Campos Neto projeta transformação radical no mercado de cartões brasileiro

As oportunidades são infinitas no Pix
Campos Neto descreve a visão para expansão da ferramenta de pagamentos instantâneos que já domina o mercado brasileiro.

Em Miami, onde recebia um prêmio pela inovação do Pix, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central do Brasil, traçou um horizonte financeiro que poucos países ousam imaginar com tanta concretude: em três ou quatro anos, o sistema de pagamentos brasileiro será irreconhecível. Da carteira digital que funciona sem internet ao real digital que pode unir moedas de nações distintas sem exigir uma moeda comum, o que está em jogo não é apenas tecnologia — é a reconfiguração da relação entre o cidadão, seu dinheiro e as instituições que o guardam.

  • O mercado de cartões brasileiro enfrenta uma ruptura anunciada: Campos Neto não faz previsões vagas, mas enumera iniciativas concretas que ainda não existem e que devem remodelar o setor em até quatro anos.
  • O Pix, que já registrou 170 milhões de transações em um único dia superando todos os outros meios de pagamento combinados, ainda é visto pelo presidente do Banco Central como apenas o começo de uma transformação muito maior.
  • Carteiras digitais offline, open finance em escala global e a monetização de dados financeiros pessoais representam camadas de inovação que os bancos brasileiros ainda não implementaram, criando uma corrida silenciosa entre instituições.
  • O Drex, real digital projetado para estar pronto em até 18 meses, promete conectar o Brasil a outras economias digitais com a eficiência de uma moeda comum — sem exigir uma moeda comum.
  • Até o nome do projeto carrega tensão: Campos Neto admitiu que 'Drex' soa como 'lixo' em iídiche, mas descartou qualquer mudança com um sorriso — o sistema avança, com imperfeições e tudo.

Roberto Campos Neto estava em Miami recebendo um prêmio pela inovação do Pix quando resumiu sua visão para o Brasil financeiro: o mercado de cartões vai se transformar radicalmente nos próximos três ou quatro anos. Não como previsão vaga, mas como roteiro de iniciativas concretas que ainda não existem no país.

Uma das apostas é a carteira digital offline — um repositório de pequenas quantias que funcionaria sem conexão com a internet, tão simples quanto dinheiro em espécie, mas digital. Os bancos ainda não investiram nisso, reconheceu Campos Neto, mas a direção está traçada. O próprio Pix, já líder absoluto com 170 milhões de transações em um único dia, também deve evoluir: menos cliques, mais funcionalidades. "As oportunidades são infinitas", disse.

O presidente do Banco Central também descreveu carteiras digitais que funcionarão como centrais da vida financeira do usuário — integrando dados, transações e hábitos de consumo em um único lugar, com a possibilidade de monetizá-los. Duas empresas já trabalham nessa frente. Paralelamente, o Brasil desenvolve o que Campos Neto chama de maior sistema de open finance do mundo, permitindo comparação de taxas entre bancos em tempo real, com transparência radical.

O projeto mais ambicioso, porém, é o Drex, o real digital. Mais barato e simples do que iniciativas similares em outros países por operar como um token sem exigir nova infraestrutura, o Drex deve estar pronto em até 18 meses. Se moedas digitais de diferentes países puderem se conectar, Campos Neto acredita que o efeito será o de uma moeda comum — sem que nenhuma nação precise abrir mão da sua. Há até um detalhe humano no projeto: o nome soa como "lixo" em iídiche, o que gerou reclamações. Mas é tarde para trocar, disse ele com um sorriso. O nome fica.

Se o roteiro se cumprir, o brasileiro que usa cartão ou Pix hoje reconhecerá muito pouco do sistema financeiro que encontrará em 2027.

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, está em Miami recebendo um prêmio pela inovação do Pix quando faz uma declaração que resume sua visão para o Brasil financeiro: o mercado de cartões vai se transformar radicalmente nos próximos três ou quatro anos. Não é uma previsão vaga. Ele enumera iniciativas concretas que ainda não existem no país, pintando um quadro de um sistema de pagamentos que será irreconhecível em poucos anos.

Comece pelas carteiras offline. Campos Neto defende a criação de carteiras digitais que funcionem sem conexão com a internet — você transferiria pequenas quantias para elas e as usaria em qualquer lugar, sem precisar estar conectado. Os bancos ainda não investiram nisso, reconhece. Mas a ideia é clara: pagamentos que funcionam quando você está desconectado, tão simples quanto dinheiro em espécie, mas digital.

O Pix, que já é a ferramenta de pagamento mais popular do Brasil, também vai mudar. Campos Neto quer menos cliques por transação e mais funcionalidades embutidas. A ferramenta atingiu 170 milhões de transações em um único dia na semana anterior à sua fala, superando todos os outros meios de pagamento combinados. Mas para Campos Neto, isso é apenas o começo. "As oportunidades são infinitas", disse.

Ele também menciona carteiras digitais que funcionarão como repositórios centralizados de sua vida financeira. Duas empresas já trabalham nessa frente, segundo ele. A ideia é que você integre todos os seus dados financeiros, suas transações, tudo o que faz, em um único lugar. Depois, você poderá monetizar esses dados — vender informações sobre seus hábitos de consumo, por exemplo, para empresas interessadas. É um modelo de negócio novo para o Brasil.

O Brasil está desenvolvendo o que Campos Neto chama de maior sistema de open finance do mundo. Trata-se de uma plataforma que permite que instituições financeiras compartilhem informações de clientes entre si. O objetivo final é que você possa comparar as taxas cobradas por diferentes bancos em tempo real, escolhendo a melhor opção sem sair de casa. É transparência radical no mercado financeiro.

Mas talvez o projeto mais ambicioso seja o Drex, o real digital. Campos Neto projeta que estará pronto em até um ano e meio. O projeto brasileiro é mais barato e simples do que os de outros países porque é apenas um token — não requer infraestrutura nova, pode se valer da regulamentação já existente. Se for possível conectar moedas digitais de diferentes países, Campos Neto acredita que teremos o efeito de uma moeda comum sem precisar de uma moeda comum. "A moeda digital trará muito mais eficiência para os bancos", projetou.

Há um detalhe menor que revela algo sobre como essas decisões são tomadas. Campos Neto admite que Drex não é um bom nome em algumas línguas — alguns judeus reclamaram que soa como "Drek", que significa "lixo" em iídiche. Mas é tarde para trocar, disse ele com um sorriso. O nome fica.

O que Campos Neto está descrevendo é um sistema financeiro que será mais rápido, mais transparente, mais acessível. Carteiras que funcionam offline. Pagamentos instantâneos com menos etapas. Dados financeiros que você controla e pode monetizar. Comparação de taxas em tempo real. Uma moeda digital que conecta o Brasil ao resto do mundo. Tudo isso em três ou quatro anos. Se acontecer como ele projeta, o brasileiro que usa cartão ou Pix hoje vai reconhecer muito pouco do sistema que usará em 2027.

Depois de integrar todos os seus dados financeiros, suas transações, tudo o que você faz, será armazenado em uma carteira digital e então você poderá monetizá-la
— Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central
A moeda digital trará muito mais eficiência para os bancos
— Roberto Campos Neto
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Quando Campos Neto fala em carteiras offline, ele está falando de algo que já existe em outros países, ou é realmente uma inovação brasileira?

Model

É mais uma lacuna que uma inovação. Outros países têm explorado isso, mas no Brasil os bancos simplesmente não investiram. Ele está apontando que essa é uma oportunidade perdida que precisa ser preenchida.

Inventor

E o open finance — isso muda a relação entre o cliente e o banco?

Model

Muda tudo. Hoje você não consegue comparar taxas facilmente entre bancos. Com o open finance, você vê em tempo real quem está cobrando menos. Os bancos perdem poder de monopólio sobre seus próprios clientes.

Inventor

Ele mencionou monetizar dados financeiros. Isso não é arriscado? As pessoas vão querer vender seus dados?

Model

É a questão central. Ele está descrevendo um futuro onde seus dados são um ativo seu, não do banco. Mas sim, há risco. Quem controla esses dados? Quem pode comprá-los? Essas respostas ainda não existem.

Inventor

E o Drex — por que um real digital é importante se já temos Pix?

Model

Pix é transferência entre pessoas. Drex é moeda de banco central. É diferente. É sobre soberania monetária, sobre o BC ter controle total sobre a moeda que circula.

Inventor

Ele disse que tudo isso acontece em 3 ou 4 anos. Isso é realista?

Model

Campos Neto é otimista. Alguns desses projetos já estão em andamento. Mas transformar um mercado inteiro em três anos? Depende de quanto os bancos vão resistir.

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