Finlândia encerra serviço de telefonia fixa após 146 anos de operação

Falamos depois — a última palavra de uma era de 146 anos
A expressão finlandesa "kuulemiin" encerrou a última ligação pela rede de cobre do país.

No último dia de junho de 2026, a Finlândia encerrou 146 anos de telefonia fixa, desligando silenciosamente uma rede que um dia conectou famílias inteiras através de fios de cobre. O gesto não foi apenas técnico: foi o reconhecimento formal de que uma tecnologia que moldou o cotidiano humano por mais de um século cedeu lugar à fibra óptica e ao mundo sem fio. Como tantas despedidas históricas, esta também teve seu ritual — uma última ligação, uma palavra de adeus em finlandês, e a consciência de que o progresso avança sempre deixando algo para trás.

  • A operadora Elisa desligou oficialmente a rede de cobre em 30 de junho, encerrando um serviço que havia perdido quase todos os seus assinantes ao longo dos últimos anos.
  • Manter quilômetros de infraestrutura de cobre para apenas alguns milhares de usuários tornou-se economicamente insustentável diante da expansão da fibra óptica.
  • Concorrentes Telia e DNA já haviam dado o mesmo passo — em 2019 e no início de 2026, respectivamente — tornando o encerramento da Elisa o capítulo final de uma retirada coletiva.
  • A transição foi marcada por um gesto simbólico: o CEO da Elisa fez a última ligação oficial para o chefe da agência de Transportes e Comunicações, encerrando com um 'kuulemiin' — 'falamos depois'.
  • Pequenas operadoras locais ainda oferecem telefonia fixa em regiões isoladas, mas o país como um todo já vive sob a lógica da fibra óptica e da comunicação móvel.

Na terça-feira, 30 de junho, a Finlândia desligou sua rede de telefonia fixa após 146 anos de operação. A decisão, anunciada pela operadora Elisa em janeiro, refletia uma realidade incontornável: restavam apenas alguns milhares de assinantes, e a empresa havia parado de vender novas linhas há anos. Manter toda aquela malha de cabos de cobre espalhada pelo país simplesmente não fazia mais sentido — a fibra óptica já oferecia voz e dados com muito mais eficiência. A Telia havia chegado à mesma conclusão em 2019, e a DNA seguiu o mesmo caminho no início de 2026.

O encerramento ganhou contornos simbólicos quando Topi Manner, presidente-executivo da Elisa, fez uma última ligação para Jarkko Saarimaki, chefe da agência finlandesa de Transportes e Comunicações. Os dois refletiram sobre o papel que o telefone fixo desempenhou na vida das pessoas. Manner lembrou dos anos 1980, quando morava em Londres e ligava para a família na Finlândia uma vez por semana, em horário combinado — aquele fio era o único elo possível. A conversa terminou com um 'kuulemiin': falamos depois.

A história começou na década de 1880, quando os primeiros aparelhos chegaram ao país. O auge veio entre o fim dos anos 1980 e o início dos 1990, com quase toda casa tendo um telefone na parede. Mas a Nokia liderou a revolução dos celulares, e a Finlândia foi uma das primeiras a abraçar o mundo móvel. Linha por linha, o fio de cobre foi perdendo espaço. Hoje, apenas pequenas operadoras locais ainda atendem clientes em regiões específicas. Para o restante do país, a fibra óptica já é o presente — e o futuro.

Na terça-feira, 30 de junho, a Finlândia desligou oficialmente sua rede de telefonia fixa. Foram 146 anos de operação encerrados. A decisão marca o ponto final de uma transformação que começou discretamente — com a chegada dos celulares — e se acelerou conforme a fibra óptica se tornou a espinha dorsal das comunicações do país.

A operadora Elisa, que gerenciava a maior parte dessa infraestrutura, havia anunciado o encerramento em janeiro. Na época, a empresa informou que restavam apenas alguns milhares de assinantes usando o serviço. Mais do que isso: havia anos que a Elisa não vendia novas linhas telefônicas. Manter toda aquela rede de cabos de cobre espalhada pelo país não fazia mais sentido economicamente. A fibra óptica oferecia tudo que o cobre oferecia — voz, dados — mas com muito mais eficiência. Seus concorrentes já haviam chegado à mesma conclusão: a Telia desativou sua rede em 2019, e a DNA fez o mesmo no início de 2026.

O encerramento ganhou um toque simbólico. Topi Manner, presidente-executivo da Elisa, fez uma última ligação para Jarkko Saarimaki, chefe da agência finlandesa de Transportes e Comunicações. Durante a conversa, os dois homens refletiram sobre o papel que os telefones fixos desempenharam nas vidas das pessoas ao longo das décadas. Manner lembrou de seus dias em Londres, nos anos 1980, quando ligava para casa uma vez por semana em horário marcado — a única forma de manter contato com a família na Finlândia. Ao final da chamada, encerraram com a expressão finlandesa "kuulemiin", que significa algo como "falamos depois". Foi o último adeus de uma era.

Essa era começou lá atrás, na década de 1880, quando os primeiros telefones fixos chegaram ao país nórdico. O auge veio entre o final dos anos 1980 e o início dos anos 1990, quando praticamente toda casa tinha um aparelho na parede. Mas então vieram os celulares. A Finlândia tinha uma vantagem: a Nokia, gigante local de telecomunicações, liderou a revolução móvel global. Enquanto a indústria crescia, o uso das linhas convencionais caía. Década após década, menos pessoas precisavam daquele fio que entrava pela parede.

Agora, apenas pequenas operadoras locais continuam oferecendo telefonia fixa em algumas regiões do país, atendendo um número reduzido de clientes que ainda dependem desse serviço para chamadas locais. Para o resto da Finlândia, a fibra óptica é o futuro — e, para muitos, já é o presente.

Topi Manner recordou o período em que viveu em Londres, nos anos 1980, quando fazia uma ligação semanal para conversar com a família na Finlândia em horário previamente combinado.
— Presidente-executivo da Elisa
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a Finlândia decidiu fazer isso agora, em 2026? Não havia pressão para manter o serviço?

Model

Havia apenas alguns milhares de assinantes restantes. Manter toda uma infraestrutura de cobre para tão poucas pessoas deixou de fazer sentido econômico. A fibra óptica já estava em toda parte.

Inventor

Então foi puramente uma questão de números — custo versus benefício?

Model

Principalmente, sim. Mas também reflete como a tecnologia mudou. Ninguém precisa mais de um fio fixo quando tem internet rápida em casa e um celular no bolso.

Inventor

A última ligação entre Manner e Saarimaki — isso foi encenado ou genuíno?

Model

Provavelmente ambas as coisas. Era simbólico, claro, mas também era real. Dois homens que trabalham em telecomunicações refletindo sobre como tudo mudou. Manner falou sobre ligar para casa de Londres nos anos 1980. Aquilo era a vida real.

Inventor

E as pessoas que ainda usavam linhas fixas? Apenas aceitaram?

Model

Não havia muita escolha. A fibra oferece tudo que o cobre oferecia, mas melhor. As pequenas operadoras locais continuam servindo quem realmente precisa, mas é um número muito pequeno.

Inventor

A Nokia teve um papel nisto, não é? Ao popularizar os celulares?

Model

Exatamente. A Nokia foi tão bem-sucedida que acelerou o próprio fim dos telefones fixos. A Finlândia liderou a revolução móvel e colheu as consequências — ou os benefícios, dependendo de como se vê.

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