Anvisa amplia faixa etária da vacina contra VSR para maiores de 18 anos

VSR pode ser fatal para crianças e idosos, causando bronquiolite e pneumonia; pessoas com doenças crônicas enfrentam risco significativamente elevado de hospitalização.
O risco de infecção grave é muito baixo em adultos saudáveis
Especialista alerta que a vacina deve seguir critérios médicos, não sendo indicada para população geral.

Em um momento em que o vírus sincicial respiratório circula com intensidade crescente no Brasil, a Anvisa ampliou a indicação da vacina Arexvy para todos os maiores de 18 anos — antes restrita a idosos e adultos com comorbidades. A decisão, fundamentada em estudos que comprovaram resposta imune equivalente em adultos jovens, não significa que qualquer pessoa deva se vacinar, mas que a escolha agora pode ser feita com orientação médica. A proteção mais urgente permanece voltada àqueles cujas condições de saúde tornam o encontro com o vírus potencialmente fatal.

  • O VSR já responde por quase 20% dos casos graves de síndrome respiratória aguda monitorados pela Fiocruz, sinalizando circulação intensa no país.
  • Pessoas com doenças crônicas como insuficiência cardíaca enfrentam risco até 7,6 vezes maior de hospitalização ao contrair o vírus — uma vulnerabilidade que a expansão da vacina busca endereçar.
  • A Anvisa publicou a ampliação no Diário Oficial após estudos mostrarem que adultos jovens desenvolvem resposta imune equivalente à de pessoas acima de 60 anos.
  • Especialistas alertam que a aprovação não é um convite à vacinação em massa: em adultos saudáveis, o risco de doença grave é baixo e a indicação deve seguir avaliação médica individualizada.
  • A dose única da Arexvy custa cerca de R$ 1.600 e está disponível apenas na rede privada, o que limita o alcance da nova indicação à população com acesso econômico.

A Anvisa ampliou nesta segunda-feira, 13 de abril, a indicação da vacina Arexvy contra o vírus sincicial respiratório para qualquer pessoa acima de 18 anos. Antes, o imunizante da GSK era restrito a idosos e adultos com mais de 50 anos portadores de comorbidades. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e se baseou em estudos clínicos de imunogenicidade comparativa, que demonstraram resposta imune em adultos jovens equivalente à observada em pessoas acima de 60 anos.

O VSR é o principal causador de bronquiolite e pneumonia, podendo ser fatal para crianças pequenas e idosos. Para adultos com doenças crônicas, o risco é ainda mais severo: quem vive com insuficiência cardíaca, por exemplo, tem chance até 7,6 vezes maior de ser hospitalizado ao contrair o vírus. A Arexvy, aprovada no Brasil em 2023, utiliza tecnologia de proteína recombinante e é aplicada em dose única — disponível apenas na rede privada, a cerca de R$ 1.600.

Esta é a segunda expansão da vacina em pouco tempo. Em novembro do ano anterior, a Anvisa já havia ampliado seu uso para pessoas acima de 50 anos com doenças cardiovasculares, diabetes, asma e DPOC. No cenário das vacinas contra o VSR, existe ainda a Abrysvo, da Pfizer, indicada para gestantes a partir da 28ª semana e oferecida pelo SUS para proteção dos recém-nascidos.

Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, celebra o avanço, mas faz um alerta: a nova indicação não é destinada à população geral. Em adultos saudáveis, o risco de infecção grave é baixo, e a vacinação deve seguir critérios médicos rigorosos. O momento, porém, é de atenção: dados do Instituto Todos pela Saúde apontam positividade de 14% para o VSR entre vírus monitorados, enquanto o InfoGripe, da Fiocruz, registra que 19,9% dos casos graves de síndrome respiratória aguda foram causados pelo vírus — sinalizando circulação expressiva na população.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária ampliou nesta segunda-feira, 13 de abril, o público que pode receber a vacina Arexvy contra o vírus sincicial respiratório. O imunizante, fabricado pela GSK, agora está liberado para qualquer pessoa acima de 18 anos — uma mudança significativa em relação às restrições anteriores, que limitavam seu uso a idosos e adultos com mais de 50 anos que apresentassem comorbidades.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e baseou-se em estudos clínicos adicionais de imunogenicidade comparativa. Segundo a Anvisa, esses estudos demonstraram que a resposta imune em adultos mais jovens não é inferior à observada em pessoas com mais de 60 anos, o que justificou a expansão. A vacina utiliza tecnologia de proteína recombinante — uma substância produzida em laboratório que imita a superfície do vírus e estimula a produção de anticorpos protetores.

O vírus sincicial respiratório é o principal causador da bronquiolite, uma doença que pode ser fatal para crianças pequenas e idosos, além de desencadear episódios de pneumonia. Para populações vulneráveis, o risco é particularmente elevado. Pessoas com mais de 50 anos que vivem com insuficiência cardíaca, por exemplo, têm um risco aumentado em até 7,6 vezes de hospitalização caso sejam infectadas pelo vírus. A Arexvy recebeu aprovação para uso no Brasil em 2023, mas permanece disponível apenas na rede privada, com uma dose única custando aproximadamente R$ 1.600.

Esta não é a primeira expansão de indicação da vacina. Em novembro do ano anterior, a Anvisa já havia ampliado seu uso para pessoas com mais de 50 anos que vivem com doenças cardiovasculares, diabetes, asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. A aprovação de hoje representa um passo adicional na proteção contra o vírus, especialmente considerando que existe uma segunda opção disponível: a vacina Abrysvo, da Pfizer, que já recebeu indicação para gestantes na 28ª semana de gravidez e é oferecida pelo Sistema Único de Saúde com o objetivo de proteger os bebês.

Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, ressalta que a aprovação reforça as opções de proteção para adultos, mas alerta para um ponto importante: a indicação para maiores de 18 anos deve seguir critérios médicos rigorosos. Ela explica que a vacina não é destinada à população geral, pois o risco de infecção grave pelo vírus sincicial respiratório em adultos saudáveis é muito baixo. A proteção é mais relevante para pessoas que vivem com doenças crônicas.

O contexto epidemiológico reforça a importância dessa decisão. Dados recentes mostram que a circulação de vírus respiratórios tem aumentado continuamente. Segundo o Instituto Todos pela Saúde, que avaliou informações de laboratórios privados entre 29 de março e 4 de abril, a positividade do vírus sincicial respiratório atingiu 14% entre os vírus monitorados. O boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz, que acompanha casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, indicou que 19,9% dos episódios foram causados pelo vírus sincicial respiratório. Esses números sugerem que a expansão da indicação chega em um momento em que o vírus circula com intensidade considerável na população.

A ampliação da indicação para adultos a partir de 18 anos foi sustentada por estudos clínicos adicionais de imunogenicidade comparativa
— Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
Não é para a população geral, porque o risco de infecção grave pelo VSR, com hospitalização, no adulto saudável é muito baixo
— Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a Anvisa decidiu ampliar a faixa etária justamente agora, se a vacina já estava aprovada desde 2023?

Model

Os estudos clínicos adicionais de imunogenicidade comparativa levaram tempo para ser completados e analisados. A agência só expande indicações quando há evidência sólida de que a vacina funciona bem em novos grupos etários. Neste caso, comprovaram que adultos mais jovens respondem tão bem quanto os idosos.

Inventor

Mas se funciona bem em adultos saudáveis, por que Flávia Bravo diz que não é para a população geral?

Model

Porque o risco de doença grave pelo vírus sincicial respiratório em um adulto saudável é muito baixo. A vacina protege, sim, mas o benefício real está em quem tem maior chance de complicações — pessoas com doenças crônicas, insuficiência cardíaca, diabetes. Para um adulto sem essas condições, o risco-benefício não justifica o custo e a necessidade de vacinação.

Inventor

E quanto ao preço? R$ 1.600 é muito para a maioria das pessoas.

Model

É um fator real. A vacina está apenas na rede privada por enquanto. Diferente da Abrysvo, que a Pfizer conseguiu colocar no SUS para gestantes, a Arexvy ainda não tem essa cobertura pública. Isso limita o acesso a quem pode pagar.

Inventor

Os números de circulação do vírus — 14% a 19,9% — são altos?

Model

São números significativos. Mostram que o vírus sincicial respiratório está circulando bastante neste momento. Isso torna a decisão da Anvisa mais relevante, porque há vírus em circulação ativa. Mas ainda assim, para um adulto saudável, a infecção grave é rara.

Inventor

Então a vacina é mais para tranquilidade do que para necessidade real em adultos jovens?

Model

Para adultos jovens saudáveis, sim, há um componente de tranquilidade. A necessidade real está em quem tem comorbidades. A aprovação ampla permite que médicos ofereçam a opção a qualquer maior de 18 anos, mas a recomendação clínica deve ser seletiva.

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