Dezessete facadas não é roubo. É algo mais.
Na tarde de uma terça-feira comum, dois idosos foram encontrados mortos em seu apartamento num bairro nobre de Belo Horizonte — vítimas de uma violência que chocou até os investigadores mais experientes. O que começou como um primeiro dia de trabalho doméstico terminou em latrocínio, com dezenas de ferimentos e uma suspeita foragida levando consigo uma criança de seis anos. O caso coloca em evidência a fragilidade da confiança cotidiana e a brutalidade que pode habitar os espaços mais íntimos da vida privada.
- Um casal de idosos foi assassinado com 24 facadas no total dentro do próprio apartamento, num crime que o delegado responsável descreveu como uma barbaridade difícil de presenciar.
- A suspeita — diarista em seu primeiro dia na residência — tomou banho, trocou de roupa, descartou evidências numa caçamba e vendeu os objetos roubados antes de desaparecer com o filho de seis anos.
- A polícia tentou prendê-la em flagrante na quarta-feira, mas não a localizou; agora busca mandado judicial enquanto investiga se houve cúmplice no crime.
- A faca usada no assassinato ainda não foi encontrada, e os objetos roubados — relógios e joias — foram rastreados até o centro de Belo Horizonte, onde teriam sido vendidos.
- A suspeita tinha dívidas, era descrita como emocionalmente instável e teria dito a familiares que havia cometido 'uma grande besteira' antes de sumir.
Na tarde de terça-feira, 30 de junho, o advogado Cláudio Atala Inácio, 75 anos, e sua esposa, a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, 76, foram encontrados mortos em seu apartamento no bairro São Pedro, em Belo Horizonte. Ele levou dezessete facadas; ela, sete. Havia sangue por toda a residência. Os dois foram enterrados no dia seguinte.
A polícia suspeita que o crime foi cometido pela diarista contratada para trabalhar na casa — era seu primeiro dia. Ela chegou às 7h30 e foi autorizada a entrar. O próprio Cláudio havia recusado um convite para assistir a um jogo de futebol para não deixar a funcionária nova sozinha. O crime ocorreu entre o meio-dia e meia e as três da tarde, janela identificada pelos investigadores a partir de ligações telefônicas.
Antes de fugir, a suspeita tomou banho no apartamento, trocou de roupas e saiu com várias sacolas. Descartou uma blusa com manchas de sangue e fragmentos de embalagem de relógio numa caçamba próxima. Em seguida, foi ao centro da capital para vender os objetos roubados — relógios, joias e outros pertences do casal.
A mulher tinha dívidas e era descrita pela própria família como emocionalmente instável. Havia levantado recentemente quarenta mil reais para pagar a um agiota. Antes de desaparecer, teria dito que cometera 'uma grande besteira'. No dia seguinte ao crime, sumiu levando o filho de seis anos.
A polícia tentou prendê-la em flagrante na quarta-feira, sem sucesso, e prepara pedido de prisão à Justiça. A investigação ainda busca a faca do crime, rastreia os objetos vendidos e apura se a suspeita teve algum cúmplice. O homem que a indicou ao casal foi descartado como suspeito.
Na tarde de terça-feira, 30 de junho, um casal de idosos foi descoberto morto em seu apartamento no bairro São Pedro, região centro-sul de Belo Horizonte. Cláudio Atala Inácio tinha 75 anos e era advogado. Sua esposa, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, tinha 76 anos e era empresária. Os dois foram enterrados na tarde seguinte, na capital mineira.
Os corpos apresentavam múltiplos ferimentos causados por faca. O delegado Gustavo Barletta, responsável pela investigação, descreveu a cena com horror: a mulher havia recebido sete facadas, o homem dezessete. Havia sangue espalhado por toda a residência. O corpo do homem foi encontrado no quarto; o da mulher, na sala. Barletta disse ter se comovido ao presenciar o que chamou de barbaridade.
A polícia suspeita que uma diarista cometeu o crime. Segundo a investigação do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio, o caso é classificado como latrocínio — roubo seguido de morte. A suspeita teria roubado relógios, joias e outros objetos de valor do casal. Os celulares das vítimas foram recuperados pela polícia, mas a faca usada no crime não foi localizada.
Os detalhes da sequência de eventos ajudam a reconstruir o que aconteceu. A diarista chegou ao apartamento por volta das 7h30 da manhã e foi autorizada a entrar. Era seu primeiro dia de trabalho na residência. Às 9h30, o filho do casal ligou para o pai, que atendeu normalmente. Ao meio-dia, o idoso atendeu o telefone novamente. O crime ocorreu entre o meio-dia e meia e as três da tarde. O homem havia recusado um convite para assistir a um jogo de futebol justamente porque era o primeiro dia da diarista.
Antes de deixar o apartamento, a suspeita tomou banho e trocou de roupas. Saiu carregando várias sacolas. Em uma rua próxima, descartou materiais em uma caçamba — a polícia encontrou uma blusa com manchas de sangue e um pedaço de caixa de relógios. Segundo a investigação, ela se dirigiu ao centro de Belo Horizonte para vender os objetos roubados. Depois, foi até Ribeirão das Neves, cidade da região, onde mora, conversou com familiares e, no dia seguinte, desapareceu levando seu filho de seis anos.
A mulher tinha dívidas e era emocionalmente instável, conforme informações que a polícia obteve com a família dela. Recentemente, havia levantado quarenta mil reais para pagar a um agiota, mas os investigadores não conseguiram determinar o motivo da dívida. Antes de fugir, ela teria dito que havia cometido uma grande besteira.
O delegado Felipe Freitas, chefe do departamento, afirmou que a polícia tentava prender a suspeita em flagrante na quarta-feira. Como não a localizou, a polícia entraria com um pedido de prisão na Justiça. A investigação também apura se a mulher recebeu ajuda de outra pessoa para cometer o crime. O homem que a indicou ao casal foi descartado como suspeito — ele estava muito abalado e a mulher trabalhava para ele há cerca de um ano.
A suspeita permanecia foragida com o filho. A polícia continuava tentando identificar a dinâmica exata dos eventos dentro do apartamento, localizar a faca do crime e rastrear os objetos roubados que foram vendidos no centro da capital.
Citações Notáveis
A cena foi grotesca. Muito sangue pela casa afora. Foi de uma extrema barbárie e violência a forma como os dois idosos foram assassinados.— Delegado Felipe Freitas, chefe do Depatri
Foi uma barbaridade, muito sangue, muita coisa espalhada.— Delegado Gustavo Barletta, responsável pelo caso
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
O que leva alguém a fazer isso? A mulher tinha um trabalho, um relacionamento com a família.
A investigação aponta para dívidas, instabilidade emocional, talvez desespero. Mas a violência — dezessete facadas — sugere algo além de roubo. Parece raiva.
Ela tomou banho no apartamento depois?
Sim. Trocou de roupas, limpou-se, saiu com sacolas. Comportamento calculado e ao mesmo tempo impulsivo. Descartou evidências em uma caçamba próxima.
E o filho? Ele estava lá durante tudo isso?
Não sabemos. A polícia não detalhou isso. Mas uma criança de seis anos desapareceu com ela. Isso complica tudo — não é só uma fuga, é um sequestro de menor.
O homem que a recomendou — ele não sabia nada?
A polícia descartou a possibilidade. Ele estava muito abalado. Mas é curioso: ela trabalhou para ele um ano inteiro antes disso. O que mudou?
A dívida de quarenta mil reais. Para um agiota.
Exatamente. Dinheiro emprestado, pressão, desespero. Talvez tenha visto no casal uma oportunidade. Relógios, joias — coisas que se vendem rápido no centro.
Mas por que tanta violência?
Ninguém sabe ainda. Pode ter sido resistência, pânico, ou algo mais profundo. O delegado chamou de barbaridade. Dezessete facadas não é roubo. É algo mais.