Ametista do Sul articula encontro de turismo e reforça pedido de vacinas para ex-garimpeiros

Ex-garimpeiros portadores de silicose enfrentam vulnerabilidade respiratória e necessitam de vacinação preventiva para evitar complicações de saúde.
Quando você pede há mais de um ano sem resposta, você vai pessoalmente
A estratégia do prefeito de Ametista do Sul para conseguir vacinas para ex-garimpeiros com silicose.

Em Porto Alegre, o prefeito de Ametista do Sul e seu secretário de Turismo percorreram gabinetes estaduais com três propósitos distintos: consolidar o município como referência turística gaúcha, assegurar recursos para infraestrutura urbana e reivindicar vacinas para ex-garimpeiros fragilizados pela silicose. É o movimento recorrente das cidades pequenas dentro das estruturas do Estado — a negociação paciente entre o que se precisa e o que se consegue, entre a história de um lugar e as possibilidades do presente.

  • Ex-garimpeiros com silicose aguardam há mais de um ano por vacinas que podem evitar complicações respiratórias graves — a demanda foi formulada em março de 2025 e segue sem resposta definitiva.
  • A Associação dos Mineiros Portadores de Silicose acompanhou o prefeito pessoalmente ao Centro Estadual de Vigilância em Saúde, sinalizando que a paciência institucional tem limites.
  • R$ 280 mil em recursos estaduais foram aprovados para melhorias em espaços públicos, um avanço concreto que emerge de uma semana intensa de articulações na capital.
  • A confirmação de que Ametista do Sul sediará o Encontro Estadual de Secretários de Turismo posiciona o município no centro do mapa turístico do Rio Grande do Sul.
  • A comitiva municipal percorreu secretarias e gabinetes parlamentares além das três agendas principais, construindo uma rede de relações que pode render frutos em rodadas futuras de negociação.

Gilmar da Silva, prefeito de Ametista do Sul, e Iuri Isoton, secretário municipal de Turismo, passaram a última semana em Porto Alegre com três frentes de trabalho bem definidas: recursos para o município, visibilidade turística e uma questão de saúde pública que se arrastava há mais de um ano.

O primeiro resultado veio da confirmação com a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul: Ametista do Sul sediará o Encontro Estadual de Secretários de Turismo. Para uma cidade que vive do turismo, o evento representa reconhecimento institucional e potencial de atração de investimentos privados. Na Casa Civil, a conversa com Artur Lemos resultou em R$ 280 mil destinados a melhorias em espaços públicos e infraestrutura — o tipo de investimento silencioso que transforma uma cidade ao longo do tempo.

A terceira agenda tinha peso diferente. Gilmar da Silva foi ao Centro Estadual de Vigilância em Saúde acompanhado de Alcione Arruda, presidente da Amparo — Associação dos Mineiros Portadores de Silicose. O pedido era específico: disponibilizar as vacinas Pneumo 20 e contra o Vírus Sincicial Respiratório para ex-garimpeiros com silicose. A doença, causada pela inalação de poeira de sílica durante anos de mineração, deixa os pulmões vulneráveis a infecções que podem se tornar fatais. A Amparo vinha fazendo essa reivindicação desde março de 2025 — mais de um ano sem resposta. O prefeito levou o pedido pessoalmente à mesa, reforçando a urgência.

Além dessas frentes, a comitiva visitou outras secretarias e gabinetes parlamentares, construindo relações que podem render parcerias futuras. É o movimento permanente de uma cidade pequena com história de mineração e vocação turística, tentando navegar as estruturas estaduais para garantir o que sua população precisa.

Gilmar da Silva, prefeito de Ametista do Sul, e Iuri Isoton, secretário municipal de Turismo, passaram a última semana em Porto Alegre movimentando-se entre gabinetes e órgãos estaduais. Não era uma visita de cortesia. Tinham três frentes de trabalho bem definidas: trazer dinheiro para o município, consolidar a posição da cidade no mapa do turismo gaúcho, e resolver uma questão de saúde pública que vinha sendo negligenciada há mais de um ano.

O primeiro compromisso foi com Luis Henrique Vedovato, presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul. O tema: confirmar que Ametista do Sul sediaria o Encontro Estadual de Secretários de Turismo. Não é um detalhe menor. O evento reunirá representantes de diversas regiões do Estado e funciona como uma espécie de certificação — o município entra para a lista das principais referências turísticas do Rio Grande do Sul. Para uma cidade que vive do turismo, isso significa visibilidade, fluxo de investimentos privados, e reconhecimento institucional.

Na mesma semana, a comitiva entrou na Casa Civil para conversar com Artur Lemos. A conversa resultou em algo concreto: R$ 280 mil em recursos estaduais destinados a investimentos em infraestrutura. O dinheiro será aplicado em melhorias de espaços públicos e em ações de desenvolvimento municipal — o tipo de investimento que não faz manchete, mas que muda a cara de uma cidade ao longo do tempo.

Mas havia uma terceira agenda, essa com peso diferente. Gilmar da Silva foi até o Centro Estadual de Vigilância em Saúde para conversar com Tani Maria Schiling Ranieri Muratore. Acompanhava-o Alcione Arruda, presidente da Associação dos Mineiros Portadores de Silicose, a Amparo. O pedido era específico: disponibilizar as vacinas Pneumo 20 e contra o Vírus Sincicial Respiratório para ex-garimpeiros diagnosticados com silicose.

A silicose é uma doença pulmonar crônica causada pela inalação de poeira de sílica. Quem trabalhou em garimpo — e Ametista do Sul tem uma longa história de mineração — carrega os pulmões marcados. A doença deixa os pacientes vulneráveis a infecções respiratórias. Uma gripe comum pode virar pneumonia. Um resfriado pode se transformar em algo mais grave. As vacinas Pneumo 20 e VSR são ferramentas de prevenção, formas de reduzir o risco de complicações.

A Amparo vinha pedindo isso desde março de 2025. Mais de um ano. Não era uma demanda nova, não era uma ideia que tinha acabado de surgir. Era uma reivindicação que já tinha sido formulada, documentada, e que continuava sem resposta. O prefeito levou o pedido pessoalmente para a mesa da presidente do CEVS, reforçando a urgência, a vulnerabilidade dos pacientes, a necessidade de ação.

Além dessas três frentes principais, Gilmar da Silva e Iuri Isoton visitaram outras secretarias estaduais e gabinetes parlamentares. Não há detalhes sobre o que foi discutido nessas outras reuniões, mas a estratégia era clara: mover-se pela máquina estatal, tocar em portas, deixar demandas sobre a mesa, construir relacionamentos que pudessem resultar em recursos e parcerias.

Segundo a Administração Municipal, tudo isso faz parte de um trabalho permanente — a busca contínua por investimentos, recursos e parcerias que contribuam para o desenvolvimento de Ametista do Sul e para a melhoria da qualidade de vida da população. É a linguagem padrão dos comunicados oficiais, mas por trás dela há algo real: uma cidade pequena, dependente de turismo e com um passivo de saúde pública ligado à sua história de mineração, tentando se mover dentro das estruturas estaduais para conseguir o que precisa.

A reivindicação vem sendo defendida pela Amparo desde março de 2025, em razão da vulnerabilidade dos pacientes diagnosticados com a doença e da necessidade de prevenção de complicações respiratórias
— Associação dos Mineiros Portadores de Silicose (Amparo)
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o prefeito precisou ir pessoalmente a Porto Alegre para falar sobre vacinas? Não seria mais rápido um ofício?

Model

Porque ofícios ficam em pilhas. Quando você é prefeito de uma cidade pequena e está pedindo algo há mais de um ano sem resposta, você vai pessoalmente. Você senta na mesa, você olha nos olhos, você torna a coisa real.

Inventor

E o encontro de turismo — isso é realmente importante para Ametista do Sul?

Model

É. Significa que o Estado reconhece a cidade como um destino. Quando secretários de turismo de todo o Rio Grande do Sul vêm para cá, eles veem o que existe, levam contatos, geram interesse. É marketing institucional, mas funciona.

Inventor

Os R$ 280 mil parecem pouco para um município inteiro.

Model

São pouco, sim. Mas não é nada. É o suficiente para reformar uma praça, consertar ruas, melhorar a infraestrutura básica. Para uma cidade pequena, isso tem peso.

Inventor

E a silicose — por que isso não foi resolvido antes?

Model

Porque ex-garimpeiros não têm lobby. Não têm voto concentrado, não têm poder econômico. A doença é invisível para quem não vive com ela. Leva tempo, leva pressão, leva alguém levantando a bandeira.

Inventor

O prefeito conseguiu o que pediu?

Model

Conseguiu algumas coisas. O encontro de turismo vai acontecer. Os R$ 280 mil foram aprovados. A vacina — isso ainda está em negociação. Mas pelo menos agora está na mesa da pessoa certa.

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