Anvisa aprova vacina HPV nonavalente para cânceres de cabeça e pescoço

A aprovação potencialmente previne milhares de casos de cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço em população brasileira.
praticamente erradicou o câncer de colo de útero com essa versão
O diretor do Instituto Butantan cita o modelo australiano como referência para o salto tecnológico que o Brasil pode alcançar.

Em um passo que amplia as fronteiras da prevenção oncológica no Brasil, a Anvisa aprovou o uso da vacina HPV nonavalente para proteger contra cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço em pessoas de 9 a 45 anos. A decisão reconhece que o vírus HPV age além do aparelho reprodutivo, alcançando regiões do corpo que raramente figuram no imaginário coletivo sobre a doença. O horizonte aponta para a incorporação dessa proteção ao SUS, seguindo o exemplo australiano de uma sociedade que escolheu, coletivamente, tornar certos cânceres evitáveis.

  • A Anvisa expandiu oficialmente a indicação da vacina HPV nonavalente para incluir cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço — tumores que carregavam menos visibilidade pública, mas peso real na saúde da população.
  • O imunizante custa em média oitocentos reais por dose e está restrito à rede privada, criando uma barreira econômica que exclui a maior parte dos brasileiros da proteção recém-aprovada.
  • O Ministério da Saúde sinalizou intenção de levar a vacina nonavalente ao SUS, e o Instituto Butantan já constrói uma nova planta industrial capaz de produzir essa versão mais abrangente.
  • O modelo australiano, onde o câncer de colo de útero foi praticamente erradicado com vacinação em massa, é citado como referência concreta para o que o Brasil pode alcançar.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou uma nova indicação para a vacina HPV nonavalente, estendendo sua proteção a cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço — regiões do corpo que o imunizante ainda não cobria oficialmente. A decisão vale para pessoas entre 9 e 45 anos e se baseia na capacidade comprovada da vacina de gerar resposta imunológica contra os tipos virais responsáveis por esses tumores.

O esquema de vacinação varia conforme a idade: crianças e adolescentes de 9 a 14 anos recebem duas doses com intervalo de seis meses, enquanto maiores de 15 anos seguem um protocolo de três aplicações. Imunodeprimidos, independentemente da faixa etária, também recebem três doses. A vacinação é recomendada preferencialmente antes do início da vida sexual.

O obstáculo imediato é o acesso: a Gardasil 9 está disponível apenas na rede privada, com custo médio de oitocentos reais por dose. O Ministério da Saúde, no entanto, sinalizou intenção de incorporá-la ao SUS. O ministro Alexandre Padilha mencionou que uma nova fábrica em construção no Instituto Butantan abrirá caminho para essa transição.

O Butantan hoje produz a vacina quadrivalente, que protege contra quatro tipos do vírus e já está disponível na rede pública para grupos prioritários. A nova planta permitirá o salto para a versão nonavalente. O diretor do instituto, Esper Kallás, citou a Austrália como inspiração — país que praticamente erradicou o câncer de colo de útero ao adotar a vacina em larga escala. O próximo capítulo dependerá de decisões orçamentárias e políticas, mas a infraestrutura para torná-lo possível está sendo construída.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou uma nova indicação para a vacina contra o HPV nonavalente, expandindo sua proteção para além dos cânceres do colo do útero, vulva, vagina, pênis e ânus que já eram conhecidos. Agora a imunização também previne infecções persistentes pelos tipos oncogênicos do vírus responsáveis por cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço — uma extensão significativa do escopo de proteção que o imunizante oferecia.

A aprovação se baseia na capacidade comprovada da vacina de gerar uma resposta imunológica robusta contra os tipos virais que causam esses tumores. O medicamento é indicado para pessoas entre 9 e 45 anos, com esquemas vacinais que variam conforme a idade. Crianças e adolescentes de 9 a 14 anos recebem duas doses com intervalo de seis meses entre elas. A partir dos 15 anos, o protocolo muda para três aplicações: a segunda dois meses após a primeira, e a terceira seis meses depois do início do esquema. Pessoas imunodeprimidas, independentemente da idade dentro dessa faixa, também recebem três doses seguindo o mesmo cronograma. A vacinação é recomendada preferencialmente antes do início da vida sexual, uma vez que o vírus se transmite por contato sexual.

Atualmente, a Gardasil 9 está disponível apenas na rede privada, com custo médio de oitocentos reais por dose — um valor que coloca o imunizante fora do alcance de grande parte da população brasileira. O Ministério da Saúde, porém, sinalizou intenção de incorporar a vacina nonavalente ao Sistema Único de Saúde. Durante um evento no dia 9 de fevereiro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mencionou que uma nova fábrica de vacinas contra HPV em construção no Instituto Butantan abre caminho para modernizar o imunizante oferecido publicamente.

O Instituto Butantan atualmente produz a vacina quadrivalente, que protege contra quatro tipos do vírus: 6, 11, 16 e 18. Essa versão está disponível na rede pública para crianças e adolescentes de 9 a 19 anos e adultos até 45 anos que integrem grupos prioritários. A nova planta industrial não apenas aumentará a capacidade de produção da vacina quadrivalente, mas também permitirá o salto tecnológico para a versão nonavalente. Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan, citou a Austrália como modelo — o país praticamente erradicou o câncer de colo de útero ao adotar a vacina nonavalente em larga escala.

A aprovação da Anvisa abre perspectiva de proteção ampliada contra cânceres que historicamente recebem menos atenção que o câncer cervical, mas que representam uma carga significativa de doença. A incorporação dessa vacina ao SUS dependerá de decisões administrativas e orçamentárias do Ministério da Saúde, mas a infraestrutura produtiva está sendo preparada para tornar isso possível. O próximo passo é acompanhar se e quando a vacina nonavalente chegará às clínicas e postos de saúde públicos, e qual será o impacto dessa proteção expandida na incidência desses cânceres na população brasileira.

realizar um salto tecnológico da vacina quadrivalente para a nonavalente, seguindo o exemplo da Austrália, que praticamente erradicou o câncer de colo de útero
— Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan
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Inventor

Por que essa aprovação importa agora, se a vacina HPV já existia?

Model

Porque antes ela protegia principalmente contra cânceres do colo do útero. Agora protege também contra cânceres de garganta e pescoço — tumores que afetam homens e mulheres e que historicamente recebem menos atenção pública.

Inventor

E qual é a diferença entre a vacina que o SUS oferece hoje e essa nonavalente?

Model

A do SUS protege contra quatro tipos do vírus. A nonavalente protege contra nove. Mais cobertura significa menos tipos de HPV circulando sem proteção.

Inventor

Mas por que o Instituto Butantan está construindo uma fábrica nova?

Model

Porque a produção atual não dá conta. Se o Brasil quer oferecer a nonavalente para 37 milhões de pessoas entre 9 e 45 anos, precisa de capacidade industrial muito maior. A fábrica nova resolve isso.

Inventor

Quanto custa hoje para quem quer se vacinar?

Model

Oitocentos reais por dose na rede privada. Para um esquema completo, pode chegar a dois mil e quatrocentos reais. É inacessível para a maioria.

Inventor

A Austrália conseguiu erradicar o câncer de colo de útero. Isso é realista para o Brasil?

Model

É ambicioso, mas possível. A Austrália começou cedo com cobertura alta. O Brasil teria que fazer o mesmo — vacinar a maioria das crianças e adolescentes antes da exposição ao vírus.

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