Acordo de cessar-fogo anima bolsas europeias; PSI sobe 0,89% apesar de queda energética

A queda de 5,2% da Galp foi o principal fator que impediu o PSI de registar ganhos ainda maiores
O setor energético português foi penalizado pela queda abrupta dos preços do petróleo após o acordo de cessar-fogo.

PSI fecha em alta com 9.450,19 pontos; Mota-Engil lidera com +8,31% e CAC40 dispara 4,49%. Reabertura do Estreito de Ormuz reduz tensões geopolíticas e provoca queda abrupta nos preços do petróleo e gás natural.

  • PSI-20 fecha em 9.450,19 pontos, com ganho de 0,89%
  • Mota-Engil lidera com subida de 8,31%; CAC40 dispara 4,49%
  • Petróleo WTI cai 15,92% para 94,93 dólares; Brent recua 13,42%
  • Galp perde 5,21%; REN, EDP e EDP Renováveis também caem
  • Acordo de cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irão; reabertura do Estreito de Ormuz

Acordo de cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irão impulsiona mercados europeus, com PSI a ganhar 0,89%. Setor energético penalizado com queda de 15% no petróleo.

A notícia de um acordo de cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irão, acompanhada pela reabertura do Estreito de Ormuz, inundou as praças financeiras europeias de otimismo na quarta-feira. Os investidores responderam com entusiasmo à perspectiva de uma desescalada geopolítica, empurrando índices para cima em toda a região. Em Lisboa, o PSI-20 encerrou a sessão com ganhos de 0,89%, fixando-se nos 9.450,19 pontos, enquanto em Paris o CAC40 disparou 4,49% para 8.263,87 pontos e em Madrid o Ibex35 avançou 3,90% para 18.125,35 pontos.

O desempenho do índice português foi liderado por movimentos expressivos em ações de construção e serviços. A Mota-Engil foi a estrela do dia, saltando 8,31% para 5,030 euros, seguida pela Teixeira Duarte com uma subida de 7,99% para 0,4730 euros. Os CTT ganharam 4,92% para 6,72 euros, o BCP cresceu 4,20% para 0,9084 euros, a Semapa avançou 2,93% para 22,85 euros e a NOS registou um modesto ganho de 0,36% para 5,610 euros. O sentimento generalizado era de alívio perante a possibilidade de uma redução nas tensões que há meses pressionavam os mercados.

Mas o acordo trouxe uma consequência imediata e severa para o setor energético: os preços do petróleo desabaram. O crude texano WTI caiu 15,92%, fechando em 94,93 dólares por barril, enquanto o Brent recuou 13,42% para 94,54 dólares. O gás natural perdeu 4,36%, fixando-se em 2,745 dólares. Esta queda abrupta refletiu a lógica simples dos mercados: com o Estreito de Ormuz reabertu e as tensões reduzidas, a oferta global de energia tornava-se menos constrangida, eliminando o prémio de risco que havia sustentado os preços.

As empresas energéticas portuguesas foram as vítimas desta dinâmica. A Galp foi a mais penalizada, perdendo 5,21% para 20,02 euros. A REN desceu 0,65% para 3,840 euros, a EDP derrapou 0,45% para 4,675 euros e a EDP Renováveis deslizou 0,35% para 14,06 euros. Ramiro Loureiro, analista de mercados do Millennium Investment Banking, observou que a queda de 5,2% da Galp foi o principal fator que impediu o PSI de registar ganhos ainda maiores.

O analista descreveu o dia como "euforia nas bolsas europeias", com o Euro Stoxx a registar a sua melhor variação diária desde 2022. O acordo específico — suspensão dos ataques norte-americanos em troca da reabertura do Estreito de Ormuz, uma via crucial para o transporte global de energia — trouxe grande otimismo aos investidores. Contudo, a tarde trouxe notas de instabilidade. Surgiram relatos de que a passagem de petroleiros pelo Estreito teria sido interrompida em consequência de ataques israelitas ao Líbano, um desenvolvimento que recordou aos mercados que a região permanecia frágil.

O setor de viagens e lazer e o tecnológico foram os maiores beneficiários da recuperação do sentimento de risco. No mercado cambial, o euro valorizou 0,82% face ao dólar, fixando-se em 1,1692 dólares. O padrão geral era claro: alívio geopolítico impulsionava ativos de crescimento e consumo, enquanto penalizava severamente os produtores de energia. A questão que permanecia em aberto era se o acordo resistiria além das duas semanas iniciais, ou se novos desenvolvimentos no Médio Oriente voltariam a desestabilizar os mercados.

Dia de euforia nas bolsas europeias, com o Euro Stoxx a registar a melhor variação diária desde 2022. O acordo de cessar-fogo trouxe grande otimismo aos investidores, provocando uma queda abrupta nos preços do petróleo.
— Ramiro Loureiro, analista de mercados do Millennium Investment Banking
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Inventor

Por que é que um acordo de cessar-fogo no Médio Oriente afeta tanto os mercados europeus?

Model

Porque o Estreito de Ormuz é uma artéria vital. Um terço do petróleo transportado por via marítima passa por ali. Quando há tensão geopolítica, os investidores adicionam um prémio de risco aos preços — essencialmente, cobram mais porque têm medo de interrupções. Um acordo reduz esse medo, e o prémio desaparece.

Inventor

Mas então por que é que as ações de construção como a Mota-Engil subiram tanto?

Model

Porque um mundo menos tenso é um mundo que investe. Construção, viagens, tecnologia — tudo depende de confiança no futuro. Quando a geopolítica melhora, os investidores saem dos ativos defensivos e entram em ativos de crescimento.

Inventor

E a Galp perdeu 5% num dia em que tudo o resto subia. Isso não é contraditório?

Model

Não. A Galp ganhou com o prémio de risco que agora desapareceu. Um barril a 110 dólares é melhor para uma petrolífera do que um barril a 95. O acordo foi bom para a economia global, mas mau para os lucros das energéticas.

Inventor

Os relatos de ataques ao Líbano à tarde sugeriram que o acordo era frágil?

Model

Exatamente. O mercado sentiu isso. Houve um momento em que a euforia foi interrompida pela realidade: a região continua instável. Dois atores principais podem ter acordado, mas há muitos outros jogadores no tabuleiro.

Inventor

O que é que isto significa para os próximos dias?

Model

Tudo depende de se o acordo aguenta. Se as duas semanas passarem sem incidentes, pode haver uma renovação e uma estabilização dos preços. Se houver escalada, voltamos ao ponto de partida — prémios de risco, petróleo caro, energéticas a ganhar, crescimento a sofrer.

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