Anvisa aprova primeiro medicamento não hormonal para sintomas de menopausa

Melhora na qualidade de vida de milhares de mulheres que sofrem com sintomas vasomotores intensos durante a menopausa e não podem usar reposição hormonal.
Uma alternativa real para quem nunca teve uma
O fezolinetanto oferece opção concreta a mulheres que não podem usar reposição hormonal durante a menopausa.

Por décadas, mulheres que não podiam recorrer à reposição hormonal enfrentavam a menopausa com poucas ferramentas à disposição. A Anvisa acaba de mudar esse cenário ao aprovar o fezolinetanto, primeiro medicamento não hormonal desenvolvido especificamente para tratar ondas de calor e suores noturnos — sintomas que afetam até 80% das mulheres entre 40 e 65 anos. A decisão não é apenas regulatória: é um reconhecimento tardio, mas concreto, de que o sofrimento silencioso de milhares de mulheres merecia uma resposta à altura.

  • Até 80% das mulheres na menopausa sofrem com ondas de calor e suores noturnos que comprometem o sono, o trabalho e o equilíbrio emocional.
  • Mulheres com histórico de câncer de mama, trombose ou outras contraindicações ficavam sem alternativa real ao tratamento hormonal — até agora.
  • O fezolinetanto age diretamente no hipotálamo, restaurando o equilíbrio químico desfeito pela queda dos estrogênios e reduzindo frequência e intensidade dos episódios.
  • A Anvisa aprovou o Veoza como o primeiro medicamento não hormonal no Brasil desenhado especificamente para esses sintomas, encerrando uma lacuna histórica.
  • O próximo desafio é o acesso: preço, cobertura por planos de saúde e incorporação ao sistema público definirão quem de fato se beneficiará da aprovação.

Na segunda-feira, a Anvisa aprovou o fezolinetanto — nome comercial Veoza, desenvolvido pela Astellas Farma — como o primeiro tratamento não hormonal no Brasil voltado especificamente para ondas de calor e suores noturnos na menopausa. Um comprimido diário que oferece, pela primeira vez, uma alternativa concreta para mulheres que não podem ou não toleram a reposição hormonal, até então considerada o padrão-ouro.

O problema que o medicamento enfrenta é vasto: até 80% das mulheres entre 40 e 65 anos convivem com sintomas vasomotores que vão além do incômodo físico — perturbam o sono, a concentração, a vida social e o bem-estar psicológico. Durante décadas, quem tinha contraindicações hormonais, como histórico de câncer de mama ou trombose, dispunha de poucas saídas, nenhuma tão direta quanto esta.

O mecanismo do fezolinetanto é preciso: antes da menopausa, estrogênios e neurocinina B mantêm o hipotálamo calibrado. Com a queda hormonal, esse equilíbrio se rompe e o hipotálamo passa a interpretar a temperatura corporal de forma equivocada, disparando os episódios de calor. O novo fármaco age para restaurar esse equilíbrio, reduzindo tanto a frequência quanto a intensidade das crises.

Nilson Roberto de Melo, presidente da Associação Brasileira de Climatério, descreveu a aprovação como um marco na saúde feminina — não apenas pelo alívio físico, mas pela dignidade que representa permitir que mulheres atravessem essa fase da vida com mais conforto e equilíbrio.

A aprovação regulatória é o primeiro passo. O que virá a seguir — preço, cobertura por planos de saúde, acesso pelo sistema público — determinará o alcance real dessa mudança. Mas para mulheres que passaram anos sem opções, a porta agora está aberta.

Na segunda-feira, a Anvisa deu seu aval a um medicamento que muda o jogo para mulheres na menopausa. O fezolinetanto, vendido sob o nome comercial Veoza e desenvolvido pela Astellas Farma, é o primeiro tratamento não hormonal aprovado no Brasil especificamente para ondas de calor e suores noturnos. Trata-se de um comprimido diário — simples, direto, uma opção concreta para quem não consegue ou não pode usar a reposição hormonal, que até agora era considerada o padrão-ouro para esses sintomas.

O contexto importa aqui. Até 80% das mulheres entre 40 e 65 anos enfrentam ondas de calor e suores noturnos durante a menopausa. Esses sintomas vasomotores não são apenas incômodos — afetam profundamente o sono, o trabalho, a vida social, o bem-estar psicológico. E durante décadas, as mulheres que não podiam tomar hormônios tinham poucas alternativas. Algumas classes de medicamentos ofereciam alívio parcial, mas nada tão direto quanto isso.

O mecanismo é elegante. Antes da menopausa, existe um equilíbrio delicado entre os estrogênios produzidos pelos ovários e uma substância química cerebral chamada neurocinina B. Esse equilíbrio mantém o hipotálamo — o centro de controle de temperatura do corpo — funcionando normalmente. Quando os estrogênios caem durante a menopausa, esse equilíbrio desmorona. O hipotálamo fica confuso, interpretando a temperatura corporal como mais alta do que realmente é, disparando ondas de calor e suores noturnos. O fezolinetanto trabalha para restaurar esse equilíbrio, reduzindo tanto a frequência quanto a intensidade desses episódios.

Nilson Roberto de Melo, presidente da Associação Brasileira de Climatério, vê isso como um marco. Ele descreve a aprovação como um avanço crucial na saúde feminina, respondendo a uma necessidade que foi historicamente negligenciada. Segundo ele, o novo medicamento não apenas alivia os sintomas físicos — os calorões e os suores que interrompem o sono e esgotam a energia — mas também contribui para um bem-estar psicológico mais equilibrado. Há uma dignidade nisso, na ideia de que as mulheres possam viver essa fase da vida com mais conforto.

A aprovação abre uma porta para milhares de mulheres. Algumas não toleram hormônios. Outras têm contraindicações médicas — histórico de câncer de mama, trombose, ou outras condições que tornam a reposição hormonal arriscada. Para essas mulheres, o fezolinetanto oferece algo que não tinham antes: uma alternativa real, baseada em evidências, que funciona de forma diferente e específica. Não é um remédio genérico para ansiedade ou depressão adaptado para menopausa. É um medicamento desenhado para o problema exato que essas mulheres enfrentam.

O que vem a seguir é a questão prática: acesso. A aprovação regulatória é o primeiro passo. Agora depende de como o medicamento será incorporado ao sistema de saúde, qual será seu preço, se será coberto por planos de saúde. Mas a porta está aberta. E para mulheres que passaram anos suportando sintomas que ninguém parecia levar a sério, isso é significativo.

A aprovação representa um avanço crucial na saúde da mulher, respondendo a uma necessidade significativa e muitas vezes subestimada enfrentada por milhares de mulheres na menopausa
— Nilson Roberto de Melo, presidente da Associação Brasileira de Climatério
O novo medicamento trará benefícios substanciais para as pacientes, não apenas aliviando os calorões e suores noturnos que afetam profundamente a qualidade de vida, mas também contribuindo para um bem-estar psicológico mais equilibrado
— Nilson Roberto de Melo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que isso importa agora? Mulheres têm menopausa há séculos.

Model

Verdade, mas até agora quem não podia tomar hormônios estava preso a opções ruins ou nenhuma opção. Este medicamento foi desenhado especificamente para o problema — não é um desvio de algo feito para outra coisa.

Inventor

E como funciona diferente da reposição hormonal?

Model

A reposição hormonal repõe o estrogênio que o corpo perdeu. Este medicamento não faz isso. Ele trabalha no cérebro, restaurando o equilíbrio entre estrogênio e uma substância chamada neurocinina B, para que o hipotálamo pare de disparar falsas ondas de calor.

Inventor

Então é menos arriscado?

Model

Potencialmente, sim. Não contém hormônios, então mulheres com histórico de câncer de mama ou trombose — contraindicações para hormônios — podem usá-lo. Mas isso ainda precisa ser visto na prática, com mais mulheres usando.

Inventor

Quantas mulheres estamos falando?

Model

Até 80% das mulheres entre 40 e 65 anos têm esses sintomas. Nem todas precisarão do medicamento, mas muitas que sofrem sem opções agora têm uma.

Inventor

O que muda para uma mulher que toma isso?

Model

Menos ondas de calor, menos suores noturnos, melhor sono, menos fadiga. E psicologicamente — a sensação de que alguém finalmente levou seu problema a sério o suficiente para criar uma solução.

Inventor

Qual é o risco agora?

Model

Que fique caro demais, ou que não seja coberto pelos planos. A aprovação regulatória é só o começo.

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