Anvisa aprova primeiro remédio não hormonal para ondas de calor na menopausa

Primeira opção não hormonal feita especificamente para esse sintoma
O fezolinetanto marca uma mudança no tratamento de ondas de calor para mulheres que não podem usar reposição hormonal.

Por décadas, mulheres na menopausa que não podiam recorrer à reposição hormonal encontravam poucas saídas diante das ondas de calor e dos suores noturnos. A Anvisa aprovou nesta segunda-feira o fezolinetanto — batizado comercialmente de Veoza —, primeiro medicamento não hormonal indicado especificamente para esses sintomas no Brasil, abrindo caminho para pacientes com histórico de câncer de mama, infarto ou trombose. A ciência chegou ao mecanismo pela raiz: bloquear a neurocinina B no hipotálamo, a substância que, sem estrogênio, passa a disparar o calor em excesso. É um passo modesto, mas significativo, na longa história da medicina tentando acompanhar o corpo feminino.

  • Mulheres com contraindicação à terapia hormonal viviam há anos sem alternativa eficaz para os fogachos — antidepressivos usados fora de bula eram o recurso mais comum, com resultados limitados.
  • A aprovação do fezolinetanto pela Anvisa rompe esse vazio terapêutico ao oferecer um mecanismo inédito no país: o bloqueio direto da neurocinina B, substância que desregula o controle de temperatura no cérebro durante a menopausa.
  • Mais de três mil mulheres participaram dos estudos clínicos na Europa, Estados Unidos e Canadá, com resultados que demonstraram redução na frequência e intensidade dos fogachos e sem evidências de lesão hepática grave.
  • Especialistas celebram a novidade, mas alertam: o medicamento trata ondas de calor e suores noturnos, não os demais efeitos da queda de estrogênio, como perda óssea e secura vaginal.
  • O remédio ainda não chegou às farmácias — a Astellas Farma não divulgou data de lançamento nem preço, que será definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos.

A Anvisa aprovou nesta segunda-feira o fezolinetanto, que será comercializado como Veoza pela Astellas Farma. É a primeira opção não hormonal aprovada no Brasil especificamente para ondas de calor e suores noturnos de intensidade moderada a intensa na menopausa. Até agora, mulheres que não podiam recorrer à reposição hormonal contavam basicamente com antidepressivos prescritos fora de bula, com eficácia limitada.

O mecanismo do novo medicamento é direto: durante a menopausa, a queda de estrogênio faz a neurocinina B agir de forma exagerada no hipotálamo, região que regula a temperatura corporal, desencadeando os fogachos. O fezolinetanto bloqueia essa substância na origem. A aprovação se baseou em estudos com mais de três mil mulheres na Europa, Estados Unidos e Canadá, que demonstraram redução na frequência e intensidade dos episódios e perfil de segurança favorável, sem evidências de lesão hepática grave.

A novidade é especialmente relevante para grupos que não podem usar hormônios: mulheres com histórico de câncer de mama, tumores hormônio-dependentes, infarto, AVC ou trombose. Para essas pacientes, as alternativas eram escassas. A endocrinologista Lorena Lima Amato, doutora pela USP, destaca que a principal vantagem é justamente ampliar as possibilidades para quem não pode ou não deseja a terapia hormonal.

Há, porém, uma ressalva importante: o fezolinetanto trata especificamente as ondas de calor e os suores noturnos. Perda de massa óssea e secura vaginal, outros efeitos da queda de estrogênio, exigem abordagens distintas. O medicamento ainda não tem data de lançamento nem preço definido para o mercado brasileiro — essas etapas seguem agora para a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. A Anvisa reforça que a escolha do tratamento mais adequado deve sempre passar por consulta médica.

A Anvisa aprovou nesta segunda-feira um medicamento que muda o cenário de tratamento para mulheres na menopausa. O fezolinetanto, que será vendido sob o nome comercial Veoza pela Astellas Farma, é a primeira opção não hormonal aprovada no Brasil especificamente indicada para ondas de calor e suores noturnos de intensidade moderada a intensa. Até agora, as mulheres que não podiam ou não queriam fazer reposição hormonal tinham poucas alternativas — basicamente alguns antidepressivos prescritos fora de bula, com eficácia limitada.

O medicamento funciona de forma direta no cérebro. Durante a menopausa, a queda de estrogênio faz com que uma substância chamada neurocinina B comece a agir de maneira exagerada no hipotálamo, a região responsável por regular a temperatura corporal. Esse desequilíbrio é o que desencadeia os episódios de calor intenso e suor noturno. O fezolinetanto bloqueia essa substância, interrompendo o mecanismo na raiz.

A aprovação se baseou em estudos clínicos robustos. Mais de três mil mulheres participaram dos testes na Europa, Estados Unidos e Canadá. Os resultados mostraram redução tanto na frequência quanto na intensidade dos fogachos, e o perfil de segurança foi considerado favorável — não houve evidências de lesão hepática grave relacionada ao uso do medicamento.

Para muitas mulheres, essa aprovação abre uma porta importante. A reposição hormonal continua sendo o tratamento padrão para esses sintomas, conforme explica Luciano de Melo Pompei, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Febrasgo. Mas há grupos significativos que não podem usá-la: mulheres com histórico de câncer de mama, lesões precursoras ou de alto risco para a doença, tumores hormônio-dependentes, além daquelas com antecedente de infarto, acidente vascular cerebral ou trombose. Para essas pacientes, as opções eram limitadas.

A endocrinologista Lorena Lima Amato, doutora pela USP, vê no fezolinetanto principalmente uma expansão de possibilidades. A principal vantagem, segundo ela, é oferecer uma alternativa real para mulheres que não podem ou não desejam fazer terapia hormonal. Mas há uma ressalva importante: o medicamento trata especificamente as ondas de calor e suores noturnos. Não funciona para outros efeitos da queda de estrogênio, como perda de massa óssea e secura vaginal, que exigem abordagens diferentes.

Apesar da aprovação pela Anvisa já estar concretizada, o medicamento ainda não chegou às prateleiras das farmácias. A Astellas Farma não divulgou data para o lançamento comercial nem estabeleceu preço para o mercado brasileiro. O valor será definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, processo que se inicia após a aprovação regulatória — que agora já ocorreu. A agência reguladora reforça que, mesmo com essa nova opção disponível, a decisão sobre qual tratamento é mais adequado deve ser sempre tomada em consulta com o médico.

A principal vantagem do fezolinetanto é ampliar as opções de tratamento para mulheres que não podem ou não desejam fazer terapia hormonal
— Lorena Lima Amato, endocrinologista e doutora pela USP
O medicamento não trata outros efeitos da queda do estrogênio na menopausa, como a perda de massa óssea e a secura vaginal
— Lorena Lima Amato
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que esse medicamento é tão diferente do que existia antes?

Model

Porque até agora, se uma mulher não podia tomar hormônio — por causa de câncer de mama, por exemplo — ela tinha basicamente antidepressivos, que não foram nem desenvolvidos para isso. Agora há algo feito especificamente para o mecanismo que causa os fogachos.

Inventor

Como ele funciona no corpo?

Model

Age no cérebro, no hipotálamo. Bloqueia uma substância chamada neurocinina B que fica descontrolada quando o estrogênio cai. É bem direto: identifica o problema e o interrompe.

Inventor

Os testes foram rigorosos?

Model

Sim. Mais de três mil mulheres em três continentes. Mostraram que reduz tanto a frequência quanto a intensidade dos fogachos, e o fígado não sofre danos graves — era uma preocupação legítima.

Inventor

Mas ele resolve tudo na menopausa?

Model

Não. Só os fogachos e suores noturnos. A perda óssea, a secura vaginal, outros sintomas — isso precisa de outras estratégias. É importante ser honesto sobre isso.

Inventor

Quando as mulheres conseguem comprar?

Model

Ainda não se sabe. A Anvisa aprovou, mas a empresa não marcou data de lançamento nem preço. Isso ainda vai passar por regulação de preços antes de chegar à farmácia.

Inventor

Para quem isso muda a vida?

Model

Para mulheres que têm contraindicação à reposição hormonal — câncer de mama, infarto anterior, trombose. Elas estavam presas entre sofrer com os sintomas ou arriscar a saúde com hormônio. Agora têm uma terceira opção.

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