Americanas apresenta nova proposta de R$ 12 bilhões aos credores

A crise contábil de mais de R$20 bilhões afeta funcionários, fornecedores e consumidores da varejista em processo de recuperação judicial.
Três tentativas, três rejeições. Agora a empresa coloca 12 bilhões na mesa.
A Americanas apresenta sua terceira proposta aos credores em menos de um ano, aumentando significativamente o aporte dos acionistas.

No coração de uma das maiores crises contábeis do varejo brasileiro, a Americanas retorna à mesa de negociações com uma proposta de R$12 bilhões sustentada por seus três acionistas históricos — Lemann, Sicupira e Telles. A oferta combina injeção de caixa, conversão de dívida em participação societária e recompra com desconto, sinalizando que os controladores estão dispostos a aprofundar seu compromisso para salvar a empresa. É a terceira tentativa de acordo desde que um rombo de mais de R$20 bilhões veio à tona no início de 2023, e ela carrega o peso de todas as rejeições anteriores — e a esperança de que desta vez o diálogo encontre terra firme.

  • Após três propostas rejeitadas em fevereiro, março e abril, a Americanas eleva a aposta com R$12 bilhões em caixa, pressionando credores a aceitar um acordo antes que a situação se deteriore ainda mais.
  • O rombo contábil de mais de R$20 bilhões continua a ameaçar fornecedores, funcionários e consumidores, mantendo a crise como uma ferida aberta no varejo nacional.
  • A nova estrutura é mais complexa e ambiciosa: combina aporte dos acionistas, conversão de R$12 bilhões em dívida para capital e recompra antecipada de R$8,7 bilhões com desconto.
  • Credores que aceitarem a proposta deixariam de ser apenas financiadores para se tornarem sócios da varejista — uma mudança de posição que exige confiança no futuro da empresa.
  • A Americanas afirma estar comprometida com uma solução sustentável, mas o histórico de impasses revela que a distância entre o que a empresa oferece e o que os credores exigem ainda não foi totalmente superada.

A Americanas voltou à mesa de negociações nesta terça-feira com uma proposta reformulada aos credores financeiros, desta vez ancorada em R$12 bilhões a serem injetados pelos três principais acionistas — Jorge Paulo Lemann, Carlos Sicupira e Marcel Telles. O valor já incorpora o financiamento DIP anteriormente concedido para manter a empresa operando durante a crise, representando o compromisso renovado dos controladores neste momento decisivo.

A proposta vai além do aporte em caixa: prevê que os credores convertam R$12 bilhões de suas dívidas em capital da empresa, tornando-se sócios. Inclui ainda a emissão de R$1,875 bilhão em novas dívidas para refinanciamento e uma oferta de R$8,7 bilhões para recompra antecipada das próprias dívidas com desconto — uma manobra para aliviar o passivo pagando menos do que o valor nominal devido.

Esta é a terceira tentativa desde que a crise eclodiu. Em fevereiro, a empresa propôs aporte de R$7 bilhões; em março, elevou para R$10 bilhões. Ambas foram rejeitadas. Uma sugestão adicional em abril, com dois aumentos de capital de até R$1 bilhão cada, também não avançou. O pano de fundo é um rombo contábil de mais de R$20 bilhões descoberto no início do ano, que abalou toda a cadeia — fornecedores, funcionários e consumidores — e levou a varejista ao processo de recuperação judicial em março.

A proposta atual mantém o compromisso de pagamento integral às classes de credores com maior prioridade legal e oferece condições diferenciadas aos fornecedores. Com uma estrutura mais robusta e diversificada, a Americanas testa agora se consegue, enfim, convencer seus credores de que existe um caminho viável para a continuidade das operações.

A Americanas voltou à mesa de negociações nesta terça-feira com uma proposta reformulada aos seus credores financeiros, desta vez oferecendo uma injeção de 12 bilhões de reais em dinheiro vindo de seus três principais acionistas: Jorge Paulo Lemann, Carlos Sicupira e Marcel Telles. O valor já considera o financiamento DIP — aquele dinheiro de emergência já colocado na empresa para mantê-la funcionando durante a crise — de modo que representa o compromisso adicional dos controladores neste momento crítico.

A proposta é mais ambiciosa que as anteriores. Além do aporte em caixa, ela prevê que os credores convertam 12 bilhões de reais de suas dívidas em capital da empresa, transformando-se assim em sócios. Há também a emissão de 1,875 bilhão em novas dívidas para refinanciar parte do que já é devido. E, em um movimento para reduzir o passivo total, a Americanas oferece 8,7 bilhões de reais em dinheiro para recomprar suas próprias dívidas com desconto — uma forma de limpar o balanço pagando menos do que deve.

Esta é a terceira tentativa da varejista de chegar a um acordo com seus credores desde que a crise eclodiu no início de 2023. Em fevereiro, a empresa apresentou uma proposta com aporte de 7 bilhões de reais, recompra de dívida de 12 bilhões e conversão de cerca de 18 bilhões em capital e dívida subordinada. Os credores rejeitaram. Em março, a Americanas elevou o aporte para 10 bilhões, mantendo a estrutura similar, mas novamente não houve acordo. Depois, em abril, sugeriu dois aumentos de capital de até 1 bilhão cada como possibilidade adicional. Nada funcionou.

O que levou a empresa a este ponto foi um rombo contábil de mais de 20 bilhões de reais descoberto no início do ano — um número que abalou fornecedores, funcionários e consumidores. A varejista entrou em processo de recuperação judicial em março, e desde então tenta negociar uma saída que permita a continuidade das operações. A proposta atual mantém o compromisso de pagar integralmente as Classes I e IV de credores — aqueles com maior prioridade legal — e oferece alternativas de pagamento diferenciadas aos fornecedores.

A Americanas afirmou em comunicado que segue empenhada em encontrar uma solução sustentada que permita manter as atividades em funcionamento. Mas o histórico de rejeições deixa claro que os credores têm exigências que as propostas anteriores não satisfizeram. Agora, com 12 bilhões na mesa e uma estrutura que combina injeção de caixa, conversão de dívida e recompra com desconto, a empresa testa se desta vez consegue convencer seus credores de que há um caminho viável adiante.

A companhia segue empenhada nas negociações destes termos com seus credores financeiros, em busca de uma solução sustentada que permita a continuidade de suas atividades
— Americanas, em comunicado
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a Americanas precisa fazer uma terceira proposta? O que mudou desde abril?

Model

Os credores rejeitaram as duas primeiras porque não viam segurança suficiente no retorno do dinheiro. Cada rejeição força a empresa a colocar mais na mesa — agora são 12 bilhões em vez de 10.

Inventor

Mas 12 bilhões é muito dinheiro para três pessoas injetarem. Como eles conseguem isso?

Model

Lemann, Sicupira e Telles são bilionários. Para eles, é uma questão de quanto estão dispostos a arriscar para salvar o negócio. O DIP que já foi injetado conta para esse total, então não é tudo novo.

Inventor

E se os credores rejeitarem novamente?

Model

A empresa fica sem opções. Pode entrar em liquidação, e aí ninguém recebe nada — nem os credores, nem os funcionários, nem os fornecedores.

Inventor

Essa conversão de dívida em capital — o que significa na prática?

Model

Os credores viram donos. Em vez de receber dinheiro que a empresa não tem, eles ganham ações. Se a Americanas se recuperar, eles lucram. Se não, perdem tudo.

Inventor

Qual é o risco maior aqui?

Model

Que a empresa não consiga gerar caixa suficiente para justificar o investimento. Um rombo de 20 bilhões não desaparece com uma proposta. Precisa de operações melhores, vendas melhores, custos menores.

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