Acre deve alcançar US$ 100 milhões em exportações em 2025, afirma Jorge Viana

A Amazônia é a região mais rica do Brasil e exporta pouco
Viana contrasta o potencial da região com sua performance atual, justificando o investimento em exportações acreanas.

Em Rio Branco, o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, anunciou que o Acre caminha para uma marca sem precedentes: cem milhões de dólares em exportações em um único ano. O que era vinte milhões quando Viana deixou o governo estadual tornou-se oitenta e sete milhões em 2024, e já soma sessenta e nove milhões nos primeiros meses de 2025 — uma trajetória que revela não apenas crescimento econômico, mas a lenta transformação de uma região historicamente esquecida pelo comércio global. O evento Exporta Mais Amazônia reuniu compradores internacionais de peso no coração da floresta, como se o mundo finalmente se voltasse para ouvir o que a Amazônia tem a dizer.

  • O Acre nunca havia exportado cem milhões de dólares em um ano, e a janela para cruzar essa fronteira histórica se fecha em dezembro — a pressão do tempo é real.
  • Tarifas americanas sobre castanha e madeira ameaçam parte das exportações acreanas, criando turbulência justamente quando o estado ganha impulso.
  • A Apex trouxe gigantes como a Mitsui — empresa com quarenta e cinco mil lojas na China — diretamente ao Acre, apostando que ver a Amazônia de perto vale mais do que qualquer catálogo.
  • A diversificação de mercados surge como resposta estratégica: produtores que antes dependiam dos EUA já encontram compradores na Europa, escapando do alcance das tarifas.
  • Viana defende que universidades acreanas formem especialistas em comércio exterior e bioeconomia, plantando as sementes de uma geração preparada para o mercado global.
  • O estado, próximo ao Pacífico e com estrutura mais ágil que grandes centros, é apresentado como polo logístico em ascensão — pequeno demais para ser ignorado, grande o suficiente para surpreender.

Jorge Viana chegou a Rio Branco na segunda-feira carregando números que contam uma história de aceleração rara. Na abertura do Exporta Mais Amazônia 2025, o maior evento do programa já realizado no Norte do país, o presidente da ApexBrasil traçou uma linha do tempo que impressiona: quando deixou o governo do Acre, o estado exportava vinte milhões de dólares por ano. Três anos atrás, esse número havia dobrado. Em 2024, chegou a oitenta e sete milhões. E 2025, com meses ainda pela frente, já marcava sessenta e nove milhões — apontando para a marca inédita de cem milhões.

O diferencial do evento não estava apenas em reunir empresas locais, mas em trazer compradores internacionais até a Amazônia. A Mitsui, maior compradora de frutas e açaí da China, com quarenta e cinco mil lojas no país asiático, estava presente. Ao lado dela, representantes da Rússia, Índia, Indonésia, Europa e América do Sul. A aposta era que o contato direto com os produtos e a realidade amazônica valeria mais do que qualquer negociação à distância.

Viana não ignorou os obstáculos. As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre castanha e madeira — cerca de cinco milhões dos oitenta e sete milhões exportados em 2024 — representam um vento contrário real. Mas a resposta que ele defende é a diversificação: produtores que já encontraram compradores europeus mostram que o caminho existe. Viana expressou esperança num entendimento entre Lula e Trump, mas deixou claro que o Acre não pode depender de um único mercado.

Para o futuro, a visão de Viana é de especialização. Ele quer que as universidades acreanas formem profissionais em comércio exterior e bioeconomia, transformando o estado em referência regional. A geografia ajuda: próximo ao Pacífico, o Acre tem vantagem logística que estados maiores não possuem. Sobre uma possível candidatura ao Senado em 2026, foi lacônico — sua paixão é o Acre, e se puder ajudar, estará bem, com ou sem mandato.

Jorge Viana, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, pisou em Rio Branco na segunda-feira para anunciar algo que o Acre nunca havia alcançado: a possibilidade concreta de ultrapassar a marca de cem milhões de dólares em exportações num único ano. A declaração veio durante a abertura do Exporta Mais Amazônia 2025, o maior evento do programa já realizado na região Norte, realizado no Centro de Convenções da Universidade Federal do Acre.

Os números que Viana apresentou traçam uma trajetória de aceleração. Quando deixou o governo estadual, o Acre exportava vinte milhões de dólares anuais. Três anos atrás, esse número havia dobrado para quarenta milhões. No ano passado, saltou para oitenta e sete milhões. Neste ano, com ainda meses pela frente, o estado já havia exportado sessenta e nove milhões de dólares. A matemática simples apontava para um resultado que, até pouco tempo, teria parecido improvável.

O diferencial do evento, segundo Viana, residia numa estratégia que ia além de simplesmente conectar vendedores e compradores. A Apex havia trazido para o Acre mais de quarenta empresas locais e, mais importante, havia convencido grandes compradores internacionais a fazer a viagem até aqui. Não eram intermediários genéricos. A Mitsui, maior empresa compradora de frutas e açaí da China, estava presente — uma empresa com quarenta e cinco mil lojas espalhadas pelo país asiático. Havia também representantes da Rússia, Estados Unidos, Índia, Indonésia, cinco países europeus e nações da América do Sul. O objetivo era simples: deixar que esses compradores conhecessem de perto os produtos e a realidade amazônica.

Mas Viana também reconheceu os ventos contrários. Os Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial do Brasil, havia imposto tarifas sobre produtos brasileiros, incluindo castanha e madeira — dois itens importantes para as exportações acreanas. Dos oitenta e sete milhões exportados no ano anterior, aproximadamente cinco milhões estavam sob essas tarifas. Viana, porém, não via isso como uma derrota definitiva. A solução, argumentava, passava pela diversificação de mercados. Um produtor de castanha havia conseguido vender para a Europa, saindo do alcance das tarifas americanas. Isso era, na visão de Viana, o caminho a seguir.

Ele defendeu a retomada do diálogo com os americanos, descrevendo as tarifas como uma decisão que não se explicava comercialmente — afinal, os Estados Unidos tinham saldo positivo no comércio com o Brasil. Viana expressou otimismo com a possibilidade de um encontro entre o presidente Lula e o presidente Trump, esperando que as diferenças permanecessem no campo político enquanto o comércio voltasse a fluir.

Quando questionado sobre a resistência de parte do agronegócio ao governo Lula, Viana respondeu com dados. Quem havia criado o Plano Safra, o maior programa de financiamento com juros subsidiados para produtores? Quem havia aberto mais programas de renegociação de dívida? Quem havia criado crédito forte para o setor? Lula. Viana também criticou a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, descrevendo-a como trabalho contra o Brasil, não a favor dos americanos.

Para o futuro, Viana defendia que o Acre se preparasse para aproveitar as oportunidades do comércio exterior com foco na bioeconomia. Sugeriu que as universidades acreanas criassem especializações em comércio exterior, posicionando o estado como um celeiro de oportunidades. O Acre, argumentava, tinha a melhor condição logística e geográfica da região — próximo ao Pacífico, com problemas menores que estados maiores, mas com potencial para crescimento acelerado.

Sobre uma eventual candidatura ao Senado em 2026, Viana foi breve. Sua paixão era pelo Acre. Se pudesse colaborar com sua terra, estaria bem, com ou sem mandato. Já havia sido senador, governador duas vezes, prefeito. Agora presidia a Apex e lecionava em programas de mestrado e doutorado. A eleição do próximo ano não era um sonho pessoal, mas uma obrigação de quem pudesse ajudar. O Senado, na sua visão, deveria ser ocupado por gente madura, trabalhando para elevar o estado ao mesmo patamar de potências como São Paulo.

Quando eu estava no governo, a gente exportava 20 milhões de dólares. Depois passou agora, 3 anos atrás, exportava 40. Mas o ano passado já exportou 87 milhões de dólares. E esse ano, aqui para quem está ao vivo no ac24horas, o Acre já exportou 69 milhões de dólares.
— Jorge Viana, presidente da ApexBrasil
O Acre vai ser um celeiro. Não tem como isso. A coisa que mais vai crescer no mundo é comércio exterior.
— Jorge Viana
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o Acre estava tão longe dessa marca de cem milhões se tem vantagem geográfica próxima ao Pacífico?

Model

Porque ninguém havia investido de verdade em conectar o estado aos mercados internacionais. Eram vinte milhões de dólares quando Viana saiu do governo. Faltava estrutura, faltava conhecimento, faltava alguém trazendo os compradores até aqui.

Inventor

E esses compradores — a Mitsui, os russos, os indianos — eles realmente vêm ao Acre por causa de um evento?

Model

Vêm porque a Apex os convence de que vale a pena. Quarenta e cinco mil lojas na China precisam de açaí. Não é turismo. É negócio.

Inventor

As tarifas americanas não destroem tudo isso?

Model

Destroem cinco milhões de cem milhões. O resto flui para a Europa, Ásia, América do Sul. A diversificação é a resposta.

Inventor

Viana parece otimista demais com Trump e Lula se entenderem.

Model

Talvez. Mas ele conhece comércio. Sabe que tarifas não fazem sentido econômico quando os EUA ganham dinheiro com o Brasil.

Inventor

E essa história de bioeconomia nas universidades — é realista?

Model

É a aposta dele. O Acre não vai competir com São Paulo em indústria pesada. Mas pode ser celeiro de produtos da floresta. Precisa de gente preparada para isso.

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