Fico tranquila de estar mais segura rumo aos Jogos
Em um momento em que o esporte e a saúde pública se entrelaçam de forma incomum, o Brasil iniciou, em 14 de maio de 2021, a vacinação de sua delegação olímpica e paralímpica para os Jogos de Tóquio. O judoca Antônio Tenório, que semanas antes havia saído da UTI após enfrentar a Covid-19, tornou-se o símbolo dessa virada — o primeiro a receber a dose em uma operação simultânea em seis capitais. A iniciativa revela não apenas a urgência logística de proteger atletas, mas também a tensão moral de um país que vacina seus campeões enquanto ainda debate como alcançar toda a sua população.
- Um judoca que saiu da UTI há apenas um mês foi o primeiro vacinado — a delegação olímpica brasileira começa sua proteção contra a Covid-19 com uma história de sobrevivência.
- A operação ocorre simultaneamente em seis capitais, envolvendo três ministérios e as Forças Armadas, revelando a escala política e logística do esforço.
- O debate sobre a prioridade da vacinação olímpica em meio à crise sanitária nacional paira sobre o processo, que tenta se legitimar com uma contrapartida de 7 mil doses à população.
- Atletas como Rosângela Santos expressam alívio, mas a segunda dose ainda está por vir — e Tóquio, com todas as suas incertezas, se aproxima no horizonte.
Na manhã de 14 de maio de 2021, o Brasil deu início à vacinação de sua delegação para os Jogos de Tóquio. O primeiro a receber a dose foi Antônio Tenório, judoca paralímpico multicampeão que, apenas um mês antes, havia saído da UTI após contrair Covid-19. Em São Paulo, no Centro de Treinamento Paralímpico, ele foi o símbolo de uma operação que acontecia ao mesmo tempo em Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre e Belo Horizonte.
No Rio, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, aplicou pessoalmente as primeiras doses, começando pela maratonista aquática Ana Marcela Cunha e pelo remador paralímpico Michel Pessanha. Lideranças do Comitê Olímpico do Brasil acompanharam o processo nas instalações do Exército. Ao longo do dia, outros atletas foram vacinados — entre eles a nadadora Larissa Oliveira, o arqueiro Marcus Vinícius D'Almeida e o canoísta Caio Ribeiro.
Ao todo, cerca de 1.800 credenciados receberiam doses de Pfizer e CoronaVac — atletas, paratletas, membros de comissões técnicas e jornalistas. A velocista Rosângela Santos, medalhista em Pequim, resumiu o sentimento coletivo: 'Fico tranquila de estar mais segura', disse ela, aguardando a segunda dose antes de embarcar para o Japão.
Para além da delegação, o governo anunciou que cerca de 7 mil doses adicionais seriam repassadas ao Programa Nacional de Imunização — uma contrapartida simbólica em meio ao debate sobre a prioridade dos atletas numa campanha de vacinação ainda em curso para toda a população brasileira.
Na sexta-feira, 14 de maio, o Brasil começou a vacinar sua delegação para os Jogos de Tóquio. O primeiro a receber a injeção foi Antônio Tenório, judoca paralímpico multicampeão, que apenas um mês antes havia saído da UTI após lutar contra a Covid-19. A vacinação acontecia simultaneamente em seis cidades — Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre e Belo Horizonte — em uma operação coordenada pelos Comitês Olímpico e Paralímpico do Brasil junto aos Ministérios da Saúde, Defesa e Cidadania.
Ao todo, cerca de 1.800 pessoas credenciadas para os Jogos receberiam as doses: atletas, paratletas, membros das comissões técnicas, oficiais e jornalistas. Em São Paulo, o Centro de Treinamento Paralímpico serviu como local de aplicação, onde Tenório marcou presença como primeiro da fila. No Rio, a operação ganhou destaque político. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, aplicou pessoalmente as primeiras doses, começando com a maratonista aquática Ana Marcela Cunha e o remador paralímpico Michel Pessanha, pouco depois das 11 da manhã. Paulo Wanderley, presidente do Comitê Olímpico do Brasil, e Marco Antônio La Porta, vice-presidente e chefe de missão para Tóquio, acompanharam o processo no Centro de Capacitação Física do Exército.
Outros atletas passaram pela vacinação naquele dia no Rio: a nadadora Larissa Oliveira, o arqueiro Marcus Vinícius D'Almeida e o canoísta paralímpico Caio Ribeiro. A velocista Rosângela Santos, que conquistou ouro olímpico em Pequim 2008 no revezamento 4x100 metros, expressou alívio com a proteção adicional enquanto se preparava para os Jogos. "Ainda estou em preparação, ainda tem muita competição pela frente. Fico tranquila de estar mais segura", disse ela, aguardando a segunda dose com ansiedade antes de partir para Tóquio em busca de uma medalha para o Brasil.
O Brasil receberia 4.050 doses da vacina Pfizer e aproximadamente 8 mil doses da CoronaVac para esta operação. Segundo Queiroga, a quantidade era suficiente não apenas para imunizar a delegação, mas também para atender a população brasileira como contrapartida. Cerca de 7 mil doses adicionais — o bastante para vacinar aproximadamente 3.500 pessoas — seriam repassadas ao Programa Nacional de Imunização, permitindo que o público geral tivesse acesso a elas.
A vacinação da delegação olímpica havia sido tema de debate meses antes. Em março, militares atletas brasileiros já haviam sido incluídos como grupo prioritário das Forças Armadas conforme diretrizes do Ministério da Saúde. O Comitê Olímpico sempre afirmou que seguiria o Programa Nacional de Imunização, mas agora cabia ao próprio COB elaborar a lista final dos nomes que viajariam para Tóquio. A operação utilizava instalações das Forças Armadas em seis capitais, além do Centro de Treinamento do Time Brasil no Maria Lenk, no Rio de Janeiro. Com Tenório vacinado e a máquina em movimento, o Brasil se preparava para enviar sua delegação protegida aos Jogos.
Citas Notables
Ainda estou em preparação para os Jogos, ainda tem muita competição pela frente. Fico tranquila de estar mais segura.— Rosângela Santos, velocista e medalhista olímpica
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Antônio Tenório foi escolhido como o primeiro?
Ele é um judoca paralímpico multicampeão e havia acabado de se recuperar da Covid-19 após semanas na UTI. Talvez tenha sido uma escolha simbólica — alguém que enfrentou a doença e agora se protegia para competir.
A vacinação era só para atletas?
Não. Cerca de 1.800 pessoas credenciadas foram vacinadas — atletas, paratletas, comissões técnicas, oficiais, jornalistas. Mas o Brasil também repassou 7 mil doses à população como contrapartida.
Isso foi controverso?
Havia tensão. O COB sempre disse que seguiria o Programa Nacional de Imunização, mas no fim foi o próprio comitê que fez a lista de quem iria. Militares atletas já tinham prioridade desde março.
Qual era o tamanho da delegação?
Cerca de 1.800 credenciados no total. Mas a operação foi maior — o Brasil recebeu doses de Pfizer e CoronaVac suficientes para vacinar também a população.
Como os atletas se sentiam?
Rosângela Santos, por exemplo, disse que ficava tranquila de estar mais segura enquanto se preparava. Havia ansiedade pela segunda dose antes de partir para Tóquio.
Isso garantia que iriam bem nos Jogos?
Não. A vacinação era proteção contra a doença, não contra o desempenho. Mas permitia que treinassem e competissem com menos risco.