Amazon defende IA como aliada contra mudanças climáticas

Quando usada com responsabilidade, ela deixa de ser apenas uma ferramenta e se torna um ponto de inflexão.
Kara Hurst argumenta que a IA pode transformar ações climáticas de pequenas melhorias em resultados exponenciais.

No cruzamento entre tecnologia e crise climática, a Amazon propõe que a inteligência artificial não é apenas parte do problema energético, mas pode ser uma das ferramentas mais poderosas para resolvê-lo. Kara Hurst, diretora de Sustentabilidade da empresa, articula essa visão através de um marco conceitual que transforma o paradoxo do consumo de IA em argumento a favor de sua adoção responsável. A questão que permanece não é técnica — as ferramentas já existem —, mas cultural: se as instituições humanas terão vontade e estrutura para usá-las com sabedoria.

  • A IA consome energia e água em escala crescente, mas a Amazon argumenta que esse mesmo poder computacional pode ser redirecionado para combater as mudanças climáticas que ele ajuda a agravar.
  • O marco 'Sustentabilidade 3D' da Amazon organiza três frentes de impacto: digitalização de dados ambientais em minutos, descoberta de ineficiências invisíveis e aceleração de inovações em materiais sustentáveis.
  • Desde 2015, a empresa afirma ter evitado mais de 4,2 milhões de toneladas métricas de material de embalagem em excesso — resultado direto do uso de IA para otimizar processos logísticos.
  • O verdadeiro obstáculo agora é institucional: criar incentivos para que empresas de todos os portes adotem essas ferramentas de forma sistemática, sem deixar que o crescimento da IA consuma recursos de maneira irresponsável.

A inteligência artificial carrega um paradoxo difícil de ignorar: é capaz de otimizar cadeias de produção e acelerar descobertas científicas, mas exige quantidades crescentes de eletricidade e água para funcionar. Como expandir essa tecnologia sem aprofundar a crise climática que ela poderia ajudar a conter?

Para Kara Hurst, diretora de Sustentabilidade da Amazon, a resposta está em transformar esse paradoxo em motor de inovação. Em artigo publicado na Fortune, ela defende que ferramentas como o Amazon Nova e o Claude, da Anthropic, já oferecem capacidade real de impacto ambiental — o que falta é criar incentivos para que as empresas as adotem com responsabilidade.

A Amazon estruturou essa proposta em um modelo chamado 'Sustentabilidade 3D', que identifica três formas de impacto: digitalizar dados ambientais em minutos em vez de meses, descobrir ineficiências que escapariam à percepção humana — como vazamentos ou excesso de embalagem — e acelerar inovações em materiais como baterias avançadas e combustíveis sustentáveis, reduzindo de anos para semanas o tempo de desenvolvimento.

Na prática, a Amazon usa IA para identificar produtos danificados antes do envio, ajustar recomendações de tamanho de roupas e calibrar embalagens ao tamanho exato necessário. O resultado acumulado desde 2015: mais de 4,2 milhões de toneladas métricas de material de embalagem evitadas — plástico, papelão e espuma que simplesmente não precisaram existir.

Hurst ressalta que empresas de qualquer porte podem usar IA para mapear emissões e identificar onde reduzir custos simultaneamente. O desafio que permanece não é técnico — as ferramentas estão disponíveis. É cultural e institucional: convencer organizações a adotá-las de forma sistemática e garantir que o crescimento acelerado da IA não reverta os ganhos que ela própria pode gerar.

A inteligência artificial apresenta um paradoxo incômodo. Ela consegue prever demandas de energia, otimizar linhas de produção, acelerar descobertas de medicamentos. Ao mesmo tempo, exige quantidades crescentes de eletricidade e água apenas para manter seus servidores funcionando. Como, então, expandir o uso dessa tecnologia sem agravar a crise climática que ela poderia ajudar a resolver?

Para Kara Hurst, diretora de Sustentabilidade da Amazon, a resposta está em reconhecer que os desafios são complexos, mas transformáveis. Em um artigo publicado na Fortune, ela argumenta que a IA pode se tornar uma aliada genuína na luta contra as mudanças climáticas — não apesar de seus problemas, mas porque esses mesmos problemas estimulam a inovação. Ferramentas como o Amazon Nova e o Claude, da Anthropic, já existem. O que falta, segundo Hurst, é criar incentivos para que empresas as adotem de forma sistemática e responsável.

A Amazon desenvolveu um marco conceitual chamado "Sustentabilidade 3D" para estruturar essa conversa. O modelo identifica três maneiras pelas quais a IA gera impacto ambiental real. Primeiro, digitalizando dados: a tecnologia processa em minutos volumes enormes de informação que exigiriam meses de análise humana. Uma empresa pode, assim, mapear sua pegada de carbono e identificar ineficiências operacionais sem investimento desproporcional em recursos. Segundo, descobrindo insights que escapariam à percepção humana — um vazamento de água em uma instalação, excesso de material de embalagem, oportunidades para alinhar operações com energia limpa. Terceiro, proporcionando inovações aceleradas. Materiais novos de captura de carbono, baterias avançadas, combustíveis sustentáveis: tudo isso que levaria anos em laboratório pode ser testado e refinado em semanas através de simulações e modelos generativos.

Na prática, a Amazon usa essa abordagem para identificar produtos danificados antes do envio, para recomendar roupas que se ajustam melhor aos clientes e para sugerir embalagens do tamanho exato necessário. O resultado: desde 2015, a empresa evitou mais de 4,2 milhões de toneladas métricas de material de embalagem em excesso. Não é um número abstrato. É plástico, papelão e espuma que não foram produzidos, transportados ou descartados.

Hurst enfatiza que empresas de qualquer porte podem usar IA para digitalizar dados de sustentabilidade e emissões simultaneamente, obtendo uma compreensão mais clara de sua pegada ambiental e identificando onde reduzir custos. A tecnologia pode sinalizar ineficiências e riscos em cadeias de suprimentos inteiras, conectando problemas ambientais a questões de direitos humanos. Quando usada com responsabilidade, ela deixa de ser apenas uma ferramenta e se torna um ponto de inflexão.

O desafio agora não é técnico. As ferramentas existem. O desafio é cultural e institucional: convencer empresas a adotá-las, criar sistemas mais robustos para compartilhar como essas ferramentas funcionam na prática, e garantir que o crescimento acelerado do uso de IA não consuma recursos de forma irresponsável. A conversa está apenas começando.

Precisamos de sistemas mais fortes para compartilhar como essas ferramentas podem ser aplicadas de forma sustentável
— Kara Hurst, Diretora de Sustentabilidade da Amazon
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

A Amazon está dizendo que IA é boa para o clima, mas IA consome muita energia. Isso não é contraditório?

Model

Não exatamente. É verdade que IA consome energia. Mas a questão é: qual é o impacto líquido? Se uma empresa usa IA para descobrir que está desperdiçando 4,2 milhões de toneladas de embalagem por ano, a economia de energia nesse processo é enorme comparada ao custo de rodar o modelo.

Inventor

Entendi. Mas quem garante que as empresas vão usar IA para isso e não apenas para aumentar lucros?

Model

Boa pergunta. Hurst reconhece que os desafios são complexos. Ela não está dizendo que a IA resolve tudo sozinha. Está dizendo que precisamos de sistemas mais fortes para compartilhar como essas ferramentas podem ser aplicadas de forma sustentável. É um apelo por adoção responsável, não por confiança cega.

Inventor

Então o que muda se a Amazon faz esse argumento agora?

Model

Muda a narrativa. Até agora, a IA era vista principalmente como um problema ambiental — mais servidores, mais consumo. Agora há uma estrutura clara — a Sustentabilidade 3D — que mostra três caminhos concretos: digitalizar dados, descobrir ineficiências, acelerar inovações. Isso dá às empresas um roteiro.

Inventor

E se não funcionar?

Model

Então teremos aprendido que a IA sozinha não resolve mudanças climáticas. Mas o ponto é que nem tentamos ainda, em escala. A tecnologia existe. O que falta é vontade institucional e incentivos para usá-la bem.

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