Onda de calor extrema provoca incêndios florestais em toda a Europa do Sul

Mais de 6.500 pessoas foram evacuadas em França; um helicóptero caiu na Grécia com dois tripulantes resgatados com vida.
Cenários climáticos cada vez mais severos e mais tensos
Alerta da ministra espanhola Teresa Ribera sobre o futuro que a Europa enfrenta.

Espanha ativa alerta vermelho com temperaturas entre 42-44°C e já registou 43,9°C em Mérida, com múltiplos incêndios a queimar milhares de hectares. Itália sofre a pior seca em 70 anos com cinco regiões em estado de emergência; França evacuou 6.500 pessoas em Gironde com 2.700 hectares queimados.

  • Espanha ativa alerta vermelho com temperaturas entre 42-44°C; Mérida registou 43,9°C
  • Itália sofre a pior seca em 70 anos com cinco regiões em estado de emergência
  • França evacuou 6.500 pessoas em Gironde com 2.700 hectares queimados
  • Grécia registou 260 incêndios esta semana; helicóptero caiu no mar com dois tripulantes resgatados
  • Reino Unido pode ultrapassar recorde histórico de 38,7°C no próximo domingo

O sul da Europa enfrenta uma onda de calor extrema com temperaturas recordes, provocando incêndios florestais generalizados na Grécia, Itália, França e Espanha, com milhares de pessoas evacuadas.

A Europa do Sul está a arder. Não é uma metáfora. Enquanto uma onda de calor extrema varre o continente, incêndios florestais devastam a Grécia, Itália, França e Espanha, transformando o que deveria ser um verão comum numa crise climática de proporções alarmantes.

Em Itália, o problema é particularmente grave. O país enfrenta a pior seca em sete décadas, uma escassez de água tão severa que cinco regiões já decretaram estado de emergência. No norte, em Bolzano, um incêndio consome a floresta do Monte Tondo desde quarta-feira. Mais a sul, na Toscana, dois helicópteros e meia dúzia de bombeiros voluntários combatem as chamas numa vasta área de pinheiros negros, árvores plantadas em terreno de difícil acesso que complica ainda mais o trabalho de extinção.

A Grécia registou mais de 260 incêndios apenas nesta semana. A situação tornou-se tão crítica que um helicóptero de combate a incêndios caiu no mar junto à ilha de Samos enquanto tentava controlar um fogo. Quatro pessoas estavam a bordo. Duas foram resgatadas com vida. As regiões de Ática, Peloponeso, Norte do Mar Egeu e Creta enfrentam risco elevado de novos focos.

Em Espanha, as autoridades meteorológicas ativaram hoje o alerta vermelho — o nível máximo de risco — para cinco comunidades autónomas. As temperaturas oscilam entre 42 e 44 graus Celsius, com previsões de valores ainda mais altos até sexta-feira. Mérida, em Badajoz, já registou 43,9 graus na terça-feira. Os incêndios espalharam-se por várias regiões: em Ladrillar, na comarca de Las Hurdes, 3.500 hectares foram consumidos pelas chamas; em Monsagro, mais de 1.000 hectares desapareceram; em Ribadavia e Melón, no Ribeiro, outros 100 hectares arderam; em Collado Mediano, perto de Madrid, mais de 80 hectares foram perdidos. Teresa Ribera, terceira vice-presidente e ministra para a Transição Ecológica, alertou durante uma entrevista televisiva que o país enfrenta "cenários climáticos cada vez mais severos e mais tensos" e pediu aos cidadãos que se mantenham vigilantes relativamente à saúde, ao risco de incêndios e ao consumo de energia.

França também sofre. No departamento de Gironde, que tem Bordéus como capital, dois incêndios já consumiram pelo menos 2.700 hectares de floresta. A situação forçou a evacuação de mais de 6.500 pessoas das suas casas. Cerca de 600 bombeiros trabalham para conter as chamas nos municípios de Landiras e La Teste de Buch, enquanto moradores da aldeia de Guillos e de cinco parques de campismo próximos da Duna de Pilat e da praia de Biscarosse — uma zona de grande importância turística — foram obrigados a abandonar as suas residências. Sete departamentos do sul francês estão em alerta laranja para o calor, enquanto vinte outros permanecem em alerta amarelo, especialmente ao longo da costa atlântica e do vale do Ródano. A primeira-ministra Elisabeth Borne já solicitou na terça-feira a mobilização de todo o Governo para responder à vaga de calor que deverá afetar o país pelo menos até ao início da próxima semana, com máximas superiores a 40 graus.

O fenómeno não se limita ao sul europeu. No Reino Unido, o serviço meteorológico emitiu um alerta de calor para o próximo domingo. Temperaturas deverão subir significativamente em grande parte da Inglaterra e do País de Gales, com possibilidade de ultrapassar os 40 graus — um marco que quebraria o recorde nacional de 38,7 graus. A Europa enfrenta um verão que ninguém esperava, e as consequências estão apenas a começar.

Existem cenários climáticos cada vez mais severos e mais tensos
— Teresa Ribera, ministra para a Transição Ecológica de Espanha
The Hearth Conversation Another angle on the story
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Como é que uma onda de calor se transforma tão rapidamente em crise de incêndios?

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A seca prolongada deixa a vegetação extremamente inflamável. Quando as temperaturas sobem acima do normal durante dias, o solo perde humidade, as árvores ficam secas como papel, e qualquer faísca — um relâmpago, uma negligência humana — pode desencadear um incêndio que se propaga rapidamente.

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Porque é que Itália está tão afetada?

Model

Porque enfrenta a pior seca em setenta anos. Não é apenas calor; é a ausência de água. Cinco regiões já decretaram estado de emergência. Quando não há chuva durante meses, tudo fica vulnerável.

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O que significa que a Grécia teve 260 incêndios numa semana?

Model

Significa que o sistema de resposta está sobrecarregado. Significa que há focos simultâneos em várias ilhas e regiões, que os recursos são limitados, e que um helicóptero caiu no mar enquanto tentava ajudar. É o sinal de um sistema em colapso.

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Porque é que a Espanha ativou o alerta vermelho?

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Porque as temperaturas previstas — 42 a 44 graus — são extremas e duradouras. A agência meteorológica espanhola destacou que esta vaga se distingue pela sua "duração significativamente elevada". Não é um dia quente; é uma semana ou mais de calor insuportável.

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E as pessoas evacuadas em França — para onde vão?

Model

Para longe dos incêndios. Mais de 6.500 pessoas deixaram as suas casas no departamento de Gironde. Alguns vão para casas de amigos ou família; outros para abrigos de emergência. Mas a questão é: por quanto tempo? Se os incêndios continuarem a alastrar, o número de evacuados pode aumentar.

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O Reino Unido nunca tinha visto 40 graus. O que significa isso?

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Significa que o clima está a mudar de formas que as infraestruturas britânicas não foram construídas para suportar. Casas sem ar condicionado, transportes públicos não preparados para calor extremo, sistemas de saúde já sobrecarregados. Um recorde de temperatura não é apenas um número; é um aviso.

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