Amazon abre centros de distribuição no Rio e Ceará para acelerar entregas

Geração de até mil empregos temporários durante temporada de fim de ano, com 200 vagas diretas iniciais.
A nova lógica do mercado é ampliar entregas para ganhar espaço
Consultor de varejo explica por que empresas de e-commerce investem em logística enquanto varejo físico retoma força.

A Amazon anuncia a abertura de dois novos centros de distribuição no Brasil — um na Baixada Fluminense e outro em Fortaleza — num movimento que revela menos sobre uma empresa em expansão e mais sobre a natureza implacável do tempo no comércio moderno: quem entrega mais rápido, vence. O gesto é tanto logístico quanto simbólico, sinalizando que a disputa pelo consumidor brasileiro entra em uma fase em que a proximidade física voltou a ser uma vantagem decisiva.

  • A corrida pelo fim de ano aquece o varejo: Amazon, Mercado Livre, Americanas e Magazine Luiza investem simultaneamente em infraestrutura para não perder a janela mais lucrativa do calendário comercial.
  • A chegada da Amazon ao Rio de Janeiro com estrutura própria rompe um vazio estratégico — a Baixada Fluminense passa a ser ponto de abastecimento para todo o estado e regiões vizinhas.
  • Chinesas como AliExpress e Shopee pressionam pelo baixo custo e entregas aceleradas, forçando as plataformas estabelecidas a responderem com velocidade e capilaridade.
  • Até mil empregos temporários e 200 vagas diretas são prometidos, tornando a expansão logística também uma narrativa de geração de renda em regiões periféricas.
  • A estratégia de parcerias com transportadoras e empreendedores locais aponta para um novo modelo operacional: a última milha da entrega exige inteligência territorial, não apenas escala.

A Amazon anunciou nesta terça-feira a abertura de dois centros de distribuição no Brasil: um em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, com 30 mil metros quadrados — equivalente a quatro campos de futebol —, e outro em Fortaleza, no Ceará. A escolha do momento não é coincidência: a empresa se posiciona para capturar o pico de vendas da Black Friday e do Natal, períodos em que o e-commerce concentra suas maiores receitas.

O cenário competitivo justifica a urgência. Mercado Livre, Americanas e Magazine Luiza investem em logística ultrarrápida, enquanto AliExpress e Shopee avançam com programas de entrega acelerada. A Amazon já opera dez centros de distribuição no país, mas a ausência de infraestrutura própria no Rio de Janeiro era uma lacuna estratégica. Com a nova unidade, a empresa amplia sua capacidade de entrega em 48 horas — hoje disponível em 700 cidades pelo programa Prime — e aposta em parcerias com transportadoras e empreendedores locais para ganhar eficiência na última milha.

O diretor-geral de Operações da Amazon no Brasil, Ricardo Pagani, destacou que a localização permite abastecer não só o estado do Rio, mas outras regiões. O novo centro deve gerar até mil empregos temporários no fim do ano, com 200 vagas diretas já abertas. Para o consultor Ronaldo Fernandes, o setor se prepara para um fim de ano especialmente disputado: o varejo físico retoma força, e as empresas de e-commerce precisam ampliar suas redes de entrega para competir em duas frentes ao mesmo tempo.

A Amazon está movimentando peças no tabuleiro do varejo brasileiro. Nesta terça-feira, a gigante americana anuncia a abertura de dois centros de distribuição — um no Rio de Janeiro, onde ainda não operava com infraestrutura própria, e outro em Fortaleza, no Ceará. O primeiro, instalado em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, ocupará 30 mil metros quadrados, espaço equivalente a quatro campos de futebol. O timing não é casual: a empresa está se posicionando para as vendas de Black Friday e Natal, períodos em que o comércio eletrônico concentra suas maiores receitas.

O movimento reflete uma realidade competitiva cada vez mais acirrada. A Amazon enfrenta pressão de rivais como Mercado Livre, Americanas e Magazine Luiza, que também investem agressivamente em logística ultrarrápida e ampliação de operações. Enquanto isso, as chinesas AliExpress e Shoppee ganham espaço no mercado brasileiro com programas de entrega acelerada. A estratégia de expansão geográfica é clara: aproximar os produtos dos clientes e reduzir o tempo de entrega. Atualmente, a empresa opera dez centros de distribuição no país — quatro em São Paulo, além de unidades em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Distrito Federal.

O novo centro no Rio de Janeiro promete gerar até mil empregos durante a temporada de fim de ano, com 200 vagas diretas já sendo ofertadas. Ricardo Pagani, diretor-geral de Operações da Amazon no Brasil, explica que a localização estratégica permite abastecer não apenas o Estado do Rio, mas também outras regiões do país. A empresa já oferece entrega em 48 horas em 700 cidades através do programa Prime. Com a nova infraestrutura, esse alcance tende a se expandir e acelerar ainda mais.

Além de ampliar sua própria rede, a Amazon planeja desenvolver parcerias com transportadoras locais e empreendedores próximos aos centros de distribuição. A lógica é simples: quem conhece melhor a população local consegue entregar com mais eficiência. Essa abordagem de integração com parceiros locais reflete uma mudança na forma como as grandes plataformas de e-commerce operam no Brasil, reconhecendo que a última milha da entrega exige conhecimento territorial.

O cenário mais amplo é de uma indústria em transformação. A Magazine Luiza, por exemplo, abriu um centro de distribuição em Xerém, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no ano passado, seguido de pontos de transição para entregas. O Mercado Livre também anunciou novos centros de distribuição. Segundo o consultor de varejo Ronaldo Fernandes, as empresas de comércio eletrônico estão se preparando para um fim de ano particularmente competitivo, onde o varejo físico retoma força após período de dominância do virtual. As promoções serão abundantes, e a disputa por mercado será feroz. A nova lógica, como Fernandes aponta, é que as companhias precisam ampliar suas redes de entrega para ganhar espaço — não apenas contra concorrentes de e-commerce, mas também contra as lojas físicas que voltam a competir.

Montamos os centros de distribuição em localizações estratégicas para aproximar os itens dos clientes e acelerar a velocidade de entrega
— Ricardo Pagani, diretor-geral de Operações da Amazon no Brasil
Será um fim de ano com muitas promoções, e o varejo físico voltando a concorrer com o virtual. As companhias estão ampliando sua rede de entregas para ganhar espaço e mercado
— Ronaldo Fernandes, consultor de varejo
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Inventor

Por que a Amazon escolheu justamente o Rio de Janeiro e o Ceará para essa expansão?

Model

São regiões onde a empresa ainda não tinha operação própria de distribuição. O Rio é um mercado gigante, e o Ceará abre porta para todo o Nordeste. Geograficamente, reduz distâncias e custos de entrega.

Inventor

Mil empregos é um número grande. Mas são temporários, certo?

Model

Sim, a maioria é para a temporada de fim de ano. Mas 200 vagas diretas ficam permanentes. É a estrutura mínima para manter o centro funcionando o ano todo.

Inventor

A Amazon já tinha dez centros. Por que não era suficiente?

Model

Porque a concorrência não parou. Mercado Livre, Americanas, Magazine Luiza — todos investindo em logística ultrarrápida. Se você não acompanha, perde mercado. E agora tem AliExpress e Shoppee vindo da China com entregas ainda mais rápidas.

Inventor

Parcerias com transportadoras locais — isso é novo para a Amazon?

Model

É uma mudança de postura. A Amazon percebeu que não consegue fazer tudo sozinha, especialmente na última milha. Quem conhece a rua, a favela, o bairro, consegue entregar melhor. É pragmatismo.

Inventor

O varejo físico voltando — isso ameaça o e-commerce?

Model

Não ameaça, complica. Durante a pandemia, o virtual ganhou muito espaço. Agora as lojas físicas reabrem e voltam a competir. Por isso as empresas estão ampliando entregas — precisam ganhar em velocidade e cobertura para não perder para ninguém.

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