Trump defende acordo com Irã e nega catástrofe econômica na cúpula do G7

Se não estiverem se comportando, serão atingidos novamente
Trump condiciona acesso aos US$ 300 bilhões ao comportamento adequado do Irã durante o acordo.

No encerramento da cúpula do G7 na França, Donald Trump defendeu um acordo bilateral com o Irã que promete encerrar um conflito devastador no Oriente Médio — um pacto construído sobre a lógica de que a catástrofe econômica é tão perigosa quanto a guerra. O documento, assinado virtualmente e a ser formalizado em Genebra, coloca frente a frente dois imperativos históricos: a não proliferação nuclear e a reconstrução de uma nação destruída. Como tantos acordos de grande alcance, ele carrega em si tanto a promessa da estabilidade quanto as contradições que só o tempo resolverá.

  • Trump saiu em defesa pública de um acordo com o Irã justamente quando sua própria narrativa sobre o texto contradiz o que a CNN afirma ter encontrado no documento — a tensão entre o que foi dito e o que foi assinado paira sobre Genebra.
  • O Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã durante o conflito, está no centro do acordo: sua reabertura em até 30 dias é condição essencial para estabilizar o fluxo de energia global.
  • Um fundo de US$ 300 bilhões — condicional ao 'comportamento adequado' iraniano — representa a aposta americana de que incentivos financeiros podem substituir a coerção militar como instrumento de controle nuclear.
  • Os próximos 60 dias serão decisivos: limites de enriquecimento de urânio, destino do material já enriquecido e um plano de reabilitação econômica precisam ser definidos antes que o acordo ganhe forma definitiva.
  • Trump alertou que o Irã 'será atingido novamente' caso descumpra os termos — sinalizando que a paz negociada ainda repousa sobre a ameaça de força.

Na quarta-feira, ao encerrar a cúpula do G7 na França, Donald Trump defendeu publicamente um acordo bilateral que os Estados Unidos acabavam de firmar com o Irã. Sua justificativa foi direta: havia um risco real de catástrofe econômica caso as negociações fracassassem, e ele não estava disposto a deixar isso acontecer.

O acordo, assinado virtualmente no fim de semana anterior, será formalizado presencialmente em Genebra na sexta-feira. Segundo a CNN Internacional, que teve acesso ao texto de 14 pontos, o documento representa um esforço para encerrar a guerra no Oriente Médio. Em seu núcleo está um compromisso fundamental: o Irã se compromete a nunca desenvolver armas nucleares em troca de acesso a um fundo de compensação de US$ 300 bilhões — mas apenas se 'estiver fazendo as coisas direito', como Trump frisou.

O presidente contextualizou a compensação diante da escala dos danos: o Irã teria acumulado prejuízos superiores a um trilhão de dólares e precisaria de 15 a 20 anos para reconstruir sua infraestrutura. Os US$ 300 bilhões seriam um primeiro passo. Trump advertiu ainda que o descumprimento do acordo resultaria em novos ataques.

Além da questão nuclear, o texto prevê a reabertura do Estreito de Ormuz em até 30 dias, o levantamento de sanções, a liberação de ativos congelados e a retomada do comércio iraniano de petróleo e petroquímicos. Trump também sinalizou que os EUA terão de devolver recursos tomados do Irã — caso contrário, países poderiam perder confiança no dólar.

As partes têm 60 dias para definir os detalhes finais: limites de enriquecimento de urânio, destino do material já enriquecido e um plano de reabilitação econômica. Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU deverá chancelar o acordo ao fim desse prazo.

Uma contradição, porém, permanece no ar: na mesma quarta-feira em que defendeu o pacto, Trump negou a existência do fundo de US$ 300 bilhões — em desacordo direto com o que a CNN afirma ter encontrado no texto. A cerimônia de Genebra se aproxima, mas as perguntas sobre o que exatamente foi acordado ainda não têm resposta definitiva.

Na quarta-feira, durante o encerramento da cúpula do G7 na França, Donald Trump saiu em defesa de um acordo bilateral que os Estados Unidos acabavam de firmar com o Irã. Diante de repórteres, o presidente americano explicou sua lógica: havia um risco real de catástrofe econômica se as negociações fracassassem, e ele não estava disposto a deixar isso acontecer. "Se tivéssemos continuado com isso, poderia ter acontecido", disse ele, referindo-se ao cenário que buscava evitar.

O acordo, que ainda não havia sido oficialmente divulgado na quarta-feira, foi assinado virtualmente no fim de semana anterior e será formalizado presencialmente em Genebra na sexta-feira. Segundo a CNN Internacional, que teve acesso ao texto completo, o documento contém 14 pontos e representa um esforço para encerrar a guerra no Oriente Médio. No centro dele está um compromisso fundamental: o Irã se compromete a nunca desenvolver armas nucleares, em troca de acesso a um fundo de compensação financeira de US$ 300 bilhões. Mas Trump deixou claro que esse dinheiro não é incondicional. "São apenas 300 bilhões de dólares. E só se eles estiverem fazendo as coisas direito", afirmou, enfatizando que o país precisaria manter um comportamento adequado para acessar os recursos.

O presidente também contextualizou a magnitude da compensação em relação aos danos que o Irã sofreu. Segundo sua avaliação, o país acumulou prejuízos superiores a um trilhão de dólares durante o conflito e precisaria de 15 a 20 anos apenas para reconstruir sua infraestrutura atual. Nesse cenário, os US$ 300 bilhões representam um primeiro passo, não uma solução completa. Trump advertiu ainda que se o Irã não mantivesse o comportamento esperado, "serão atingidos novamente".

Além da questão nuclear e da compensação financeira, o acordo toca em pontos críticos da geopolítica regional. Inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, que o Irã havia bloqueado durante a guerra em retaliação aos ataques americanos e israelenses. Prevê também o levantamento de todas as sanções que atualmente incidem sobre o país, a liberação de ativos iranianos que estavam congelados, e permissão para que Teerã volte a comercializar petróleo e produtos petroquímicos. O Tesouro americano emitiria isenções para exportações de petróleo bruto iraniano e serviços relacionados, incluindo operações bancárias, seguros e transporte.

Trump mencionou ainda uma questão que vai além do acordo imediato: os Estados Unidos, em algum momento, terão que devolver dinheiro que pegou do Irã. Caso contrário, advertiu, há risco de que países deixem de investir no dólar americano. Essa observação sugere que ele vê a questão não apenas como um acordo de paz, mas como uma transação que afeta a confiança global na moeda americana.

O texto do acordo estabelece um cronograma para os próximos passos. As partes têm 60 dias para chegar a um acordo final que inclua detalhes sobre o programa nuclear iraniano, particularmente questões que ainda não foram resolvidas, como o limite de enriquecimento de urânio que o Irã poderá produzir e o destino do material nuclear já enriquecido. Os EUA e seus aliados regionais têm o mesmo prazo para elaborar um plano de reabilitação e desenvolvimento econômico do Irã. O Irã, por sua vez, se comprometeu a restabelecer o tráfego de navios entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã aos níveis pré-guerra em até 30 dias. Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU deverá aprovar o acordo final após esses 60 dias.

Apesar da defesa que Trump fez do acordo, ele negou na quarta-feira que houvesse um fundo de US$ 300 bilhões — uma contradição com o que a CNN relatou ter encontrado no texto. Essa discrepância deixa em aberto questões sobre quais detalhes ainda estão sendo negociados ou se há divergências sobre como os termos devem ser interpretados. O que é certo é que a cerimônia de assinatura presencial em Genebra acontecerá em breve, e os próximos 60 dias serão decisivos para definir os contornos finais de um acordo que pretende reconfigurar as relações entre Washington e Teerã.

A única coisa que eu não queria ver era uma catástrofe econômica. Se tivéssemos continuado com isso, poderia ter acontecido
— Donald Trump, durante coletiva de imprensa na cúpula do G7
São apenas 300 bilhões de dólares. E só se eles estiverem fazendo as coisas direito
— Donald Trump, sobre acesso ao fundo de compensação
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Trump insistiu tanto em dizer que não queria uma catástrofe econômica? Parece uma justificativa estranha para um acordo com o Irã.

Model

Porque ele estava respondendo a críticos que diriam que ele cedeu demais. Ao enquadrar a escolha como uma questão de evitar desastre econômico, ele a reposiciona como pragmatismo, não fraqueza. É uma forma de dizer: eu tinha poder, mas escolhi não usá-lo porque o custo seria muito alto.

Inventor

E quanto aos US$ 300 bilhões? Trump negou que existisse esse fundo, mas a CNN diz que está no acordo.

Model

Isso é intrigante. Pode ser que Trump esteja sendo cuidadoso com a linguagem — talvez não seja um "fundo" no sentido que a CNN descreveu, mas sim acesso a ativos congelados. Ou pode ser que ele esteja minimizando o número porque sabe que vai ser criticado por dar tanto dinheiro ao Irã.

Inventor

Ele disse que o Irã sofreu mais de um trilhão em prejuízos. Como ele chegou a esse número?

Model

Não sabemos. Mas o ponto que ele estava fazendo é claro: os US$ 300 bilhões não são generosidade, são uma fração do que o país perdeu. É uma forma de dizer que o Irã sai dessa negociação ainda em desvantagem material.

Inventor

A parte sobre devolver dinheiro que os EUA pegaram do Irã — isso muda a dinâmica toda, não é?

Model

Completamente. Ele está admitindo que há uma dívida histórica. E está dizendo que se não pagarem, há consequências para a confiança no dólar. É uma forma de reconhecer que esse acordo não é apenas sobre paz regional, é sobre a posição dos EUA na economia global.

Inventor

Então o acordo depende do Irã "se comportar bem". Quem decide o que é comportamento adequado?

Model

Essa é a pergunta que vai definir os próximos anos. Tecnicamente, as partes têm 60 dias para definir os detalhes. Mas na prática, os EUA terão muito poder para interpretar o que significa "se comportar". É por isso que Trump pode dizer que o Irã "será atingido novamente" se não cumprir.

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