamento comercial, e nem a fabricante nem a agência estabeleceram um prazo. O que a aprovação garante, por ora, é que uma nova possibilidade existe — e que a decisão de usá-la deve ser construída em diálogo com um médico, considerando o histórico, os sintomas e as escolhas de cada mulher.
Em 22 de junho de 2026, a Anvisa registrou um medicamento que muda o cenário de tratamento para mulheres na menopausa. O Veoza, cujo princípio ativo é o fezolinetanto, é o primeiro fármaco não hormonal desenvolvido especificamente para combater ondas de calor e suores noturnos moderados a intensos. A aprovação saiu pela Resolução 2.430/2026 no Diário Oficial da União, abrindo uma porta que muitas mulheres brasileiras estavam esperando.
O timing importa aqui. Enquanto a maioria das mulheres em transição menopausal experimenta esses sintomas vasomotores com certa intensidade, no Brasil a situação é particularmente severa. Dados mostram que 36,2% das brasileiras entre 40 e 65 anos sofrem com ondas de calor e suores noturnos intensos — uma taxa mais que o dobro da média global de 15,6%. Para essas mulheres, o impacto vai além do incômodo físico: noites mal dormidas, constrangimento social, queda na produtividade. O novo medicamento chega em um contexto onde muitas precisam desesperadamente de alternativas.
O Veoza funciona de forma radicalmente diferente dos tratamentos hormonais tradicionais. Em vez de repor estrogênio, o medicamento age diretamente no cérebro, bloqueando a neurocinina B — uma substância responsável por regular o centro de temperatura corporal. Durante a menopausa, a queda de estrogênio rompe o equilíbrio natural entre esse hormônio e a neurocinina B, disparando os episódios de calor súbito e suor noturno. O Veoza interrompe essa cascata ao impedir que a neurocinina B se ligue aos seus receptores cerebrais. Os testes clínicos, que envolveram mais de 1.800 mulheres em mais de 180 locais na Europa, Estados Unidos e Canadá, demonstraram que em apenas quatro semanas de tratamento o medicamento reduzia em média 53% das ondas de calor diárias.
Mas é importante ser claro sobre o que o Veoza não faz. Ele não substitui a reposição hormonal, que permanece o tratamento padrão de primeira linha para sintomas vasomotores. O novo medicamento é uma alternativa específica — e crucial — para mulheres que não podem ou não desejam fazer terapia hormonal tradicional. Mulheres com histórico de câncer de mama, lesões precursoras ou de alto risco, tumores hormônio-dependentes, infarto, acidente vascular cerebral ou trombose têm contraindicações graves à reposição hormonal. Para elas, o Veoza oferece uma saída. O medicamento também não trata outros efeitos da queda de estrogênio, como perda de massa óssea e secura vaginal — sintomas que exigem abordagens diferentes.
A aprovação regulatória é apenas o primeiro passo de um processo mais longo. Ainda não há data definida para o lançamento comercial do Veoza nas farmácias brasileiras. A fabricante não informou quando o produto chegará ao mercado nem qual será seu preço. Esse intervalo entre aprovação e disponibilidade é comum e necessário: a Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) precisa analisar e definir o valor final ao consumidor, uma etapa que normalmente ocorre após a aprovação da Anvisa.
A decisão de usar o Veoza, como qualquer medicamento, deve ser individualizada. Um médico precisa avaliar o histórico de saúde da mulher, a intensidade dos sintomas, o impacto na qualidade de vida e as contraindicações específicas. Nem toda mulher na menopausa precisa de medicamentos. Algumas conseguem lidar com os sintomas através de mudanças de estilo de vida, outras optam pela reposição hormonal, outras ainda escolhem não fazer nenhum tratamento. O ponto central é que agora existe mais uma opção — e para muitas mulheres, essa opção pode ser a diferença entre uma transição menopausal tolerável e uma que compromete seriamente sua qualidade de vida.
Citas Notables
O Veoza surge como uma alternativa específica para quem não pode ou não deseja fazer a terapia hormonal tradicional— Informação da Anvisa sobre indicação do medicamento
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que esse medicamento é tão importante se a reposição hormonal já existe?
Porque milhões de mulheres não podem usar hormônios. Câncer de mama, trombose, infarto — essas contraindicações deixam muitas sem opção. O Veoza abre uma porta que estava fechada.
Como ele funciona diferente dos hormônios?
Não repõe nada. Age no cérebro, bloqueando a substância que causa o calor. É como desligar o alarme em vez de tentar equilibrar o termostato.
Quanto tempo leva para funcionar?
Quatro semanas. Os testes mostraram redução de 53% nas ondas de calor em um mês. Não é instantâneo, mas é significativo.
E os outros sintomas da menopausa? Secura vaginal, ossos frágeis?
Não trata. O Veoza é específico para ondas de calor e suores noturnos. Mulheres com outros sintomas precisam de abordagens diferentes.
Quando posso comprar?
Ainda não se sabe. A aprovação saiu, mas o preço precisa ser definido pela Cmed. Pode levar semanas ou meses.
Qual é o risco de esperar?
Nenhum específico do Veoza. Mas para mulheres sofrendo agora, cada noite mal dormida conta. A espera é o custo real.