Ana Paula Vescovi deixa Santander Brasil após sete anos como economista-chefe

O que permanece é a forma como pensamos e construímos confiança
Reflexão de Vescovi ao encerrar sete anos liderando pesquisa econômica do Santander Brasil.

Após sete anos navegando as tempestades econômicas do nosso tempo — pandemia, inflação global e aperto monetário histórico —, Ana Paula Vescovi encerra seu ciclo como economista-chefe do Santander Brasil. Sua trajetória, que une 25 anos de serviço público a uma passagem marcante pelo setor privado, lembra que as instituições são moldadas pelas pessoas que as habitam. A saída ocorre num momento em que o próprio banco se reinventa, preparando-se para receber um novo presidente em julho e aprofundar sua transformação digital.

  • Uma das vozes econômicas mais influentes do sistema financeiro brasileiro deixa o Santander sem que um economista de carreira assuma seu lugar — a área será absorvida por um diretor financeiro.
  • A saída coincide com uma reestruturação ampla no banco: fechamento de agências, expansão digital e troca de CEO em julho criam um ambiente de incerteza sobre os rumos estratégicos da instituição.
  • Vescovi anunciou a partida pelas redes sociais com tom reflexivo, sinalizando uma transição planejada e sem rupturas, mas deixando em aberto seu próximo passo profissional.
  • A chegada de Gilson Finkelsztain, atual CEO da B3, à presidência do Santander reforça a percepção de que o banco busca um perfil mais voltado ao mercado de capitais e à inovação do que à análise macroeconômica tradicional.

Ana Paula Vescovi deixou o Santander Brasil nesta segunda-feira, encerrando sete anos à frente da área de pesquisa econômica do banco. Sandro Sobral, até então diretor de gestão financeira, acumulará a liderança das duas áreas. Vescovi anunciou a saída pelo LinkedIn, refletindo sobre um período que atravessou eventos decisivos: a pandemia, o retorno da inflação global e um dos ciclos de aperto monetário mais intensos das últimas décadas.

Antes de ingressar no Santander em 2019, Vescovi construiu uma carreira de 25 anos no setor público. Ocupou posições centrais na política fiscal brasileira, como secretária-executiva do Ministério da Fazenda e secretária do Tesouro Nacional. No governo Temer, presidiu os conselhos da Caixa Econômica Federal e do Instituto de Resseguros do Brasil, além de ter sido secretária da Fazenda do Espírito Santo.

A saída se insere num momento de transformação mais ampla no Santander Brasil. O banco acelera o fechamento de agências e a expansão digital em busca de maior rentabilidade. Em julho, Mario Leão deixará a presidência, cedendo o posto a Gilson Finkelsztain, atual CEO da B3. A reorganização da área econômica, somada à nova liderança, aponta para um reposicionamento estratégico da instituição.

Vescovi também é colunista da Folha de S.Paulo. Sua partida encerra um ciclo de liderança intelectual no banco e abre questões sobre como o Santander conduzirá suas análises econômicas sob a nova gestão.

Ana Paula Vescovi encerrou seu trabalho no Santander Brasil nesta segunda-feira, encerrando um ciclo de sete anos como economista-chefe do banco. A instituição financeira agora confiará a liderança da área de pesquisa econômica a Sandro Sobral, que até então era diretor de gestão financeira e passará a acumular ambas as responsabilidades.

Vescovi, aos 57 anos, anunciou sua saída através das redes sociais, refletindo sobre o período intenso que atravessou no cargo. Durante seus sete anos no banco, ela acompanhou eventos que marcaram a economia global e brasileira: a pandemia de covid-19, o retorno da inflação em escala internacional, um dos ciclos mais rigorosos de aperto monetário das últimas décadas, transformações geopolíticas significativas e avanços tecnológicos que alteraram profundamente a forma como as pessoas produzem e consomem informação. Em sua mensagem no LinkedIn, ela destacou que embora os relatórios e cenários mudem com o tempo, o que permanece é a forma de pensar, trabalhar e construir relações de confiança ao longo dos anos.

A trajetória de Vescovi antes de chegar ao Santander em 2019 foi marcada por uma longa carreira no setor público. Durante 25 anos como servidora federal, ela ocupou posições de destaque na formulação e execução de políticas econômicas. Foi secretária-executiva do Ministério da Fazenda e secretária do Tesouro Nacional, dois dos cargos mais importantes da administração fiscal do país. Além disso, presidiu os conselhos de administração da Caixa Econômica Federal e do Instituto de Resseguros do Brasil durante o governo Michel Temer. Também atuou como secretária da Fazenda do estado do Espírito Santo, levando sua experiência para a gestão estadual.

A saída de Vescovi ocorre em um momento de transformações mais amplas no Santander Brasil. O banco está passando por uma reestruturação significativa que inclui o fechamento de agências físicas e uma expansão acelerada de suas operações digitais, uma estratégia voltada para melhorar a rentabilidade da instituição. Essas mudanças se intensificam com a transição de liderança que ocorrerá em julho, quando Mario Leão deixará a presidência do banco. Seu sucessor será Gilson Finkelsztain, que atualmente é CEO da B3, a bolsa de valores brasileira. A chegada de um novo presidente, combinada com a reorganização das áreas de pesquisa econômica, sinaliza um período de reposicionamento estratégico para a instituição.

Vescovi também é colunista da Folha de S.Paulo, contribuindo regularmente com análises sobre economia e política fiscal para o jornal. Sua saída marca o fim de uma era de liderança intelectual na pesquisa econômica do banco, deixando em aberto como a instituição conduzirá suas análises e projeções econômicas sob a nova gestão de Sobral.

Depois de sete anos, encerro meu ciclo no Santander Brasil. Foram anos de rara intensidade.
— Ana Paula Vescovi, em rede social
O que permanece é a forma como pensamos, trabalhamos e construímos relações de confiança ao longo do tempo.
— Ana Paula Vescovi, no LinkedIn
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que uma economista com essa trajetória deixa um banco agora, justamente quando as transformações digitais estão acelerando?

Model

Ela passou sete anos em um ambiente de crise contínua — pandemia, inflação, aperto monetário. Talvez tenha sido o ciclo que ela precisava viver naquele lugar. Às vezes, quando você termina um capítulo importante, é hora de virar a página.

Inventor

Mas ela tinha poder real no Santander? Era só análise ou influenciava decisões?

Model

Como economista-chefe, ela liderava a pesquisa econômica do banco. Isso significa que suas projeções e análises informavam estratégias de investimento, posicionamento de risco, comunicação com o mercado. Não é um cargo decorativo.

Inventor

E agora Sandro Sobral acumula duas funções — gestão financeira e pesquisa econômica. Isso não é um sinal de que o banco está enxugando custos?

Model

Pode ser. Ou pode ser que o banco esteja reorganizando estruturas para um modelo mais enxuto e digital. Quando você fecha agências e muda para operações digitais, você não precisa da mesma arquitetura de antes.

Inventor

Ela foi secretária do Tesouro. Isso não a torna mais valiosa agora, com a economia tão instável?

Model

Talvez. Mas também significa que ela conhece bem o lado público da moeda. Depois de 25 anos no governo, sete anos no banco podem ter sido suficientes para entender como o setor privado pensa. Ela pode estar buscando algo diferente.

Inventor

O que ela deixa para trás?

Model

Relatórios, análises, previsões — tudo isso fica. O que ela leva é a forma como pensou sobre esses problemas durante um período extraordinário. E agora o banco precisa encontrar quem continue esse trabalho.

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