De conserto em pensão a indústria bilionária: a trajetória da Zagonel em Santa Catarina

A empresa gera 3.600 empregos diretos em Santa Catarina, com investimentos em infraestrutura e bem-estar dos trabalhadores.
Um chuveiro com defeito em uma pensão virou uma operação com 3.600 empregos
A Zagonel transformou um problema simples em uma indústria que projeta faturamento bilionário em 2026.

De um chuveiro com defeito em uma pensão do interior de Santa Catarina nasceu, em 1989, uma empresa que hoje projeta faturamento de R$ 1 bilhão e emprega 3.600 pessoas. A trajetória da Zagonel — de consertos artesanais à segunda maior fabricante brasileira de duchas e chuveiros elétricos — lembra que a inovação industrial não é privilégio das capitais, e que problemas cotidianos mal resolvidos carregam, às vezes, a semente de grandes transformações produtivas. A história de Roberto Zagonel é também a história de uma região que aprendeu a fabricar em escala sem precisar sair do Oeste catarinense.

  • A aquisição das marcas Corona e Thermosystem em 2024 dobrou a presença da Zagonel nas prateleiras nacionais e acelerou um crescimento de 102% em relação ao ano anterior.
  • A meta inicial de R$ 850 milhões para 2026 foi superada em 40% já no primeiro semestre, forçando a empresa a revisar suas projeções para além de R$ 1 bilhão.
  • Sustentar esse ritmo exige capacidade produtiva real: R$ 200 milhões estão sendo investidos em uma nova fábrica de 100 mil metros quadrados em Pinhalzinho.
  • Com fábrica em Sergipe e centro de distribuição no Sul catarinense, a empresa enfrenta o desafio logístico de operar em escala nacional a partir de uma cidade do interior.
  • O fundador mira a WEG como referência, sinalizando que a ambição não é apenas crescer, mas consolidar uma presença industrial de longo prazo fora dos grandes centros.

Tudo começou com um chuveiro que aquecia demais. Roberto Zagonel, aluno do Senai-SC morando em uma pensão de Chapecó, aceitou o desafio dos colegas, estudou o problema e encontrou uma solução. Em 1989, formalizou o negócio consertando equipamentos elétricos. Em 1994, lançou a primeira ducha eletrônica fabricada no Brasil — e transformou uma oficina de assistência técnica em uma indústria.

Sediada em Pinhalzinho, no Oeste de Santa Catarina, a Zagonel foi ampliando seu portfólio ao longo dos anos: torneiras elétricas, iluminação pública e privada, lâmpadas de LED. A diversificação abriu novas frentes de receita e manteve a empresa competitiva em um mercado que exige inovação constante.

O salto decisivo veio em outubro de 2024, com a aquisição das marcas Corona e Thermosystem, antes pertencentes ao grupo Dexco, da holding Itaúsa. A operação consolidou a Zagonel como segunda maior do país no segmento e ampliou sua presença geográfica, com fábrica em Aracaju e centro de distribuição em Tubarão.

Os resultados de 2026 traduzem essa transformação: crescimento de 102% em relação ao ano anterior e projeção de superar R$ 1 bilhão em faturamento — meta que já havia sido revisada para cima após o primeiro semestre. Para sustentar o ritmo, a empresa investe R$ 200 milhões em uma nova fábrica de 100 mil metros quadrados em Pinhalzinho, com estrutura pensada também para o bem-estar dos 3.600 trabalhadores.

Roberto Zagonel cita a WEG como inspiração — não por equivalência, mas por tipo de ambição: crescer com tecnologia, escala e presença nacional a partir de uma cidade do interior. A história da Zagonel sugere que problemas simples e mal resolvidos podem ser o ponto de partida para cadeias produtivas inteiras — e que a formação técnica, como a oferecida pelo Senai, pode ser o elo entre a observação cotidiana e a inovação industrial.

Um chuveiro elétrico com defeito em uma pensão de Chapecó se tornou o ponto de partida para uma das histórias mais improváveis da indústria catarinense. Tudo começou quando Roberto Zagonel, aluno do Senai-SC, recebeu um desafio simples de seus colegas de moradia: consertar os chuveiros que aqueciam demais ou de menos. Ele aceitou, estudou o problema e desenvolveu uma solução que mudaria o rumo de sua vida e criaria uma empresa que hoje emprega 3.600 pessoas.

Em 1989, Zagonel formalizou o negócio começando com consertos de equipamentos elétricos. Mas em 1994, a empresa deu um salto qualitativo ao lançar a primeira ducha eletrônica fabricada no país. Esse não foi apenas um produto novo — foi a transformação de uma atividade de assistência técnica em produção industrial de escala. A Zagonel, sediada em Pinhalzinho, no Oeste de Santa Catarina, começou a disputar espaço nas prateleiras de lojas em todo o país, competindo em um mercado onde preço, eficiência, resistência e distribuição determinam quem vence.

Com o tempo, a empresa ampliou seu portfólio além das duchas. Passou a fabricar torneiras elétricas e produtos de iluminação pública e privada, incluindo lâmpadas de LED. Essa diversificação reduziu a dependência de um único produto e abriu novas frentes de receita. A atenção constante à tecnologia — comandos eletrônicos, eficiência de aquecimento, segurança, durabilidade — manteve a empresa competitiva em um segmento que exige inovação contínua.

O grande acelerador veio em outubro de 2024, quando a Zagonel adquiriu as marcas Corona e Thermosystem, que antes pertenciam ao grupo paulista Dexco, da holding Itaúsa. Com essa operação, a empresa se consolidou como a segunda maior do país no segmento de duchas e chuveiros elétricos. A compra não foi apenas um aumento de portfólio — foi uma mudança de escala na disputa comercial. Varejistas buscam múltiplas opções para oferecer aos consumidores, e agora a Zagonel ocupava um espaço muito mais forte nas prateleiras. A empresa também expandiu sua presença geográfica, com fábrica em Aracaju, em Sergipe, e centro de distribuição em Tubarão, no Sul de Santa Catarina.

Os números de 2026 refletem essa transformação. A empresa iniciou o ano com meta de faturamento de R$ 850 milhões, mas já havia ultrapassado 40% dessa meta no primeiro semestre, levando à projeção de superar R$ 1 bilhão no ano. Isso representa crescimento de 102% em relação ao ano anterior, impulsionado especialmente pela aquisição das marcas Corona e Thermosystem. Passar de R$ 1 bilhão coloca a Zagonel em outro patamar empresarial, com pressões correspondentes em logística, produção, gestão, tecnologia e mão de obra.

Para sustentar esse crescimento, a empresa investe R$ 200 milhões em uma nova fábrica em Pinhalzinho, com 100 mil metros quadrados construídos. O projeto inclui uma área de descompressão próxima ao refeitório com 500 beliches para pausas curtas dos trabalhadores, iniciativa que o empresário apresenta como parte de sua relação com os colaboradores. Esse investimento mostra que a meta bilionária depende de capacidade produtiva real, não apenas de vendas. Para crescer no mercado de chuveiro elétrico, é preciso fabricar em volume, manter qualidade, distribuir com eficiência e responder à demanda de varejistas.

Roberto Zagonel declarou que sempre mirou a WEG como referência industrial. A comparação não significa que as empresas sejam iguais, mas indica o tipo de ambição que o fundador enxerga para sua companhia: crescer com tecnologia, escala e presença nacional. A WEG, também catarinense, nasceu em Jaraguá do Sul e se tornou uma das maiores referências industriais do Brasil. Ao citar essa inspiração, Zagonel posiciona sua empresa dentro de uma tradição catarinense de companhias que cresceram a partir de cidades fora dos grandes centros nacionais.

A história da Zagonel demonstra que inovação industrial não nasce apenas em capitais ou polos tecnológicos consolidados. Em Pinhalzinho, uma empresa do Oeste de Santa Catarina transformou uma solução para chuveiro elétrico em uma operação com milhares de empregos e projeção bilionária. O caso também evidencia a importância da formação técnica — o Senai-SC aparece como parte do ponto de partida, onde Zagonel uniu conhecimento prático, observação de problemas cotidianos e disposição para desenvolver produto próprio. A pergunta que fica é quantas outras soluções industriais podem nascer de problemas simples ainda mal resolvidos. Chuveiros, torneiras, lâmpadas e outros itens comuns parecem banais, mas movimentam cadeias produtivas, empregos, tecnologia e grandes disputas comerciais.

A empresa se consolidou como a segunda maior do país no segmento de duchas e chuveiros elétricos após a aquisição das marcas Corona e Thermosystem
— Roberto Zagonel à NSC Total
Sempre mirou a WEG como referência industrial, buscando crescer com tecnologia, escala e presença nacional
— Roberto Zagonel à NSC Total
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Como um problema em uma pensão se transformou em uma empresa bilionária?

Model

Começou com observação. Roberto Zagonel estava em Chapecó fazendo curso técnico quando colegas da pensão o desafiaram a melhorar os chuveiros elétricos. Ele aceitou, estudou, desenvolveu uma solução. Mas o salto real veio quando transformou consertos em fabricação — em 1994, lançou a primeira ducha eletrônica do país.

Inventor

Por que a aquisição das marcas Corona e Thermosystem foi tão importante?

Model

Porque mudou a escala da disputa. Antes, a Zagonel era uma empresa regional competente. Depois, virou a segunda maior do país no segmento. Varejistas querem oferecer múltiplas opções aos consumidores — agora a Zagonel ocupava um espaço muito mais forte nas prateleiras.

Inventor

Qual é o risco de uma empresa crescer tão rápido?

Model

Pressão em tudo — logística, produção, gestão, tecnologia, mão de obra. Por isso o investimento de R$ 200 milhões em nova fábrica não é luxo, é necessidade. Você não pode vender R$ 1 bilhão sem capacidade produtiva real.

Inventor

Por que Zagonel cita a WEG como referência?

Model

Porque a WEG é o modelo de empresa industrial que cresceu fora dos grandes centros. Nasceu em Jaraguá do Sul, não em São Paulo ou Rio, e se tornou uma das maiores do Brasil. Zagonel quer fazer algo parecido no Oeste catarinense.

Inventor

O que a história da Zagonel diz sobre inovação no Brasil?

Model

Que ela não precisa nascer em capitais ou polos tecnológicos. Um chuveiro com defeito em uma pensão virou uma operação com 3.600 empregos. A formação técnica, a observação de problemas reais e a disposição para resolver — isso importa mais que localização.

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