Anvisa alerta para risco de pancreatite em canetas antiobesidade

Seis mortes possivelmente relacionadas ao uso das canetas antiobesidade estão sob investigação pela Anvisa, com 145 notificações de eventos adversos registradas no Brasil desde 2020.
Dor abdominal intensa que irradia para as costas exige atendimento urgente
Sintomas de pancreatite aguda podem aparecer mesmo em usuários que vinham tolerando bem o medicamento.

Em um momento em que medicamentos para obesidade ganham uso cada vez mais amplo, a Anvisa emite um alerta que convida à prudência: as chamadas canetas antiobesidade — agonistas GLP-1 como semaglutida e tirzepatida — estão associadas a casos de pancreatite aguda, incluindo seis mortes sob investigação no Brasil. O alerta não revoga a confiança nesses tratamentos, mas lembra que toda ferramenta poderosa exige vigilância proporcional à sua força. A fronteira entre o benefício terapêutico e o risco grave, a agência sugere, passa necessariamente pelo acompanhamento médico criterioso.

  • Seis mortes possivelmente ligadas às canetas emagrecedoras estão sob investigação, e 145 notificações de eventos adversos foram registradas no Brasil desde 2020 — números que pressionaram a Anvisa a agir.
  • Dor abdominal intensa irradiando para as costas, náuseas e vômitos são sinais de alarme que exigem interrupção imediata do medicamento e atendimento de urgência, mesmo em pacientes sem histórico de problemas.
  • Médicos recebem orientação ainda mais rígida: suspender o tratamento ao primeiro sinal de suspeita, sem aguardar confirmação diagnóstica, e notificar casos pelo sistema VigiMed.
  • O uso fora das indicações clínicas aprovadas — especialmente para emagrecimento sem necessidade médica comprovada — é apontado como fator que amplifica significativamente o risco de complicações fatais.
  • Desde junho de 2025, receitas desses medicamentos já seguem controle reforçado, com duas vias obrigatórias e retenção pela farmácia, sinalizando uma trajetória regulatória de crescente cautela.

A Anvisa emitiu na semana passada um alerta direcionado a pacientes e profissionais de saúde sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso de canetas antiobesidade — dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida. A agência investiga seis mortes possivelmente ligadas a esses medicamentos e registrou 145 notificações de eventos adversos no país desde 2020, cinco anos após sua chegada ao mercado nacional.

Os sintomas que exigem atenção imediata são claros: dor abdominal intensa e persistente irradiando para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos. Qualquer paciente que os desenvolva deve buscar atendimento urgente e interromper o uso do medicamento até que a causa seja esclarecida. Se a pancreatite aguda for confirmada, o tratamento não deve ser retomado. Para médicos, a orientação é ainda mais direta: suspender ao primeiro sinal de suspeita, sem esperar diagnóstico, e registrar o caso no VigiMed.

A dimensão internacional do problema ajuda a contextualizar a preocupação. No Reino Unido, a autoridade reguladora acumulou 1.296 notificações de pancreatite relacionadas a esses medicamentos entre 2007 e outubro de 2025, com 19 óbitos registrados. A Anvisa, no entanto, reafirma que os benefícios terapêuticos superam os riscos conhecidos quando o uso segue as indicações da bula e conta com acompanhamento médico regular. O risco cresce de forma significativa quando os medicamentos são usados fora das indicações aprovadas, sobretudo para emagrecimento sem necessidade clínica comprovada.

Este alerta se soma a outros emitidos nos últimos anos: em 2024, a agência alertou sobre riscos de aspiração em procedimentos anestésicos; em 2025, sobre casos raros de perda de visão associados à semaglutida. Desde junho do mesmo ano, as prescrições dessas canetas passaram a exigir duas vias e retenção da receita pela farmácia — um sinal de que o monitoramento dessa classe terapêutica tende a se intensificar conforme seu uso se expande na população.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária emitiu um alerta na segunda-feira passada pedindo que pacientes e médicos interrompam imediatamente o uso de canetas antiobesidade assim que surgirem sinais de pancreatite aguda. A agência está investigando seis mortes possivelmente ligadas a esses medicamentos, com as investigações ainda em andamento.

As canetas em questão — dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida — são agonistas do receptor GLP-1, uma classe de medicamentos que regula a glicose no corpo. Embora o risco de pancreatite já constasse nas bulas aprovadas no Brasil, o número de notificações de eventos adversos graves tem crescido tanto no país quanto internacionalmente, levando a Anvisa a reforçar suas orientações de segurança. A agência deixou claro que essa medida não representa uma mudança na avaliação geral de risco e eficácia desses medicamentos.

Os sintomas que exigem atenção imediata são bem definidos: dor abdominal intensa e persistente que irradia para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos. Qualquer pessoa usando essas canetas que desenvolva esses sinais deve procurar atendimento médico urgentemente, mesmo que tenha estado usando o medicamento sem problemas até então. A Anvisa recomenda suspender o tratamento até que a causa dos sintomas seja esclarecida. Se o diagnóstico de pancreatite aguda for confirmado, o medicamento não deve ser retomado.

Para os profissionais de saúde, a orientação é ainda mais rigorosa: interromper o tratamento imediatamente ao primeiro sinal de suspeita de pancreatite, sem esperar confirmação diagnóstica. Os casos suspeitos devem ser comunicados através do VigiMed, o sistema oficial de farmacovigilância do país, que permite monitorar a segurança dos medicamentos e fundamentar futuras medidas regulatórias.

Os números revelam a dimensão do problema. No Reino Unido, a autoridade reguladora registrou 1.296 notificações de pancreatite relacionadas a esses medicamentos entre 2007 e outubro de 2025, incluindo 19 óbitos. No Brasil, de 2020 até dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos e seis casos com desfecho de morte. Esses medicamentos estão há pouco mais de cinco anos no mercado nacional, o que torna o monitoramento particularmente importante.

A Anvisa mantém sua posição de que esses medicamentos são seguros quando utilizados conforme as orientações da bula, com indicação adequada e acompanhamento médico regular. Os benefícios terapêuticos continuam sendo considerados superiores aos riscos conhecidos nessas circunstâncias. Porém, o uso fora das indicações aprovadas — particularmente para emagrecimento sem necessidade clínica comprovada — aumenta significativamente o risco de complicações graves, incluindo formas necrotizantes e fatais de pancreatite.

Em junho de 2025, a Anvisa já havia implementado controles mais rigorosos sobre a comercialização desses medicamentos. As prescrições agora são feitas em duas vias, e as farmácias devem reter a receita, assim como fazem com antibióticos. As receitas têm validade de até 90 dias a partir da emissão. Essa medida visa reduzir o uso indiscriminado e fortalecer o acompanhamento profissional durante o tratamento.

Este não é o primeiro alerta que a Anvisa emite sobre essa classe de medicamentos. Em 2024, a agência alertou sobre riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos, e em 2025 sobre perda de visão rara associada à semaglutida. O monitoramento constante dessa classe terapêutica reflete a importância de acompanhar esses medicamentos conforme ganham uso mais amplo na população.

Pacientes que apresentarem dor abdominal intensa e persistente, com irradiação para as costas, além de náuseas e vômitos, devem buscar atendimento médico imediatamente
— Anvisa
Caso o diagnóstico de pancreatite aguda seja confirmado, o medicamento não deve ser retomado pelo paciente
— Anvisa
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a Anvisa está emitindo esse alerta agora, se o risco de pancreatite já estava nas bulas?

Model

O risco estava documentado, mas as notificações de casos reais aumentaram significativamente. Seis mortes investigadas no Brasil e 1.296 casos no Reino Unido mostram que o problema não é apenas teórico — está acontecendo.

Inventor

Qual é a diferença entre usar essas canetas com prescrição médica e usar sem?

Model

Com acompanhamento médico regular, o médico consegue detectar sinais de pancreatite cedo e interromper o tratamento. Sem acompanhamento, a pessoa pode não reconhecer os sintomas até que seja tarde demais.

Inventor

Se alguém está tomando essas canetas para emagrecer sem indicação clínica, o risco é maior?

Model

Muito maior. Sem uma razão médica comprovada, os benefícios desaparecem, mas os riscos permanecem. É por isso que a Anvisa reforça tanto que o uso fora das indicações aprovadas eleva a probabilidade de eventos adversos graves.

Inventor

O que muda com a exigência de reter a receita nas farmácias?

Model

Torna mais difícil usar essas canetas sem supervisão médica contínua. Você não consegue mais comprar uma receita antiga ou compartilhada — cada compra deixa um rastro e exige uma prescrição recente.

Inventor

Se alguém tem pancreatite confirmada, pode voltar a usar depois que melhorar?

Model

Não. A Anvisa é clara: se o diagnóstico for confirmado, o medicamento não deve ser retomado. O risco de recorrência é muito alto.

Inventor

Por quanto tempo essas canetas estão no mercado brasileiro?

Model

Pouco mais de cinco anos. Isso significa que ainda estamos aprendendo sobre efeitos colaterais raros que só aparecem com uso mais amplo e prolongado.

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